
As universitárias
alemãs Birga Rüger e Nadine Quass vieram fazer estágio
em trabalhos sociais |
Gringos
Birga
Rüger, 28, estudante de Psicologia em Hamburgo, na Alemanha,
e a colega Nadine Quass, 26, estudante de Pedagogia na mesma cidade,
estão há três semanas em Salvador. Elas vieram
fazer estágio em trabalhos sociais, junto à igreja
Nova Apostólica. Para isso, estudam português e estão
sendo auxiliadas por Taciano Lins dos Santos, 28, guia de intercâmbio.
"É um lugar muito bonito. Todo mundo sorri o tempo todo,
isso é muito diferente", diz. Para elas, as casas lembram
muito o estilo europeu.
As
francesas Cecile e Emmanuelle fazem capoeira em Paris, e vieram
ao Brasil para participar de um encontro internacional de capoeiristas
em Teresópolis (RJ). "Ficamos na casa de um mestre no
Rio de Janeiro. Tinha vontade de visitar Salvador porque aqui é
o berço da capoeira", disse em português. E elas
estavam, é claro, no lugar certo. No centro histórico
localizam-se a Fundação Mestre Bimba (responsável
pela primeira academia autorizada no país, na década
de 30), a Associação Brasileira de Capoeira de Angola
etc.

Turistas
ignoram pedintes e ambulantes para poder se divertir e tirar
fotos |
Numa
ladeira próxima, três jovens de Israel (duas garotas
e um rapaz) cortavam uma maçã e derramavam, nas fatias,
porções de mel de uma garrafinha. "É que
hoje comemoramos o Ano Novo judaico (6 de setembro). Na nossa tradição,
comer maçã com mel significa que teremos um ano doce".
A
alemã Joana Ruppel é estudante de jornalismo em Hamburgo.
Junto com colegas, estudantes de Etnografia e Letras, participa
do Centro de Estudos Latino-Americanos na sua universidade. Toparam
fazer um intercâmbio para aprender português no Brasil
e já estão falando bem. Na noite de 6 de setembro
estavam em companhia de Macambira, músico e professor de
percussão, conhecendo bares do Pelourinho, como o Tempero
da Dadá.
O
estudante londrino John Joned, 21, e sua amiga Sam Tillet, 20, vieram
passar as férias em Salvador com mais quatro colegas. O que
mais impressionou os ingleses foi a insistência dos pedintes,
especialmente as crianças. "Como está na cara
que somos gringos, muitas crianças, muitas mesmo, vêm
pedir 1 real a toda hora. Muitas vezes nós só queremos
ser gentis, mas o que eles querem mesmo é dinheiro. Para
nós, 1 real não é muito, mas às vezes
juntam muitos meninos e ficamos sem saber o que fazer. Já
fomos à Índia e aqui os pedintes são muito
mais insistentes que lá ", desabafam.

Umário
Rocha, 14, Marcelo dos Santos, 12, Adriano Novaes, 13 e Leo
dos Santos, 11, trabalham de engraxate. "O Pelourinho é
bom. Gostamos do Olodum. Ficamos até umas dez horas da
noite. Dá pra ganhar uma grana para ajudar a mãe,
tomar um lanche, essas coisas". Só um deles disse
que estuda. |
Mas
Liz Mawsol, londrina filha de pai inglês e mãe chilena,
também viajou a Índia e disse que lá é
pior. "Aqui, quando a gente diz não, as pessoas
esquecem de você. Lá eles não te deixam nem
assim", diz. Sua amiga pernambucana Ana Paula Andrade, de Recife,
observa que talvez ela não tenha sido tão assediada
por causa de suas feições latinas. Ana também
lamenta a insistência de pedintes e ambulantes, mas entende
que é a maneira que os moradores pobres se viram para viver.
"Infelizmente, isso é normal. Em Recife as coisas são
muito parecidas", diz. Mesmo assim, na sua primeira visita
ao Pelourinho, disse ter ficado encantada com o lugar, que considerou
lindo e limpo.
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