Ombudsman
Empirismo e ciência


Newton Luís Mamede


O natural e inato desejo de saber impeliu o homem à busca do conhecimento. O universal conceito conhecer o homem e o mundo já identifica a inteligência humana desde os primórdios da constituição ontológica e antropológica do Homo sapiens. Rudimentar e obscura no início, e organizada e lúcida na maturidade racional, a busca do conhecimento saltou do mito à ciência, na construção da verdadeira sabedoria intelectual. E sabedoria entendida em sentido amplo, ou infinito, no universo dos fatos e coisas que constituem objeto do saber humano. Sabedoria que desbancou o mito e instaurou a ciência.

No atual estádio de civilização e de cultura em que se encontra a humanidade, com inequívoco avanço da ciência e da aplicação de seus resultados, o espaço destinado ao empirismo e, com mais razão, ao mito deve ser restrito ou confinado apenas às mentes desprovidas de instrução escolar e de ilustração intelectual. O empirismo, a fundamentação apenas no visível ou na experiência imediata e diária, jamais pode ter lugar na explicação dos fenômenos de qualquer natureza. E o mito, esse deve restringir-se apenas aos estudos antropológicos das culturas ditas primitivas ou não civilizadas. Não há como conceber, hoje, qualquer explicação sobre o homem e o mundo que não seja resultado de pesquisa exaustiva e de profundidade científica que revele e construa a verdade.

A recente transição cronológica de eras, de um século e de um milênio para outros, respectivamente, operou profundas transformações nas mentes e consciências, e, contraditoriamente, ainda acendeu e avivou reflexões e atitudes baseadas em falsos conceitos e suspeitas sabedorias que expunham (e expõem) explicações sobre uma série de fatos e fenômenos que instigam a curiosidade humana. O que causa estranheza, porém, é o amplo e "respeitado" espaço que essas "explicações" ganham nos modernos e avançados meios de comunicação, de divulgação de notícias. Explicações absurdas e irracionais, mas que teimam em se impor e, desastradamente, conquistam adeptos até dotados de cultura e de instrução universitária. Explicações que confundem, que apregoam e disseminam heresias, sofismas e ridículas inverdades. Isso, paradoxalmente, em plena era moderna, de avançadíssimo progresso científico e tecnológico, de sofisticadíssimos recursos da ciência aplicada.

Foi dito, acima, que esse tipo de engodo atinge pessoas dotadas de instrução univer-sitária. Pois é isso que inspira este pronuncia-mento. Como pode um indivíduo com esse grau de instrução, nos dias atuais, acreditar levia-namente, em vez de compreender racional-mente? O acreditar, em termos científicos, é muito pouco, é quase nulo, quando se trata de conhecimento baseado no trinômio verdade – evidência – certeza, conhecimento que constitui a base e a essência dos estudos universitários. O que diferencia, distingue, identifica e personaliza o conhecimento científico é exatamente o fundamento na verdade, no ser tal como ele é, e não como parece ser, conforme se diz em filosofia. E é esse conhecimento que deve prevalecer e imperar na universidade e na consciência de quem cursou universidade. Conhecimento capaz de compreender e explicar o ser, a verdade do ser, e não de apenas supor ou inventar explicações.

O conhecimento adquirido e praticado na universidade deve ter coerência científica, deve ser a garantia da ciência. E, com base nisso, é um conhecimento que deve inspirar, necessariamente, seriedade e confiança.

Newton Luís Mamede é Ombudsman da Universidade de Uberaba

 

 

 

 


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