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Estudante
encara o desafio e, mesmo sem grana, passa seis meses vivendo no
exterior
André Azevedo da Fonseca

Fabiano
da Mota dormiu uma noite em Doolin. Segundo relatos de moradores,
é de lá que vem a melhor música irlandesa
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"No mundo de hoje é aquele
esquema: o inglês é fundamental, uma segunda língua
qualquer é importante", diz Fabiano da Mota, um estudante
de 23 anos que, sem grana e sem saber falar inglês direito,
embarcou no avião rumo a Irlanda, praticamente com uma mão
na frente e outra atrás. "Eu tinha essa idéia
antes de entrar na faculdade, mas nunca pintava um troco",
conta.
Fabiano nasceu em Rio Grande (RS),
mas foi criado em Matias Cardoso, uma cidadezinha de 10 mil habitantes,
localizada no norte de Minas. Veio para o Triângulo Mineiro
para estudar Tecnologia em Processamento de Dados, na Universidade
de Uberaba. "Então, me formei em 1998 e comecei a trabalhar
com Macintosh, na universidade", diz.
Mas mesmo depois de formado, aquela
vontade de dar o fora para o exterior era sempre adiada. "A
grana só dava para bancar as despesas de praxe", conta.
Fabiano dividia um apartamento no bairro Olinda com alguns colegas,
e todo final de mês caía no cheque especial.
Ele não parou de estudar. Dois
anos depois do diploma de graduação, concluiu uma
pós-graduação em Gerenciamento de Redes de
Computadores, também pela Universidade de Uberaba, em 2000.
Depois, partiu para outra pós-graduação. Começou
a cursar Análise de Sistemas, na PUC de Campinas. Enquanto
isso, ia enrolando o sonho.
Mas aquela coceira insistia, e em 2001
ele passou a coletar informações pela Internet. "Eu
queria ir para os EUA, mas não con-segui visto. Se fosse
para a Austrália, tinha que ficar pelo menos um ano, porque
a passagem é muito cara. Não dava. A Inglaterra tem
fama de as pessoas serem muito frias. Na Irlanda, tive a informação
de que as pessoas eram mais amigáveis, e o custo de vida
não era tão caro como na Inglaterra. É isso:
Irlanda!".
Fabiano procurou uma agência
de intercâmbio para fechar o pacote. Como sua intenção
era ficar pelo menos quatro meses, teve que improvisar para bancar
os custos. "Paguei um plano de um curso de Inglês de
duas semanas, e consegui o visto de turista. Eu imaginava que, ao
chegar lá, poderia procurar uma outra escola mais barata.
Comprei eu mesmo a passagem (US$ 700), porque a agência negociava
uma muito cara", explica. O curso ficava em 600 euros. O estudante
meteu as caras: fez dívida no cartão de crédito,
entrou fundo no cheque especial, e se foi.
Duro em Dublin
4 de fevereiro. "Peguei o avião
em Sampa. Treze horas de viagem. Desembarquei em Londres, esperei
algumas horas no aeroporto e peguei a baldeação para
Dublin. Cheguei lá num frio violento. A sensação
ao descer a escada do avião foi: Cheguei, e agora? Meu
curso é só de duas semanas e não tenho grana
para ficar muito tempo!".
Fabiano foi de ônibus até o centro, e de lá
pegou um taxi até o lugar da hospedagem. "Economizei
metade do preço que pagaria para a escola me buscar no aeroporto.
Já cheguei economizando", diz.
Lá, gastava uns 20 euros por
dia, contando com acomodação e alimentação.
Como combinado com a agência, ficou hospedado no esquema de
casa de família (hostfamily). "Fiquei na
casa de uma nigeriana muito gente boa" diz.
Fabiano sabia que tudo aquilo era uma
grande aventura. "No começo foi complicado. Eu não
sabia inglês, tava sem grana. Pra me virar, economizava no
que pudesse. Por exemplo, pra comer, comprava coisas mais baratas
em supermercado, era desse jeito", conta.
Além disso, estranhou um pouco
o tratamento recebido pelas pessoas. "A gente está acostumado
com calor humano. Nós brasileiros, apesar de não termos
o padrão de vida elevado aquela coisa de estarmos
sempre na pindaíba somos sempre simpáticos
uns com os outros. No Brasil, a maioria já chega te abordando
com um sorriso. Lá não tem esse esquema: Ôôôô,
e aí, meu cumpadi! As pessoas são meio ríspidas,
respondem tipo assim: que é que você quer? Pra
piorar, como meu inglês era muito ruim, os gringos não
tinham muita paciência. Im sorry, I dont understand
you. Na Inglaterra, algumas vezes, antes mesmo de eu terminar
de concluir uma pergunta qualquer, as pessoas já diziam:
I dont know",
lembra.
Depois que o curso de duas semanas
venceu, Fabiano negociou com sua hostfamily a nigeriana
gente boa e combinaram que ele poderia ficar mais duas semanas,
fazendo o pagamento direto pra ela, e ainda com um desconto de 50%.
"Enquanto isso, procurava emprego, sem parar". Ele lembra
que "pastou" durante o primeiro mês. Problemas financeiros,
dificuldade de comunicação.
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