Nós,
os signatários, estamos preocupados com a maneira pela
qual a informação flui e pela forma em que os
significados são produzidos em nossa sociedade.
NÓS
PERDEMOS CONFIANÇA no que estamos vendo, ouvindo
e lendo: muito entretenimento e pouca informação;
muitos veículos dizendo as mesmas histórias;
muito mercantilismo e muito marketing. Todo dia, esse sistema
comercial de informação distorce nossa visão
de mundo.
NÓS
PERDEMOS A FÉ nas instituições da mídia
de massa. Um punhado de corporações hoje controlam
mais da metade das redes de informação ao
redor do planeta. Em uma era em que pessoas pelo mundo encaram
a fome, os distúrbios sociais, a guerra e os colapsos
ecológicos, apenas aqueles que impõem as regras
do jogo ou estão dispostos a pagar milhões
de dólares estão conseguindo difundir suas
mensagens.
NÓS
PERDEMOS A ESPERANÇA que as agências nacionais
reguladoras de mídia vão agir pelo interesse
público. Regulamentações essenciais
limitando propriedade e concentração das mídias
estão sendo abandonadas, enquanto regras protegendo
acesso e conteúdos locais são diluídos.
NÓS
PERDEMOS A PACIÊNCIA esperando por reforma.
NÓS
IMAGINAMOS UM SISTEMA DIFERENTE uma democracia midiática.
Nós vemos grandes promessas nas comunicações
abertas da Internet e queremos que essa abertura seja expandida
para todas as formas de mídia. Nós vislumbramos
um sistema global de comunicações que tem
em seus fundamentos a participação direta
e democrática dos cidadãos. Para este fim,
nós exigimos a gradual transferência de recursos
chaves da mídia de volta ao povo.
Para
começar, nós exigimos o direito de comprar
tempo publicitário em rádios e televisões
sob as mesmas regras e condições das agências
publicitárias. Nós sugerimos às agências
reguladoras da mídia que estabeleçam dois
minutos para cada hora de programação para
a veiculação de mensagens voltadas à
cidadania. Nós queremos que as seis maiores corporações
de mídia no planeta sejam desmembradas em unidades
menores.
O
que afinal buscamos é um novo direito humano para
a nossa era da informação, um direito que
intercale a liberdade de expressão com o direito
de acesso às mídias. Este novo direito humano
é: O Direito de Comunicar-se.
PELA
PRESENTE LANÇAMOS UM MOVIMENTO para sacralizar o
Direito de Comunicar-se nas constituições
de todas as nações livres e na Declaração
Universal dos Direitos Humanos.