# Informações gerais


Matéria publicada no Revelação (jornal-laboratório do curso de Comunicação Social da Universidade de Uberaba) n. 220, em 17 de setembro de 2002

andre.azevedo@uniube.br


As universitárias alemãs Birga Rüger e Nadine Quass vieram fazer estágio em trabalhos sociais

Gringos

Birga Rüger, 28, estudante de Psicologia em Hamburgo, na Alemanha, e a colega Nadine Quass, 26, estudante de Pedagogia na mesma cidade, estão há três semanas em Salvador. Elas vieram fazer estágio em trabalhos sociais, junto à igreja Nova Apostólica. Para isso, estudam português e estão sendo auxiliadas por Taciano Lins dos Santos, 28, guia de intercâmbio. "É um lugar muito bonito. Todo mundo sorri o tempo todo, isso é muito diferente", diz. Para elas, as casas lembram muito o estilo europeu.

As francesas Cecile e Emmanuelle fazem capoeira em Paris, e vieram ao Brasil para participar de um encontro internacional de capoeiristas em Teresópolis (RJ). "Ficamos na casa de um mestre no Rio de Janeiro. Tinha vontade de visitar Salvador porque aqui é o berço da capoeira", disse em português. E elas estavam, é claro, no lugar certo. No centro histórico localizam-se a Fundação Mestre Bimba (responsável pela primeira academia autorizada no país, na década de 30), a Associação Brasileira de Capoeira de Angola etc.


Turistas ignoram pedintes e ambulantes para poder se divertir e tirar fotos

Numa ladeira próxima, três jovens de Israel (duas garotas e um rapaz) cortavam uma maçã e derramavam, nas fatias, porções de mel de uma garrafinha. "É que hoje comemoramos o Ano Novo judaico (6 de setembro). Na nossa tradição, comer maçã com mel significa que teremos um ano doce".

A alemã Joana Ruppel é estudante de jornalismo em Hamburgo. Junto com colegas, estudantes de Etnografia e Letras, participa do Centro de Estudos Latino-Americanos na sua universidade. Toparam fazer um intercâmbio para aprender português no Brasil — e já estão falando bem. Na noite de 6 de setembro estavam em companhia de Macambira, músico e professor de percussão, conhecendo bares do Pelourinho, como o Tempero da Dadá.

O estudante londrino John Joned, 21, e sua amiga Sam Tillet, 20, vieram passar as férias em Salvador com mais quatro colegas. O que mais impressionou os ingleses foi a insistência dos pedintes, especialmente as crianças. "Como está na cara que somos gringos, muitas crianças, muitas mesmo, vêm pedir 1 real a toda hora. Muitas vezes nós só queremos ser gentis, mas o que eles querem mesmo é dinheiro. Para nós, 1 real não é muito, mas às vezes juntam muitos meninos e ficamos sem saber o que fazer. Já fomos à Índia e aqui os pedintes são muito mais insistentes que lá ", desabafam.


Umário Rocha, 14, Marcelo dos Santos, 12, Adriano Novaes, 13 e Leo dos Santos, 11, trabalham de engraxate. "O Pelourinho é bom. Gostamos do Olodum. Ficamos até umas dez horas da noite. Dá pra ganhar uma grana para ajudar a mãe, tomar um lanche, essas coisas". Só um deles disse que estuda.

Mas Liz Mawsol, londrina filha de pai inglês e mãe chilena, também viajou a Índia e disse que lá é pior. "Aqui, quando a gente diz não, as pessoas esquecem de você. Lá eles não te deixam nem assim", diz. Sua amiga pernambucana Ana Paula Andrade, de Recife, observa que talvez ela não tenha sido tão assediada por causa de suas feições latinas. Ana também lamenta a insistência de pedintes e ambulantes, mas entende que é a maneira que os moradores pobres se viram para viver. "Infelizmente, isso é normal. Em Recife as coisas são muito parecidas", diz. Mesmo assim, na sua primeira visita ao Pelourinho, disse ter ficado encantada com o lugar, que considerou lindo e limpo.

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