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Iniciativa pretende enterrar de vez a
tradição estúpida do "trote"
felizmente proibida no Campus e despertar uma nova tradição
André
Azevedo da Fonseca
As atividades de recepção
aos alunos calouros e veteranos são uma grande
oportunidade para despertar o espírito de cidadania e responsabilidade
social nos futuros profissionais. Algumas iniciativas de "calouradas
solidárias" foram realizadas nos últimos anos
como alternativa aos trotes tradicionais lamentavelmente
associado a abusos e hostilidades. Entretanto, o caráter
eminentemente assistencialista dessas ações (doação
de roupas, alimentos, etc) ainda não foi capaz de mobilizar
e integrar os estudantes, pois não há vinculação
direta entre as habilidades dos cursos e as atividades propostas.
Além disso, o assistencialismo puro e simples deve ser visto
com ressalvas, pois essas ações, ainda que bem-intencionadas,
devem ser emergenciais e de curto prazo; caso contrário,
correm o risco de gerar uma dependência inviável que,
além de não resolver o problema essencial, desestimulam
as comunidades a criar, elas mesmas, de acordo com sua história
e seu contexto, soluções permanentes.
Há ainda outro problema.
Ao centrar os esforços no assistencialismo, a universidade
corre o risco de deixar de cumprir seu papel fundamental perante
a sociedade, que é estudar os problemas, desenvolver pesquisas,
produzir conhecimento e oferecer soluções que garantam
a conquista e a continuidade do exercício da cidadania.
Neste sentido, um novo conceito
de "trote" pode ser gradualmente implantado pelos cursos:
a Atitude Cidadã. De acordo com suas habilidades, dentro
de suas atribuições, calouros e veteranos podem agir
juntos para orientar creches, asilos, escolas e entidades carentes
em procedimentos básicos que necessariamente farão
parte do universo de suas profissões. Muitas necessidades
fundamentais, como instruções de higiene, cuidados
na alimentação e prevenção de doenças
epidêmicas, podem ser feitos com eficiência por alunos
que terminaram de cursar o 2º grau acompanhados de veteranos
da área de Saúde, por exemplo. Estudantes de Direito
podem levar seus calouros a visitar entidades que necessitem de
orientações jurídicas básicas; alunos
de Comunicação Social podem editar, revisar e produzir
um informativo feito por veteranos e calouros sobre problemas e
soluções de uma associação de bairro;
estudantes de Pedagogia podem, acompanhados dos novos colegas, sugerir
atividades em creches e escolas; os exemplos seria infindáveis.
Diretores de curso, professores
e estudantes podem iniciar esse projeto ainda nesta calourada, sugerindo
aos DAs dos cursos que tomem a iniciativa na visita dessas entidades,
para então estudar suas necessidades e, junto aos calouros
voluntários, realizar o "trote". Esse tipo de ação
social, ainda que restrito a conhecimentos básicos da competência
de cada curso, é muito importante para associações
que com freqüência estão carentes justamente do
básico. O exercício de responsabilidade social, associado
às atividades de calourada, respeita as vocações
profissionais, cria a possibilidade de intervenção
social, estimula desde os primeiros momentos o nascimento do profissional-cidadão,
insere o aluno no universo de seu curso, além de contribuir
com soluções de longo prazo para problemas fundamentais
da comunidade. Muitos cursos já realizam projetos sociais
de relevância no decorrer do ano. O que o Atitude Cidadã
sugere é envolver o calouro nessas atividades desde seus
primeiros momentos na Universidade. Esse envolvimento é uma
iniciativa importante para enterrar de uma vez por todas a tradição
estúpida do "trote" felizmente proibida
dentro do Campus e plantar as sementes de uma nova tradição
de calourada que incentive a participação social,
a solidariedade e a consciência do papel dos futuros profissionais
na comunidade.
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