Uma
fonte de energia
Newton Luís Mamede
A constituição
física do universo é a energia em perene ação
e atuação. Da matéria bruta e inorgânica
aos mais complexos organismos vivos; de micros-cópicas partículas
atômicas e celulares a gigantescos corpos do espaço sideral;
de minúsculos espaços e distâncias à infinitude
das galáxias, a energia é o motor que garante a sustentabilidade
do eterno acontecimento do mundo, ou do universo. E, finalmente, da
vida.
Neste escrito, o que nos interessa é a vida, mesmo que ainda
se considere que ela é privilégio apenas de um corpúsculo
dentro da imensidão do infinito, ou seja, de nosso planeta. E,
na complexidade do que se denomina vida, vamos proceder a um imenso
salto e ater-nos à vida humana, e, particularmente, à
vida intelectual.
Ser racional, o homem se destaca, no universo dos seres vivos, pelo
exercício de sua inteligência reflexiva e progressiva,
e pelos resultados de sua atividade intelectual.
A inteligência viva de que é dotado não seria possível
sem o perene alimento de sucessivas fontes de energia que garantam exatamente
a superioridade da inteligência racional. Fontes de energia para
inteligências inferiores não são as mesmas para
a inteligência do homem. Para aquelas, as fontes de energia são
estagnadas, invariáveis, automatizadas, pré-deter-minadas,
imutáveis. Não progridem. São as mesmas em toda
a sucessão da vida.
Já para a inteligência racional, reflexiva, crítica,
as fontes de energia não são estacionárias. Estão
em constante mutação, em perpétua evolução.
A inteligência humana é um eterno progredir, cujos resultados
constituem a marca da presença e da ação do homem
no mundo. E esse progresso eterno é, também, eternamente
nutrido por fontes de energia que, conforme dito acima, inspiram e dinamizam
a inteligência racional.
Agora, chegamos ao ponto chave. Das diversas fontes de energia que alimentam
a inteligência reflexiva, crítica, viva, uma é o
estudo. O estudo metódico, organizado, que gera a sabedoria superior,
a ciência. E esse tipo de estudo tem, por sua vez, como a fonte
de energia por excelência a universidade. São várias
as fontes de energia da inteligência viva, mas a universidade,
por sua natureza, é a que se destaca, tanto que ela tem como
uma de suas denominações a expressão escola superior.
É redundante expor o sentido, o valor e a importância da
instituição universidade na sociedade desenvolvida. Todavia,
a consciência desse valor não pode conduzir ao comodismo
de deixar que ela, a universidade, simples-mente exista, sem cons-tante
manutenção. Ela é uma fonte de energia, mas precisa
estar em perpétua atualização, modernização,
adaptação aos progressos que são conseqüências
e outras tantas causas da superioridade e da evolução
dos estudos científicos. Perpétua atualização,
sem, contudo, perder o que já fez, o que já construiu
para firmar a ciência universal. A ciência é um avanço
contínuo, um ininterrupto progresso, e não a substituição
de uns conhecimentos e resultados por outros, para ficar "do mesmo
tamanho". O passado histórico da ciência não
pode morrer, ou melhor, não morre. A ciência é cumulativa,
progressiva. E a universidade é a principal fonte de energia
desse acúmulo, desse progresso, desse saber que eleva e dignifica
a inteligência humana.