# Informações gerais


Matéria publicada no Revelação (jornal-laboratório do curso de Comunicação Social da Universidade de Uberaba) n. 230, em 26 de novembro de 2002

andre.azevedo@uniube.br

Estudantes da Escola Municipal Santa Maria participaram do Desfile de Moda Ecológica. Roupas simbolizavam as cores universais de coleta seletiva: Vermelho para plásticos, azul para papel, amarelo para metal e verde para vidros

Ecologia e paz
A Escola Municipal Monteiro Lobato ocupou um pavilhão inteiro para exibir a VI Feira Interdisciplinar de Conhecimento. Diversos estandes foram montados para estimular a discussão sobre biodiversidade, água, cidadania, ética, preservação ambiental, lixo reciclado e lixo seletivo.

Maria Cristina Rossi, supervisora e vice-diretora da escola, disse que a idéia do trabalho é conscientizar os estudantes sobre as formas de proteção ao meio ambiente, argumentando que a destruição não leva à paz. Lílian José de Souza, supervisora da escola, lembrou que a destruição provoca desarmonia na sociedade. "A gente tenta fazer com que as crianças percebam que através da natureza é que obtemos nosso sustento, tiramos nosso trabalho. A destruição faz com que todos saiam da terra e venham para as cidades, que já estão saturadas", disse.

A Escola Estadual Professora Corina de Oliveira, e a Escola Estadual Paulo José Derenusson, montaram um estande para demonstrar o Projeto de Aproveitamento de Subprodutos. Orientados por professores de Química e Geografia, estudantes utilizam-se de produtos que normalmente são desperdiçados para produzir sucos, ricota e sabão. Os alunos mostraram, no próprio pavilhão, o processo de fabricação de sabão a frio, utilizando óleo vegetal. Os estudantes distribuíram um saquinho com suco de goiaba, produzido através da reutilização do soro de leite. Além disso, visitantes foram presenteados com bloquinhos de sabão produzidos na hora.


Voluntários do projeto Lixo Mania confeccionam peças de artesanato utilizando material reaproveitável

Os professores Marcos Cesar de Oliveira e José Rafael Silva explicam que um dos objetivos desse projeto é "provar ao aluno a presença de processos químicos que, a primeira vista, podem parecer complicados e sem importância; mas que fazem parte do nosso dia-a-dia". Esse experimento reforça a idéia de que é possível explorar a reciclagem e o reaproveitamento de forma produtiva. O projeto foi recentemente premiado no 1º Fórum do Ensino Médio do Sudeste — o único do Triângulo Mineiro que conquistou premiação.

A Escola Municipal Santa Maria também participou com estandes destacando a educação ecológica. "A construção da paz ambiental passa pela atitude de reaproveitar para economizar os recursos naturais", alertavam faixas e cartazes. As estudantes Camila Mariana, 14, e Renata Couto Lima, 13, participavam na oficina de artesanato feito com materiais reciclados e reaproveitados, como papeis e caixinhas de leite. "O objetivo é conscientizar as pessoas, mostrando que é possível reutilizar recursos industrializados que iriam virar lixo e poluir o meio ambiente", afirmaram.

Na mostra de artesanato feito com produtos reaproveitados do Projeto Lixo Mania, cartazes enfatizavam os benefícios da coleta seletiva de lixo para o meio ambiente. A professora Enedina Maria Borges Silva, idealizadora do projeto, promoveu o Desfile de Moda Ecológica, evento que vem realizando desde junho deste ano. Roupas de TNT (Tecido Não-Tecido) com franjas de fita cassete, babados e recortes de revistas, bustiês bordados de pastilhas coloridas, saias de retalhos, blusas de croché com lacres de latinhas de alumínio, miçangas de flores recortadas de vasilhames plásticos e bolsas confeccionadas com anéis feitos de petche de refrigerante vestiram as modelos, adolescentes da Escola Municipal Santa Maria e as sobrinhas da professora.


Luciana Tavares Torres, 15, aluna da 8ª séria A da Escola Municipal Santa Maria, desfilou com roupas feitas com jornais

O projeto Lixo Mania foi criado em 1994. Segundo Enedina, voluntários recolhem e vendem papel, plástico, latinhas e vasilhames de refrigerante. O dinheiro arrecadado é revertido em benefício da continuação do projeto. "O objetivo é a educação e sensibilização das pessoas em relação ao meio ambiente, em uma construção amorosa da cidadania", disse. De acordo com ela, o projeto existe graças aos alunos, professores e as pessoas que acreditam que é possível fazer algo para conscientizar as pessoas, "como a Tia Cristina, a Vó Leontina e Vó Alderica, que fazem a confecção das roupas", disse.

O artista plástico Mizac Limírio apresentou, para grupos de crianças, o seu Teatro de Fantoches, feitos com vasilhames plásticos. A peça ecológica conta a história de produtos descartáveis que podem ser reutilizados.

Arte e paz
A escola Balaio de Arte realizou, entre as atividades do projeto Museu Dinâmico Contrução da Paz, um trabalho incentivando "a arte como busca de uma paz interior". O escultor Hércules Locci e o pintor Carlos Felipe ministraram oficinas de pintura com alunos da escola e de desenho com crianças. "Usamos a metodologia de desenhar com o lado direito do cérebro. O desenho é feito de cabeça pra baixo, pois, com a imagem invertida, o aluno fica mais atento à questão espacial, aos traços, e não ao lado objetivo e figurativo do desenho", explicou Elisa Carvalho, diretora da escola.

A professora Lília Almeida, do Balaio de Arte, realizou uma oficina de bordado com vagonite — uma técnica de bordar por cima do tecido. "A professora convidou um grupo de surdo-mudos, e foi ótimo! Ela conseguiu explicar o mecanismo da técnica através de gestos, apesar de não ter formação especial para trabalhar com portadores de deficiências auditivas", disse Elisa.

A Escola de Arte Dr. Odilon Fernandes promoveu oficinas de pintura à óleo e desenho artístico, de corte de cabelo, manicure, bordado à mão, tear e brolha (trabalhos com cordão), e outros cursos profissionalizantes. Dulce Fernandes, professora de pintura à óleo e vice-diretora da escola, orientava estudantes no projeto Arte pela Paz. Alunos de Educação artística da Faculdade de Educação de Uberaba (FEU) também exibiam trabalhos.

Adriana Amélia, administradora da escola, explicou para a estudante Mírian Lins, em reportagem no programa de TV Fábrica, que a sociedade precisa dessas ações positivas. Para ela, iniciativas que incentivam a profissionalização são muito importantes para a paz social, pois as pessoas têm oportunidade de encontrar formas de renda e não ficam à margem da sociedade. "Estamos felizes de ver a sociedade se mobilizando", disse.

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