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Matéria publicada no Revelação (jornal-laboratório do curso de Comunicação Social da Universidade de Uberaba) n. 212, em 17 de junho de 2002

andre.azevedo@uniube.br

 


Profissionais assumem compromisso de construir uma cultura de paz nos meios de comunicação

foto: Leonardo Boloni

Manoel Fernandes Filho, um dos coordenadores do movimento Mídia da Paz, conversou com estudantes de Comunicação Social

André Azevedo da Fonseca

O movimento Mídia da Paz (www.midiadapaz.org) é uma iniciativa de ONGs e de profissionais de comunicação que assumiram o compromisso de construir uma cultura de paz na mídia. Seu empenho consiste em incentivar o papel educativo, cultural e conscientizador dos meios de comunicação e alertar sobre a influência negativa que a mídia pode ter sobre a sociedade quando esses compromissos são desprezados.

O jornalista Manoel Fernandes Filho, um dos coordenadores do movimento e editor da revista NovaE (www.novae.inf.br) esteve na Universidade de Uberaba conversando com estudantes de Comunicação Social.

Manoel Fernandes é um entusiasta das potencialidades da Internet na democratização da informação. "A rede permite que cada um fale com cada um. As pessoas estão em conversação constante. É a força dos pequenos grupos", disse. O jornalista afirmou que os meios de comunicação tradicionais nunca mais tiveram sossego depois que esses milhões de internautas passaram a conversar, pensar e criticar nos ICQs, blogs e listas de discussões. "Com a criação da web, um monte de utópicos apaixonados conspiram, criam publicações, colocam o dedo na cara da mídia de massa e dizem: vocês estão errados!", afirmou. Fernandes acredita que a geração da Internet firma uma postura mais crítica com relação aos veículos de comunicação. "Nem minha filha de 9 anos acredita na grande mídia", brincou.

Fernandes percebe que essa grande mídia usa artifícios para garantir seu domínio e conter a influência da rede. Ele lembrou que a tendência na cobertura de Internet nos jornais sempre privilegia escândalos. "Sabe o que dá manchete? Sites de neonazismo, pedofilia, terrorismo. A Internet está no gueto do caderno de Informática", denunciou.

Manoel Fernandes afirmou que os donos dos meios de comunicação querem matar as utopias. "O sentimento revolucionário leva ao debate, leva as pessoas a pensarem. O mercado amansa a rebeldia", disse. Para exemplificar o caso de transferência de utopia, lembrou que, para muitos, um grande objetivo de vida é ganhar o prêmio do Big Brother. "Não podemos deixar o sonho morrer, não podemos vender nossos sonhos", desafiou. Para ele, a pergunta que todo jornalista deve fazer ao redigir uma matéria é: será que vou transformar pelo menos uma pessoa?

Fernandes acredita que é possível realizar coberturas jornalísticas de fatos graves sem apelar para o sensacionalismo, sem transformar a tragédia em espetáculo. Para ele, divulgar diariamente aqueles mesmos crimes de sempre é jornalismo inútil. "Violência todo dia, todo dia, todo dia, gera cinismo. Usar tragédias humanas para distrair é como se eu trouxesse aqui um cara sem braços e dissesse olha que engraçado!", provocou. Fernandes defende que os esforços da imprensa deveriam ser orientados em outro sentido. "No caso da violência urbana, reportagens sobre a segurança na cidade, por exemplo, seria o ideal", disse.

Outra proposta defendida é que a imprensa procure sempre imagens positivas, criativas, mesmo quando o assunto é a violência. Ele lembrou o caso de um editor que escolheu fotos de crianças sorrindo para ilustrar uma reportagem de guerra. "Se até em uma catástrofe é possível encontrar uma criança feliz, então ainda há esperança", argumenta.

Ele admitiu que, se esses programas de TV que exploram a violência fazem tanto "sucesso", é porque os espectadores têm, de fato, certa curiosidade mórbida. "Mas se o público gosta de coisas mórbidas, gosta também de coisas belas. Porque, então, escolher o lado ruim? Se nós brasileiros somos tão amorosos, por que investir na canalhice?", perguntou.

O coordenador do Mídia da Paz acredita que a profissão do comunicador é uma causa acima de tudo. Ele lembrou que cada jornalista e publicitário deve ter noção de sua responsabilidade em transformar a sociedade. "Não dá para ser um produtor de mídia se não vibrar, se não tiver paixão. Todos devemos manter a chama da utopia e acreditar que é possível fazer uma mídia mais fraterna", concluiu.

A rede da utopia
Para Fernandes, comunicação intensa na Internet tirou o sossego das grandes mídias

Blog
Blog é um tipo de página pessoal com formatação pré-programado, de forma que é muito fácil elaborá-la. As informações são enviadas através de um formulário semelhante aos de e-mail, e pronto — a página está feita! Não é necessário, portanto, conhecimentos avançados para disponibilizar um blog. Essa característica popularizou imensamente esse estilo de participar da comunidade virtual. O blogueiro pode fazer de sua página um diário, um caderno de reflexões ou pensamentos aleatórios — as chamadas ego-trips (viagens de ego), ou o que quiser. Há diversos sites onde o internauta pode fazer seu blog. Um dos mais populares é o http://www.blogger.com.

ICQ
ICQ é um programa de comunicação instantânea que tornou-se sinônimo de bate-papo virtual. Possibilita o recebimento, envio e armazenagem de mensagens, assim como a "conversa" instantânea com várias pessoas ao mesmo tempo. O internauta registra um número de "endereço" e pode marcar encontros, reuniões e discussões em horários combinados. A comunidade dos usuários dispões de ferramenta de busca e ícones que informam se a pessoa procurada está conectada no momento, ou não. O endereço para baixar o programa é http://www.icq.com

Lista de discussão
Um dos hábitos mais antigos da Internet, as listas de discussões são o que o nome indica.: os internautas cadastram-se em sites de interesse para receber, periodicamente, mensagens de outras pessoas que compartilham a afinidade pelo tema. Muito popular entre a comunidade acadêmica, uma lista de discussão pode ser bastante útil para a troca de novidades sobre uma determinada área do conhecimento. (A.A.)

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