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Um dos importantes
patrimônios históricos da cidade está encoberto
por cartazes sujos

Casas históricas
deterioradas, desfiguradas ou obstruídas escondem fragmentos
de narrativas populares
André Azevedo da Fonseca
Na praça Rui Barbosa, coração
de Uberaba, apodrece lentamente, aos olhos de todos, uma das casas
históricas mais importantes da cidade. Construída
em 1889, foi a terceira edificação inteiramente feita
de tijolos no município. Anteriormente, as casas eram de
pau-a-pique, ripa e barro, recobertas com uma argamassa de areia
e estrume de vaca. Chegaram a dizer, na época, que as casas
de Uberaba não passavam de "feias arapucas" escreveu
o historiador Hidelbrando Pontes. Foi só com a chegada da
estrada de ferro que os imigrantes, arquitetos e construtores trouxeram
técnicas usadas na Europa, impulsionando a modernização
da cidade.
O
primeiro proprietário dessa casa foi Tobias Rosa, dono do
maior jornal da cidade na época, a Gazeta de Uberaba, fundado
em 1876 antes mesmo do Lavoura & Comércio. A memória
popular registra que Tobias Rosa, jogador compulsivo, em certa ocasião
apostou e perdeu a mansão em um jogo de cartas. Seu sogro,
João Machado Quincas Borges um dos organizadores da
primeira exposição de Zebu de Uberaba decidiu,
mais tarde, comprá-la.
A
mansão cuja beleza de estilo eclético é de
encher a alma foi palco e testemunha de movimentos importantes na
história da cidade. Chegou a sofrer diversas reformas
algumas criticadas por historiadores e arquitetos da cidade. Entretanto,
hoje está lamentavelmente abandonada. Um dos mais encantadores
patrimônios históricos e culturais de Uberaba está
encoberto por cartazes sujos e rasgados, esconde-se envergonhado
atrás de placas publicitárias e pontos de ônibus.
Suas fachadas enegrecidas, sua pintura descascada e o cheiro de
mofo que exala das janelas são uma verdadeira ofensa aos
freqüentadores da região central.
Conhecer
a casa por dentro é uma experiência que inspira profunda
perplexidade pelo inexplicável desamparo. Ao andar pela casa,
o pensamento que vêm à cabeça é: não
é possível que isso acontece! Uma casa enorme, no
centro de Uberaba, completamente abandonada! As portas dos fundos
estão arrombadas. Quartos, salas e corredores, imundos. As
tábuas do piso exalam vapores de urina misturado à
poeira. Há vidros quebrados e fios de instalação
elétrica por toda a parte. Uma escada em espiral de madeira,
toda suja de terra, dá para o segundo piso do sobrado. As
janelas, em sua maioria, estão permanentemente destrancadas
e ficam batendo dia e noite com o vento. As madeiras dos batentes
estão podres e infestadas de cupim. Um adesivo de uma empresa
afixado na janela informa que a casa foi dedetizada em setembro
de 1993. Em um dos quartos, lâmpadas de luz fria estão
espatifadas no chão. O tapete rasgado deixa à mostra
o piso de tacos infestado de musgo. A desolação dos
cômodos e corredores é total, chega a ser agressiva.
Nem fantasmas habitam essa casa. Há alguns anos a prefeitura
chegou a alugar a mansão e instalou alguns serviços
públicos entre eles a Fundação Cultural.
Mas desde meados da década de noventa está deserta.
Ninguém sabe direito há quanto tempo está abandonada.
Os comerciantes ao lado divergem, uns falam em três ou quatro
anos, outros em sete ou oito. A casa está literalmente largada
às traças e, como se tratasse de um cálculo
matemático ou econômico, deteriora-se com uma velocidade
que inspira demolição.
A
antiga casa de Tobias Rosa é de propriedade privada. Atualmente,
a área dos fundos é aproveitada como estacionamento.
Fanney Humberto Fatureto, 18, cuida do negócio. "As portas
dos fundos ficam abertas. Às vezes um mendigo ou outro entra
e passa a noite aí. A dona quer vender, mas como é
tombado, não pode demolir e nem reformar, então ninguém
quer comprar", diz. Quando perguntado se pretende alugar a casa,
responde: alugar pra quê
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