
Exercício estimulou busca de
soluções criativas para tornar a mensagem convincente
André Azevedo
da Fonseca
Alunos do 1º período
do Curso de Comunicação Social, orientados pela professora
Janete Tranqüila, realizaram um exercício de argumentação
que estimulou a criatividade e colocou em cheque a "lábia"
de cada um. O desafio era escrever um texto condenando ou defendendo
o uso de cigarros, mas sem que fossem utilizadas as palavras "fumar
- cigarro - nicotina - hálito - prazer - acender - maço
- tragada - sabor". O que estava em jogo não era, necessariamente,
a opinião pessoal. Um não-fumante poderia, se quisesse,
escrever um texto defendendo o uso de cigarros. Um dos objetivos
do trabalho foi demonstrar o poder de convencimento de uma boa argumentação,
independente das convicções de cada um. Essa descoberta
serviu para aguçar o espírito crítico diante
do charme aparentemente neutro da propaganda. Além disso,
foi demonstrado, na prática, que é possível
fazer acrobacias no vocabulário para evitar o uso de certos
termos, sem comprometer a eficiência da mensagem.
A maioria esmagadora
preferiu condenar o cigarro inclusive os fumantes. Muitos
trabalhos ofereceram soluções criativas para o desafio,
outros caíram no lugar-comum das tradicionais campanhas anti-tabagistas.
A professora Janete selecionou dois textos, um contra e outro a
favor, que se destacaram na apresentação. São
os seguintes:
|
Receita para mudar de vida
Gelza
Lima
Inicialmente,
pegue tudo que emporcalhe o ar e coloque no lixo. Na sua cabeça,
ponha uma pitada de bom-senso com uma porção
de coragem e só um pouquinho de inteligência
é suficiente. Mexa até o ponto de reflexão
e adicione um pouco de força de vontade. Em seguida,
quebre o estresse rotineiro numa vasilha e deixe descansar
o seu organismo. No liquidificador bata palmas pela bela atitude
e, para a cobertura, substitua aquele fumaceiro por ar puro.
Quando estiver pronto, você
vai começar a sentir um aroma irresistível por
toda a casa.
E para provar
que você realmente mudou depois desta "dica culinária",
aprove esta frase: De Maria Fumaça, basta aquela
geringonça lá do interior!"
|
Meu único Amigo
Antônio
Marcos
Quando estive
sozinho, foi em ti primeiramente que pensei.
Você me apoiou na
minha vida, nos melhores e piores momentos.
Você nunca me abandonou;
então, por que iria te abandonar, se os minutos que
gastei contigo serviram para aliviar uma noite de dor ou solidão?
Como posso te abandonar
se a fumaça que entra e invade meu peito leva toda
a dor e angústia que aqui queima?
Oh meu amigo,
me desculpe se um dia pensei em te abandonar, pois dos amigos
que tive, você foi, nas noites de solidão, a
quem fui apelar.
Pois os onze minutos de
vida que me cobraste compensaram todas as noites solitárias
e maldormidas, todos os amores mal resolvidos.
Então, para todos
que não tragam, não me respondam com propagandas
e campanhas. Só peço que, nas noites frias e
solitárias, venham me fazer companhia.
|
pág.
1 de 1
| página
principal |
|
 |
|
|