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Profissionais assumem compromisso de construir uma cultura de paz
nos meios de comunicação
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foto:
Leonardo Boloni

Manoel
Fernandes Filho, um dos coordenadores do movimento Mídia
da Paz, conversou
com estudantes de Comunicação Social
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André Azevedo da Fonseca
O movimento Mídia da Paz (www.midiadapaz.org)
é uma iniciativa de ONGs e de profissionais de comunicação
que assumiram o compromisso de construir uma cultura de paz na mídia.
Seu empenho consiste em incentivar o papel educativo, cultural e
conscientizador dos meios de comunicação e alertar
sobre a influência negativa que a mídia pode ter sobre
a sociedade quando esses compromissos são desprezados.
O jornalista Manoel Fernandes Filho,
um dos coordenadores do movimento e editor da revista NovaE (www.novae.inf.br)
esteve na Universidade de Uberaba conversando com estudantes de
Comunicação Social.
Manoel Fernandes é um entusiasta
das potencialidades da Internet na democratização
da informação. "A rede permite que cada um
fale com cada um. As pessoas estão em conversação
constante. É a força dos pequenos grupos", disse.
O jornalista afirmou que os meios de comunicação tradicionais
nunca mais tiveram sossego depois que esses milhões de internautas
passaram a conversar, pensar e criticar nos ICQs, blogs
e listas de discussões. "Com a criação da web,
um monte de utópicos apaixonados conspiram, criam publicações,
colocam o dedo na cara da mídia de massa e dizem: vocês
estão errados!", afirmou. Fernandes acredita que a geração
da Internet firma uma postura mais crítica com relação
aos veículos de comunicação. "Nem minha filha
de 9 anos acredita na grande mídia", brincou.
Fernandes
percebe que essa grande mídia usa artifícios para
garantir seu domínio e conter a influência da rede.
Ele lembrou que a tendência na cobertura de Internet
nos jornais sempre privilegia escândalos. "Sabe o que dá
manchete? Sites de neonazismo, pedofilia, terrorismo. A Internet
está no gueto do caderno de Informática", denunciou.
Manoel Fernandes afirmou que os donos
dos meios de comunicação querem matar as utopias.
"O sentimento revolucionário leva ao debate, leva as pessoas
a pensarem. O mercado amansa a rebeldia", disse. Para exemplificar
o caso de transferência de utopia, lembrou que, para
muitos, um grande objetivo de vida é ganhar o prêmio
do Big Brother. "Não podemos deixar o sonho morrer,
não podemos vender nossos sonhos", desafiou. Para ele, a
pergunta que todo jornalista deve fazer ao redigir uma matéria
é: será que vou transformar pelo menos uma pessoa?
Fernandes acredita que é possível
realizar coberturas jornalísticas de fatos graves sem apelar
para o sensacionalismo, sem transformar a tragédia em espetáculo.
Para ele, divulgar diariamente aqueles mesmos crimes de sempre é
jornalismo inútil. "Violência todo dia, todo dia, todo
dia, gera cinismo. Usar tragédias humanas para distrair é
como se eu trouxesse aqui um cara sem braços e dissesse olha
que engraçado!", provocou. Fernandes defende que os esforços
da imprensa deveriam ser orientados em outro sentido. "No caso da
violência urbana, reportagens sobre a segurança na
cidade, por exemplo, seria o ideal", disse.
Outra proposta defendida é que
a imprensa procure sempre imagens positivas, criativas, mesmo quando
o assunto é a violência. Ele lembrou o caso de um editor
que escolheu fotos de crianças sorrindo para ilustrar uma
reportagem de guerra. "Se até em uma catástrofe é
possível encontrar uma criança feliz, então
ainda há esperança", argumenta.
Ele admitiu que, se esses programas
de TV que exploram a violência fazem tanto "sucesso", é
porque os espectadores têm, de fato, certa curiosidade mórbida.
"Mas se o público gosta de coisas mórbidas, gosta
também de coisas belas. Porque, então, escolher o
lado ruim? Se nós brasileiros somos tão amorosos,
por que investir na canalhice?", perguntou.
O coordenador do Mídia da Paz
acredita que a profissão do comunicador é uma causa
acima de tudo. Ele lembrou que cada jornalista e publicitário
deve ter noção de sua responsabilidade em transformar
a sociedade. "Não dá para ser um produtor de mídia
se não vibrar, se não tiver paixão. Todos devemos
manter a chama da utopia e acreditar que é possível
fazer uma mídia mais fraterna", concluiu.
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A rede
da utopia
Para Fernandes, comunicação
intensa na Internet tirou o sossego das grandes mídias
Blog
Blog
é um tipo de página pessoal com formatação
pré-programado, de forma que é muito fácil
elaborá-la. As informações são
enviadas através de um formulário semelhante
aos de e-mail, e pronto a página está
feita! Não é necessário, portanto, conhecimentos
avançados para disponibilizar um blog. Essa
característica popularizou imensamente esse estilo
de participar da comunidade virtual. O blogueiro pode
fazer de sua página um diário, um caderno de
reflexões ou pensamentos aleatórios as
chamadas ego-trips (viagens de ego), ou o que quiser.
Há diversos sites onde o internauta pode fazer seu
blog. Um dos mais populares é o http://www.blogger.com.
ICQ
ICQ é
um programa de comunicação instantânea
que tornou-se sinônimo de bate-papo virtual. Possibilita
o recebimento, envio e armazenagem de mensagens, assim como
a "conversa" instantânea com várias
pessoas ao mesmo tempo. O internauta registra um número
de "endereço" e pode marcar encontros, reuniões
e discussões em horários combinados. A comunidade
dos usuários dispões de ferramenta de busca
e ícones que informam se a pessoa procurada está
conectada no momento, ou não. O endereço para
baixar o programa é http://www.icq.com
Lista
de discussão
Um dos hábitos
mais antigos da Internet, as listas de discussões são
o que o nome indica.: os internautas cadastram-se em sites
de interesse para receber, periodicamente, mensagens de outras
pessoas que compartilham a afinidade pelo tema. Muito popular
entre a comunidade acadêmica, uma lista de discussão
pode ser bastante útil para a troca de novidades sobre
uma determinada área do conhecimento. (A.A.)
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