# Informações gerais


Matéria publicada no Revelação (jornal-laboratório do curso de Comunicação Social da Universidade de Uberaba) n. 230, em 26 de novembro de 2002

andre.azevedo@uniube.br


Escolas e entidades apresentam propostas para a construção de um mundo mais fraterno


Crianças participam de atividades na oficina de pintura

André Azevedo da Fonseca

Na manhã e tarde de 21 de novembro, dia de Ação de Graças, centenas de estudantes, professores e representantes de instituições da cidade reuniram-se no Parque Fernando Costa para conversar e propor alternativas para a consolidação de uma cultura de paz no planeta. Eles participavam do projeto Museu Dinâmico Construção da Paz, uma iniciativa do Museu do Zebu e Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). A idéia do museu é expor e divulgar projetos que contribuem para a paz.

Durante toda a manhã foram realizadas atividades no palco, como números de dança, apresentações do coral de crianças das escolas municipais e do coral da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Simultaneamente, foram montados, nos pavilhões do parque, diversos estandes de escolas e instituições, onde eram apresentados cartazes, vídeos, maquetes e painéis divulgando as idéias e projetos destinados a fortalecer a educação para a paz, o multiculturalismo e preservação ambiental.


Estudantes reúnem-se no estande da Escola Municipal Monteiro Lobato

Márcio Cruvinel Borges, presidente do Conselho Curador do Museu, e Catarina Maria Gerolin, coordenadora de projetos, ambos idealizadores do evento, entendem que transformação cultural para a paz exige a participação de todos segmentos da sociedade. Para eles, só com o envolvimento de todos é possível proporcionar aos cidadãos "valores que ajudem a construir um mundo harmonioso, digno, com justiça social, solidariedade, liberdade e prosperidade, tendo em vista a igualdade de oportunidades". Segundo o presidente, é fundamental construir a paz a partir das crianças, "pois sabemos que estas sementes que estão sendo plantadas, certamente em terra fértil, darão bons frutos na posteridade". Segundo ele, a vantagem de trabalhar com crianças é que elas não têm vícios arraigados. "Além disso, as crianças mudam os adultos também".

Mas o que os adolescentes imaginam que é preciso fazer para construir um mundo de paz? Douglas Araújo, 11, e Diego Donizete,12, estudantes da Escola Municipal Professor Anísio Teixeira, disseram que é preciso ter mais amizade com os colegas e não brigar nas escolas. Diego criticou a imprensa, afirmando que os meios de comunicação não ajudam na construção da paz. "Porque a imprensa inventa as coisas e depois o povo vai lá tirar satisfação e sai briga. Esses dias, perto da minha casa, um homem, que eu conheço, levou uma facada. Aí a imprensa foi lá e falou que a vizinha tinha dado pinga para o homem. Mas todo mundo lá sabe que não foi nada disso", comentou Diego.

Camila Santos, 13, Grayce Kelly, 14, e Kálita Paula, 13, alunas da Escola Municipal Monteiro Lobato, disseram que, para alcançar a paz, é necessário identificar e eliminar os focos de violência em todos os lugares. "Cada pessoa tem que se conscientizar. A violência está em todos os lugares, até em casa. Quando os filhos respondem os pais, isso já é uma violência. A paz tem que começar dentro de casa, com os pais educando os filhos", disse Kálita.


Estudantes da Uniube participam do movimento Mídia da Paz, uma iniciativa de profissionais que assumiram o compromisso pela paz nos meios de comunicação
Mídia da Paz
O curso de Comunicação Social da Uniube tem como uma de suas principais propostas o engajamento dos estudantes na humanização do processo de comunicação. O curso participa do movimento Mídia da Paz (www.midiadapaz.org), uma iniciativa de profissionais que se esforçam para disseminar a cultura de paz nos meios de comunicação. Estudantes de Jornalismo e Publicidade mostraram, no pavilhão da Uniube, suas reportagens, campanhas publicitárias e vídeos que procuram incentivar a tomada de consciência sobre malefícios da mídia sangrenta, deixando claro que divulgar a paz é uma questão de opção. Foram montados quatro painéis com recortes de jornal, mostrando a exploração sensacionalista da violência pela imprensa. Para simbolizar o desejo de transformação da mídia, alunos escreveram BASTA!, com tinta vermelha. Um grupo de crianças de 2 a 6 anos, alunos do Núcleo Municipal Infantil Integração, foram convidados para desenhar temas ligados à paz.

A estudante de Jornalismo, Érika Machado, 20, participou das atividades no pavilhão do curso de Comunicação. Ela considerou importante a iniciativa, e disse que sentiu falta de maior divulgação. "A idéia de expor a paz, especialmente para crianças, é muito importante. Elas já vão crescer com essa idéia, e sabemos que é de criança que se aprende". Érika disse que, nos próximos eventos, outros cursos da universidade também deveriam participar. ‘Todos temos que ter noção de nossa responsabilidade social", afirmou.

pág. 1 de 3 - próxima

página principal