|

Empresários
devem favorecer desenvolvimento sustentável e a qualidade
de vida da comunidade
André Azevedo da Fonseca
Gustavo
Salomão

Mônica
Melo, gerente de marketing da TV Integração, falou
sobre responsabilidade social para estudantes de Comunicação
Social |
Há alguns
anos, a idéia de responsabilidade social vem chamando a atenção
de empresas, profissionais de comunicação e da sociedade
organizada. No entanto, muitos ainda têm dúvidas a
respeito dos conceitos dessa nova atitude empresarial, assim como
parece ainda não estar claro os benefícios reais dessa
postura seja para o empresário, seja para a sociedade.
Para esclarecer
alguns pontos principais, a gerente de marketing da TV Integração,
Mônica Melo, ministrou uma palestra para estudantes de Comunicação
Social da Universidade de Uberaba (Uniube). A palestra foi realizada
na noite de 20 de fevereiro, no anfiteatro da Biblioteca Central,
e contou com a presença de mais de cem alunos. Mônica
esclareceu que responsabilidade social não é um conceito
isolado, pois está interligado com desenvolvimento sustentável,
preservação ambiental, distribuição
de renda, educação e qualidade de vida.
A palestrante
explicou que o termo se refere a uma forma de gestão empresarial
onde o conjunto de ações em todas as áreas
da empresa é baseado no princípio da ética
nas relações e no compromisso em promover o desenvolvimento
sustentável da sociedade. "A empresa não é
só responsável pelo seu público direto, mas
por toda uma cadeia que inclui funcionários, acionistas,
clientes, fornecedores, suas famílias e a comunidade em geral".
No entanto,
ela considera um erro traduzir essa preocupação social
com ações isoladas. "Não adianta a empresa
doar um milhão para uma campanha e não cuidar da condição
de trabalho de seus funcionários. Há uma série
de conceitos para defini-la como empresa de responsabilidade social."
Para quem diz
que resolver questões sociais não é coisa de
empresário, mas de governo, Mônica rebate afirmando
que um país só tem jeito se a sociedade participar
intensamente, pois governo nenhum dá conta sozinho. "A
sociedade que participa ativamente tem mais poder de cidadania.
Como cidadãos, podemos sempre participar de associações,
ONGs, conselhos municipais, etc. Tem muita coisa boa acontecendo
na frente da gente, e muitas vezes a gente não está
nem aí". As empresas também dispõem de
muitas alternativas para cumprir seu papel social tais como
a criação de institutos, fundações e
programas especiais. Para ela, "não há desculpa
para quem cruza os braços e fica esperando que outros resolvam
os problemas do país".
A palestrante
observou que a relação com os fornecedores é
um exemplo de como a empresa pode atuar para garantir melhorias
sociais. Ela citou, como mau exemplo, o recente caso da Nike, que
foi duramente criticada e viu suas ações na bolsa
despencarem quando a imprensa descobriu que a multinacional comprava
material de um fornecedor asiático acusado de utilizar mão-de-obra
escrava. "A empresa socialmente responsável deve fiscalizar,
pressionar os fornecedores e dizer: se você não
for ético, não respeitar leis trabalhistas, não
compramos de você. Olha só o poder! É mais
forte que governo."
Os consumidores
também têm enorme força para exigir ética
dos empresários. "Temos o poder de não comprar
produtos e serviços de empresas que não mantêm
uma postura de responsabilidade social." Para ela, os consumidores
também devem educar-se para um consumo consciente. "É
gratificante comprar de uma empresa que não usa mão-de-obra
infantil, que respeita o trabalhador e investe em projetos sociais.
Isso cria identidade e fidelidade à marca."
Existem diversos
selos e certificados para empresas socialmente responsáveis,
como o selo Empresa Amiga da Criança, conferida pela
Fundação Abrinq Pelos Direitos da Criança e
do Adolescente, e o SA 8000, que certifica a empresa comprometida
com as condições de trabalho de seus funcionários.
