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Matéria publicada no Revelação (jornal-laboratório do curso de Comunicação Social da Universidade de Uberaba) n. 282, em 20 de abril de 2004

andre.azevedo@uniube.br

 

 

Carta à mídia exige acesso aos meios de comunicação
Ativistas do MediaCarta alertam sobre controle da informação por "um punhado de corporações"

André Azevedo da Fonseca

A Adbusters Media Foundation é uma rede global de intelectuais que realizam formas criativas de ativismo para promover a crítica da cultura de massa. A fundação publica uma revista sediada em Vancouver (Canadá) e oferece serviços através de publicidade através da agência PowerShift. Para os ativistas, ao incentivar que milhões de pessoas deixem os monitores escuros, além de promover a saúde pública a campanha Semana da TV Desligada contribuirá na construção do movimento Media Carta (Carta à Mídia), chamada de "a batalha dos direitos humanos da era da informação".

"Menos e menos pessoas controlam a mídia e moldam nossa visão de mundo. E nenhum veículo joga mais pesado que as nossas televisões, onde a agenda das corporações reina de forma suprema." Eles querem que o movimento Carta à Mídia contribuia para pressionar conglomerados e sobretudo legisladores para que seja garantido a todos os cidadãos o direito de pleno e livre acesso na tomada de decisões nos veículos de comunicação. Veja a seguir a íntegra do texto:

Carta à Mídia
Conheça a mídia. Mude a mídia. Seja a mídia.


Nós, os signatários, estamos preocupados com a maneira pela qual a informação flui e pela forma em que os significados são produzidos em nossa sociedade.

NÓS PERDEMOS CONFIANÇA no que estamos vendo, ouvindo e lendo: muito entretenimento e pouca informação; muitos veículos dizendo as mesmas histórias; muito mercantilismo e muito marketing. Todo dia, esse sistema comercial de informação distorce nossa visão de mundo.

NÓS PERDEMOS A FÉ nas instituições da mídia de massa. Um punhado de corporações hoje controlam mais da metade das redes de informação ao redor do planeta. Em uma era em que pessoas pelo mundo encaram a fome, os distúrbios sociais, a guerra e os colapsos ecológicos, apenas aqueles que impõem as regras do jogo ou estão dispostos a pagar milhões de dólares estão conseguindo difundir suas mensagens.

NÓS PERDEMOS A ESPERANÇA que as agências nacionais reguladoras de mídia vão agir pelo interesse público. Regulamentações essenciais limitando propriedade e concentração das mídias estão sendo abandonadas, enquanto regras protegendo acesso e conteúdos locais são diluídos.

NÓS PERDEMOS A PACIÊNCIA esperando por reforma.

NÓS IMAGINAMOS UM SISTEMA DIFERENTE — uma democracia midiática. Nós vemos grandes promessas nas comunicações abertas da Internet e queremos que essa abertura seja expandida para todas as formas de mídia. Nós vislumbramos um sistema global de comunicações que tem em seus fundamentos a participação direta e democrática dos cidadãos. Para este fim, nós exigimos a gradual transferência de recursos chaves da mídia de volta ao povo.

Para começar, nós exigimos o direito de comprar tempo publicitário em rádios e televisões sob as mesmas regras e condições das agências publicitárias. Nós sugerimos às agências reguladoras da mídia que estabeleçam dois minutos para cada hora de programação para a veiculação de mensagens voltadas à cidadania. Nós queremos que as seis maiores corporações de mídia no planeta sejam desmembradas em unidades menores.

O que afinal buscamos é um novo direito humano para a nossa era da informação, um direito que intercale a liberdade de expressão com o direito de acesso às mídias. Este novo direito humano é: O Direito de Comunicar-se.

PELA PRESENTE LANÇAMOS UM MOVIMENTO para sacralizar o Direito de Comunicar-se nas constituições de todas as nações livres e na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Tradução: André Azevedo da Fonseca
Subscreva a Carta da Mídia
no sítio www.mediacarta.org

Se preferir, baixe o arquivo em PDF

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