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Memória
Netos
falam do avô
Para
João Francisco Naves Junqueira e Naná Rodrigues da
Cunha, "vô Tonico" não foi mascate, mas comerciante
de gado
André
Azevedo da Fonseca
André
Azevedo

João
Francisco e Naná contaram que Naves veio a Uberaba para
educar os filhos |
O
médico João Francisco Naves Junqueira, e a estilista
Naná Naves Rodrigues da Cunha, netos de Antônio Pedro
Naves, concederam uma entrevista ao repórter na tarde
de 14 de abril, no atelier de Naná, localizado no grande
Hotel de Uberaba. Segundo eles, o "vô Tonico" veio
de Iraí de Minas para Uberaba porque preocupava-se em encontrar
um lugar melhor para educar os filhos. Rasma e Stellita acabaram
por estudar no Sion colégio das Freiras Dominicanas
em Campanha, no sul de Minas. Dagoberto e Alaor estudaram
em colégio Jesuíta, em Friburgo.
A
reportagem apurou que, assim como Uberaba, Iraí de Minas
também originou-se com as expedições à
procura de jazidas minerais. De acordo com dados da Secretaria de
Cultura de Minas Gerais, a descoberta do diamante Estrela do
Sul, em 1852, provocou a chegada de muitos garimpeiros, dando
origem ao povoado de Espírito Santo do Cemitério.
Em 1909 o lugarejo passou a se chamar Iraí, palavra de origem
tupi que significa "rio de mel". Em 1943 passou a chamar-se
Bagagem, em referência ao rio em cujas margens foi instalado
o primeiro povoado. O nome atual só foi definido em 1953.
Iraí de Minas foi distrito de Monte Carmelo e, em dezembro
de 1962, foi elevado à categoria de município.
De
acordo com os netos, o velho Naves possuía duas fazendas:
Baguaçu e Santa Helena. Eles não se lembram da fazenda
Marimbondo, citada na pesquisa do dossiê de tombamento. Eles
também afirmam que Naves não foi mascate, mas comerciante.
"O vovô, quando veio pra cá, comprou a fazenda
e se dedicou ao comércio. Ele comprava, engordava, criava,
era um comerciante de gado. Ele não era mascate, ele
não saía pra vender. Tinha fazenda, tinha seu gado
próprio e comercializava", afirmou João Francisco
Naves.
Naná
confirmou a história. "Ele tinha uma vida muito confortável,
muito acomodada, tinha carro. Ele ficava mais em casa, recebendo
os amigos, porque Uberaba era pequena naquela época, então
todo mundo ia pra lá. As meninas faziam saraus, essas coisas".
No
entanto, o presidente do conselho curador da Fundação
Museu do Zebu, Márcio Cruvinel Borges, confirma os dados
da pesquisa do tombamento. Márcio mostrou que Antônio
Pedro Naves inclusive está listado no livro Cem anos de
mascates, editado pelo Museu do Zebu. É provável
que Naves tenha começado a vida como mascate, depois comprou
terras e tornou-se criador.
Em
relação à casa, Naná brinca que gostaria
de ter ganho na loto para poder comprá-la. Ela disse que,
quando Borsoi e a esposa Janete Costa famosos arquitetos
brasileiros estiveram em Uberaba, Janete chegou a afirmar
que, no Brasil, em termos de estilo, "tinha visto poucas casas
tão perfeitas e com um material tão maravilhoso como
o palacete". Naná lamentou a demolição,
dizendo que aquela casa era muito importante. "Mesmo para Uberaba
naquela época, ela fazia um sucesso muito grande." Segundo
ela, todo o material era importado, especialmente da França
e Portugal. "As portas eram todas de pinho de riga, todas!".
Nenhum
dos dois encontrou fotos do avô nos arquivos da família.
"Quando vovô morreu eu tinha uns 10 anos", explica
João Naves.
André
Azevedo

De acordo
com os netos, antes de construir o palacete, Antonio Pedro Naves
morou nesta casa onde hoje está instalado o bar Archimedes.
Adelino Pagani Filho, o Piola, um dos atuais proprietários,
conta que Archimedes Geraldo de Almeira comprou a casa de Paulo
Finhold em 1950 para montar o bar, que funciona desde então.
Os donos mantiveram as características originais da fachada.
"Eu nem penso em mexer em nada. A casa tem 100 anos e continua
firme. Aposto que é mais firme que muito prédio
novo da Leopoldino de Oliveira", desafia Piola.
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