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Mestre
em Estudos do Futuro convida estudantes para pensar os meios de
comunicação como instrumentos de transformação
social

Movimento
ao futuro: "As nossas vidas tomam o rumo de nossas curiosidades"
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André Azevedo
da Fonseca
Os
meios de comunicação podem ser instrumentos para um
futuro melhor e devem contribuir para a construção
de um mundo novo através de imagens positivas. Esse tema
foi discutido por Rosa Alegria, mestre em Estudos do Futuro pela
Universidade de Houston e coordenadora do movimento Mídia
da Paz, em conversa com estudantes de Comunicação
Social, durante a Semana de Seminários da Universidade de
Uberaba.
Rosa
Alegria observou que, em geral, o conteúdo veiculado na mídia
tem se mostrado, por um lado, sobrecarregado de informações
pessimistas e, por outro, deixado de apresentar projeções
construtivas, soluções e esperança. Para ela,
essa cultura que privilegia a disseminação dos problemas
e despreza a repercussão das perspectivas favoráveis
é prejudicial para o conjunto da sociedade. "Essa capacidade
que temos de sonhar é a grande dinâmica da vida. Sociedades
que idealizam um futuro melhor são capazes de projetar o
amanhã e conseguem vencer crises, guerras, epidemias e revoluções."
Ela
acredita que a mídia está sobrecarregada de passado,
de problemas, e não tem discutido prognósticos que
superem essas crises. Como exemplo, citou aquele tipo de noticiário
econômico que se contenta unicamente em anunciar que nada
dá certo, que o país não tem jeito, que o Brasil
está permanentemente caminhando para o abismo. "Quando o
futuro vai ser notícia? Quando vai haver espaço nos
jornais para as possibilidades positivas da sociedade?", perguntou.
Imagens
e vozes da esperança
"Nós
temos uma capacidade imensa de sonhar, mas o contexto social em
que vivemos nem sempre permite", afirmou. Rosa Alegria citou estudos
de Fred Polak sobre os processos da imaginação do
futuro, e de David Cooperrider, que trata da ação
positiva através das imagens positivas, para explicar o projeto
Images and
voices of hope (Imagens e vozes da esperança), uma
parceria do Institute for Advanced Appreciative Inquiry, da
organização espiritual Brahma Kumaris e a fundação
Visions of a Better World.
Essa
iniciativa propõe um diálogo internacional sobre o
impacto das imagens e mensagens da mídia nas pessoas, famílias,
comunidades e culturas do planeta. O objetivo é chamar a
atenção para o enorme poder - e, portanto, responsabilidade
- que os profissionais de comunicação têm para
transformar a sociedade, assim como para os perigos de vulgarizá-la.
Ela afirmou que, dependendo das escolhas editoriais, a mídia
pode criar um momento de descrença, ou um processo de esperança.
"As pessoas precisam estar em contato com as possibilidades."
Para
ela, a mais importante imagem do futuro criada na história
é a obra Utopia, de Thomas Morus. Esse escritor criou
a alegoria para sugerir que, num lugar distante, existe a possibilidade
de uma sociedade ideal. No livro, um viajante consegue alcançar
esse lugar e passa a compará-lo com sua própria sociedade.
Rosa Alegria lembrou que muitas pessoas preferem ser cínicas
e encarar o mundo através da idéia da distopia,
ou seja, de que não é possível nada melhor
do que a realidade atual.
Segundo
ela, a lógica industrial dos meios de comunicação
não favorece a reflexão dos profissionais para o sentido
do que estão fazendo. "Nessa correria de redigir matéria,
editar, vender anúncio e concluir jornal no prazo estipulado,
os comunicadores esquecem de pensar sobre o impacto que seu trabalho
terá na sociedade." Ela afirmou que esses profissionais devem
tem urgência em buscar o significado das coisas. "O que é
ser bem sucedido na carreira? Um prêmio que se ganha é
mais importante do que o trabalho com a comunidade?", provocou.
Futuro
Segundo
ela, a idéia de assumir a responsabilidade de encarar os
meios de comunicação como instrumento de transformação
social é uma proposta concreta, e não um romantismo
ingênuo. "Ter essa postura não significa publicar devaneios,
não é uma forma de escapismo. Mas temos que entender
que onde há desastre, há reconstrução;
onde há desarmonia encontramos também harmonia; onde
há tragédia, encontramos também esperança."
Ela
lembrou grande parte dos jornalistas tido como engajados costumam
insistir exclusivamente na denúncia como forma de mudar a
sociedade. "Não devemos ocultar a verdade, mas é necessário
dar as devidas proporções aos fatos violentos, e não
explorá-los comercialmente, como se vê hoje em dia."
Ela argumentou que grande parte da indignação nos
textos jornalísticos perde sua força de convencimento
e mobilização porque "as pessoas estão exaustas
de violência, as pessoas não aguentam mais ouvir denúncia".
Para ela, a imprensa tem o dever de participar na busca de alternativas
para resolver o problema da violência.
Rosa
Alegria observou que a mídia deveria trabalhar não
só o que é, mas o que poderia ser. "Se as nossas elites
não sabem sonhar e roubam os nossos sonhos, a mídia
pode sim, trazer imaginação e positividade". Ela afirmou
que as perguntas têm o poder de mudança e, em muitos
momentos, é mais importante buscar questionamentos do que
ansiar pelas respostas. "As nossas vidas tomam o rumo de nossas
curiosidades", concluiu.
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