Boa imagem
A palestrante
mostrou que a opinião pública dá muito valor
à empresa que incentiva projetos sociais e envolvimento voluntário.
Outra atitude que agrega valor à empresa é a educação
ambiental. "A gente nunca imaginava que ia faltar água
no Brasil, e hoje há escassez. O que o empresário
deixa de fazer e que pode piorar as condições do meio
ambiente?"
Segundo ela,
quando a empresa assume uma missão social, age segundo uma
declaração de valores e humaniza a relação
com todas as pessoas envolvidas com seu funcionamento, verifica-se,
além da boa repercussão na imagem perante o público,
evidentes ganhos de produtividade.
"Os empresários
devem agir hoje pensando no amanhã, precisam perceber que
investir no desenvolvimento sustentável da sociedade vai
ser bom pra todo mundo. As pessoas dizem que isso é utopia,
que o empresário só visa o lucro. Mas empresário
inteligente, com visão a longo prazo, percebe com mais clareza
a importância do investimento social."
Mônica
afirma que, hoje, apenas 20% da população do Brasil
participa ativamente do mercado de consumo. Ela argumenta que investir
na sociedade para desenvolver os 80% é a única saída
para o mercado crescer. Mais pessoas com capacidade de consumo darão
impulso à economia e vão gerar mais lucros. "É
preciso trazer esses 80% para o mercado de consumo. Às vezes
a gente só se lembra deles quando somos assaltados. Temos
que despertar para o fato de que isso só acontece porque
não estamos fazendo nada para mudar essa situação".
Enquanto a renda continuar concentrada, não haverá
crescimento contínuo, e o mercado ficará estagnado
e vai saturar se os consumidores continuarem reduzidos aos
20%.
No entanto,
é importante esclarecer a diferença entre projeto
social e projeto assistencial. O assistencialismo não favorece
a emancipação do favorecido ao contrário,
consolida a dependência sem modificar as estruturas. Já
o projeto social resgata a verdadeira cidadania ao inserir as camadas
de baixa renda na sociedade, através do estímulo à
educação, profissionalização e articulação
social, possibilitando que a pessoa, através do seu trabalho,
ingresse na economia com dignidade.
Outro erro comum
é confundir marketing social com a simples propaganda
das ações sociais da empresa. "O verdadeiro marketing
social é a comunicação que gera a transformação
da sociedade, são as campanhas de conscientização
e mobilização social em nome de uma causa. Não
é só propagandear que a empresa é socialmente
responsável." Ao contrário, empresas que costumam
alardear suas ações devem ser vistas com desconfiança.
Segundo a palestrante,
se a postura que a empresa comunica não corresponder à
verdadeira filosofia da empresa, o público acaba por perceber,
mais cedo ou mais tarde. Segundo ela, é propaganda enganosa
quando a empresa diz que faz responsabilidade social, mas trata
mal o funcionário, por exemplo. "Como é o clima
da empresa? Como a empresa trabalha as demissões? Há
programas de reinserção de demitidos no mercado de
trabalho? Isso tudo é responsabilidade social. A imagem da
empresa depende muito do que as pessoas que saíram dizem
dela."
Os profissionais
de comunicação também têm grande poder
nessa transformação. "O publicitário é
quem decide os veículos de comunicação onde
seus clientes vão anunciar. Neste momento da escolha, ele
deve levar em consideração a responsabilidade social
da empresa de comunicação". E na hora de criar
o anúncio, Mônica sugere que o profissional se pergunte:
o que eu quero? A venda do produtos qualquer custo, ou transmitir
valores e fazer da propaganda algo mais valioso?
Conheça
mais
http://www.ethos.org.br
http://www.gife.org.br
http://www.rits.org.br
http://www.mma.gov.br
http://www.akatu.org.br
pág. 1 de 1
| página
principal |
|
 |
|
|