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Patrimônio
Mundial
Cidade
é documento histórico
Carta de Washington propaga noção
de que toda cidade é histórica. Edificações
são como páginas em um livro aberto
André
Azevedo

Placas,
letreiros, cartazes, pintura e reformas inadequadas descaracterizaram
casarão localizado na rua Arthur Machado. Revitalização
histórica poderia ser um atrativo para os pontos comerciais
lá instalados |
André
Azevedo da Fonseca
O Conselho Internacional da Monumentos e Sítios (Icomos)
redigiu, em 1986, na cidade de Washington (EUA), a Carta Internacional
para a Salvaguarda das Cidades Históricas, ou Carta
de Washington. Neste documento, o Icomos traz definições
muito importantes para compreender a questão do patrimônio
cultural em uma sociedade.
"Resultantes
de um desenvolvimento mais ou menos espontâneo ou de um projeto
deliberado, todas as cidades do mundo são expressões
materiais da diversidade das sociedades através da história
e são todas, por essa razão, históricas",
registra. Isso significa que não tem mais sentido dizer que
apenas este ou aquele município é considerado "cidade
histórica", pois todas as cidades são históricas,
na medida em que todas se desenvolveram a partir da ação
humana e todas deixaram um legado para a posteridade.
A
idéia da cidade como documento histórico é
uma decorrência desta noção. Cada edificação
exprime os valores de determinada época. É possível
"ler" na arquitetura das casas informações
capazes de decifrar o estado de espírito do tempo em que
foram construídas. Portanto, essas edificações
na paisagem da cidade são como páginas em um livro
aberto, cuja função é, entre outras, fazer
com que os habitantes percebam, em seu cotidiano, que são
sujeitos históricos.
A
carta registra ainda que, atualmente, muitas dessas casas/documentos
históricos "estão sendo ameaçadas de degradação,
de deterioração e até mesmo de destruição
sob o efeito de um tipo de urbanização nascido na
era industrial e que hoje atinge universalmente todas as sociedades".
O texto define princípios e métodos de ação
para garantir a qualidade das cidades históricas e perpetuar
o conjunto de bens que, "mesmo modestos, constituem a memória
da humanidade".
Princípios
e objetivos
A
carta recomenda que a salvaguarda das cidades e bairros históricos
deve ser parte essencial de uma "política coerente de
desenvolvimento econômico e social", capaz de promover
a adaptação harmoniosa desses conjuntos de edificações
históricas à vida contemporânea. As ameaças
que possam comprometer a autenticidade do caráter histórico
da cidade devem ser combatidas. "A participação
e o comprometimento dos habitantes da cidade são indispensáveis
ao êxito da salvaguarda e devem ser estimulados". A carta
assinala que não se deve esquecer que a preservação
do patrimônio cultural "diz respeito primeiramente a
seus habitantes".
Para
assegurar a participação e o envolvimento dos habitantes,
a carta recomenda que sejam efetuados programas de informação
e educação ainda nos primeiros anos escolares. Para
o Icomos, é fundamental o estímulo às pesquisas
urbanas e incentivo à divulgação do resultados
para um melhor conhecimento do passado das cidades.
O
Icomos esclarece que um dos objetivos fundamentais da salvaguarda
é a melhoria do habitat humano. Escreve que as novas construções
e acréscimos devem respeitar a organização
espacial existente na cidade. "A introdução de
elementos de caráter contemporâneo, desde que não
perturbe a harmonia do conjunto, pode contribuir para o seu enriquecimento".
Este
documento também orienta que "a circulação
de veículos deve ser estritamente regulamentada" e as
áreas de estacionamento devem ser "planejadas de maneira
que não degradem seu aspecto nem o do seu entorno".
Além disso, diz que o poder público deve favorecer
a ação de associações de preservação
e tomar "medidas de caráter financeiro para assegurar
a conservação e a restauração das edificações
existentes".
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