Qual
a chave para uma vida longa?
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Luiza
Almeida Andrade, de bem com a vida e com mais de 70 anos
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Especialistas
afirmam que viver com otimismo traz longevidade
Maria Fernanda
6 Período de Jornalismo
Grandes ídolos
brasileiros, jovens contestadores da década de 60 como Gilberto
Gil e Caetano Veloso, estão chegando na Terceira Idade. Apesar
de assustar muitos de seus contemporâneos, esta constatação
confere com a classificação da Organização
Mundial de Saúde. De acordo com a OMS, idoso é todo indivíduo
com sessenta anos ou mais. Graças aos avanços da medicina,
o planeta está envelhecendo. Em 2005, o total de idosos vai superar
o de menores de 14 anos e a idade média global, que gira atualmente
em torno dos vinte e seis anos, vai chegar aos trinta e seis. Nos países
industrializados, as pessoas com mais de sessenta anos já representam
20% da população, índice que deve subir para 33%
em 2050.
O Brasil também está ganhando os seus cabelos brancos.
Hoje, 10% da população é de idosos. Em 2025, serão
15%. E esta fase pode ser encarada de maneiras bem distintas. Boa parte
já sofreu ou ainda convive com doenças como câncer,
mal de Alzheimer, hipertensão arterial, arteriosclerose, catarata
e a osteoporose. Mas, uma enorme diferença entre estilos de vida
pode ser notada mesmo entre os considerados saudáveis. Alguns
chegam desanimados e tristes. Outros trabalham, cuidam da forma física
e esbanjam vitalidade. O que faz a diferença?
Segundo Sumaya Cristina Silva Figueredo, psicóloga e gerontóloga
pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, diversos fatores
influenciam na construção de uma velhice saudável.
Além dos aspectos conhecidos pela maioria, como a boa alimentação,
a prática de exercícios físicos, a genética
e a falta de vícios, o controle do nível de stress também
é essencial. Isso não quer dizer que precisamos voltar
a viver como antigamente. Uma pessoa, que reside em uma cidade muito
violenta ou que atravessa um momento limite, é capaz de manter
tudo sobre controle. Para isto, ela pode desenvolver fortes recursos
internos ou buscar a solução certa na resolução
de qualquer problema. Há também o caso de quem não
tem sérios motivos para se estressar e está sempre à
beira de um "ataque de nervos".
Ao conseguir manter o controle do stress ou porque sempre esteve longe
dele, Dinorá Macedo, é um ótimo exemplo de bem-estar
na terceira idade. Viveu até os 65 anos na fazenda, onde plantava
verdura, criava galinhas, fazia queijo, tecia cobertas e capinava largos
terrenos. Naquela época, os remédios eram caseiros como
pinga com café para friagem. Hoje, com 75 anos, mora com os filhos
Divina, Adão, João e Nair e com o neto Tiago em uma ampla
casa no Prata cidade com cerca de 40.000 habitantes em Minas
Gerais. Para ver a filha Aparecida, basta atravessar a rua. A alimentação,
que causaria arrepios em qualquer médico, inclui mandioca, carne
de porco, batata, ovo e frango caipira. Tudo feito na banha. Quando
questiono sobre a saúde, ela diz ter passado por algumas operações
que não se lembra mais. Conclui apenas que está muito
bem, obrigado. É viúva de Antônio Ferreira e até
hoje visita o sogro Américo Ferreira Rosa, um senhor de 102 anos
que esbanja bom humor e mora no município rural de Córrego
Dantas. Sobre o adeus ao companheiro, Dinorá responde que os
problemas ficam "nas mãos de Deus". Sempre gostou de
forró e bailes. Atualmente, não perde um capítulo
das novelas globais, até mesmo quando está em Uberaba
abraçando a filha Maria. Apesar da saudade da fazenda, está
em paz com a vida.
Neste caso, a falta física do marido foi superada. Mas, nem sempre
isso acontece. As perdas, sejam no organismo ou de entes queridos, são
comuns na Terceira Idade e podem ser nocivas à saúde mental.
Esquecer as atividades pessoais e viver em função do problema,
não vai solucioná-lo. Em alguns casos, o idoso precisa
do auxílio de profissionais para aprender a lidar com as constantes
mudanças de outra forma.