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Folia foi
uma das atividades no aniversário de Nova Santo Inácio
Ranchinho

Foliões
ensaiam à tarde na casa de Antônio Munhoz
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André
Azevedo
"Aqui,
graças a Deus, a turma está comendo desde cedo. Chega
um e come, chega outro e come...", disse Antônio Munhoz,
onze filhos, mais de trinta netos e alguns bisnetos. Em sua casa,
o grupo de Folia de Reis "Os Filhos da Benção"
ensaiava para a procissão da noite de 18 de maio.
O dia todo era
de festa. Os moradores da comunidade Nova Santo Inácio Ranchi-nho,
localizada no município de Campo Florido (MG), comemoravam,
na véspera, os nove anos de assentamento com um grande churrasco
comunitário. Munhoz acompanhou o lento processo de desapropriação,
assim como a acomodação das 115 famílias a
partir de 1993. "Ficamos todos, com as mulheres e os meninos,
três anos e meio debaixo de lona", lembra. Hoje, quase
todas as casas têm energia elétrica e boa parte delas
é abastecida com rede de água. O assentamento conta
também com uma escola ligada ao projeto Escola Família
Agrícola (EFA).

José
Messias e o filho Israel: "A folia é uma tradição
da família. Meu avô passou para o meu pai e ele
passou para mim. Meu filho já está aprendendo"
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José
Ferreira dos Santos, conhecido como José Messias, é
violeiro e mestre da folia. "A procissão no aniversário
era uma intenção que a gente tinha desde a beira da
rodovia", conta. Por causa de diversos problemas enfrentados
nos primeiros anos de assentamento, somente em 1996 conseguiram
reorganizar o grupo para a comemoração. "A folia
é tradição na família. Meu avô
passou para o meu pai e ele passou para mim. Meu filho o
Israel, de doze anos já está aprendendo",
entusiasma-se.
José
Francisco Ribeiro, o Zé Melé, é uma figura
muito popular e querida na comunidade. Apresentado como o amigo
mais brincalhão, há trinta anos é companheiro
de folia de José Messias. Já participou como palhaço
e hoje, aos 68 anos, toca pandeiro. "Quero ver essa cara pretinha
no jornal", disse ao posar para a foto.

Zé
Melé: "Quero ver essa
cara pretinha no jornal" |
Natal Martins,
o Natalino, é folião há mais de vinte anos.
"Eu era só o escrivão, anotava as prendas, essas
coisas. Um dia o contramestre ficou rouco, fui chamado no repente...
e cantei assim meio com vergonha mas saiu", diz.
Tornou-se então o contramestre de José Messias e o
acompanhou por doze anos cantando e tocando viola. Mais tarde Natalino
seria mestre em seu próprio grupo, a companhia 25 de Dezembro.
Seu filho, Márcio José, é integrante do grupo
e toca cavaquinho. Natalino foi convidado especialmente para participar
da procissão no aniversário do assentamento.
Um líder
político na folia
Como é
sabido, o termo sofisticado deriva de sofística.
Platão era um grande inimigo dos sofistas. Considerava-os
enganadores, imitadores de filósofos. A prática do
sofisma caracteriza-se por raciocínios escorregadios que
induzem a uma "verdade" puramente ornamental. Lourival
é um dos principais líderes do assentamento. De raciocínio
claro e bem articulado, não é um homem sofisticado,
assim como não são sofisticados o Antônio Munhoz,
o José Messias, o Zé Melé, o Natalino, ou os
outros amigos de Nova Santo Inácio Ranchinho. Não
é preciso se perder em emaranhados de análises para
decifrá-los; descobre-se claramente suas intenções
a partir do que eles mesmos dizem

Lourival
e Anísio (esq.) tocaram violão. Clarice Rosa foi
a bandeireira. Os palhaços foram Eurípedes Dias
e Aparecida Martins. Aparecida subsituia Benedito Galante, que
estava "entrevado" |
Requisitado
a todo momento, Lourival é chamado para ajudar a resolver
quase todo tipo de assunto na comunidade. Mas o líder político
fica para outra reportagem. Aqui, Lourival é um dos foliões
e toca violão com os Filhos da Benção.
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