Argumento
de Autoridade
Newton
Luís Mamede
Têm repercutido de maneira positiva os artigos que vimos escrevendo
a respeito da confiança nem sempre existente, ou da confiança
abalada, no ensino ou no trabalho específico de uma universidade.
Em especial, exemplificamos o fato com a confusão que se faz
a respeito da etimologia da palavra aluno, quando, erroneamente, foi
inventado o absurdo de que ela significa "ausência de luz",
e, conseqüentemente, ela deve ser substituída pela palavra
estudante. E, no arrazoado, questionamos a confiabilidade, a seriedade
e a responsabilidade das escolas superiores, da universidade, quando
ela ensina, prega e adota erros, inverdades, conceitos falsos. E, ainda,
afirmamos que muitos dos professores ou autoridades pedagógicas
que adotam e pregam os tais erros, inverdades, conceitos falsos são
eminentes pedagogos, ou detentores de cursos de pós-graduação,
como mestrado e doutorado. E concluímos: então, em quem
confiar?, ou: como confiar na universidade?
O que vem à tona, agora, é o comportamento, ou a atitude
de pessoas (professores, pedagogos em geral, estudantes) que acreditam
naquilo que aprendem, sem a devida confirmação ou pesquisa
em fonte segura, para que seu conhecimento tenha maturidade e validade
científica. Maturidade e validade que geram a confiança
e a segurança de que professores e a universidade são,
ou devem ser, merecedores.
A coisa funciona assim: como nem todo o mundo é formado em todos
os cursos, ou tem conhecimento de todas as áreas do saber humano
(o que é impossível), então todos confiam na autoridade
daquele que emite um conceito referente à própria área
de formação intelectual, científica e acadêmica.
Exemplo: se eu não sou médico, então eu confio
(ao menos a priori) naquilo que um médico me diz; se eu não
sou físico, então eu confio naquilo que um físico
me diz; se eu não sou professor de português, então
eu acredito naquilo que um professor de português me diz, ou me
ensina; etc. Ora, então minha confiança baseia-se na autoridade
do médico, ou do físico, ou do professor de português.
Autoridade de quem estudou e se formou naquelas áreas, ou de
quem é detentor do conhecimento científico próprio
daquelas áreas.
Agora, o problema: como confiar numa autoridade que negligencia a própria
autoridade? Se a autoridade num assunto emite conceitos absurdos, errados,
falsos sobre esse mesmo assunto, como pode inspirar confiança?
Se pedagogos ou militantes em educação proferem e pregam
o errado, como confiar na educação praticada por eles,
ou pelas instituições em que eles atuam? E como confiar
nessas instituições?...
Acresce, ainda, outro problema: ninguém dispõe de tempo
para pesquisar e conferir tudo o que ouve ou aprende de uma autoridade
num assunto, por isso confia. Mesmo que a autoridade emita erros. E,
o pior: muitos confiam, com base apenas na autoridade do mestre. E preferem
continuar acreditando no mestre, principalmente se for do tipo medalhão,
a pesquisar a verdade, a conferir o que ele proferiu. Preferem continuar
acreditando no erro, no absurdo, só porque foi um medalhão
que inventou e ensinou assim, a conferir e pesquisar na fonte certa,
segura. O argumento que usam é a autoridade do mestre, como se
apenas ele fosse autoridade. E desprezam as reais autoridades.
O que é necessário é, tão-somente, agir
com inteligência e com senso crítico. O conhecimento científico
não pode restringir-se apenas à autoridade e à
opinião de simples professores e autores, só porque são
nossos conhecidos, ou nossos "ídolos". E, para saber
qual é a verdadeira autoridade em ciência, em conhecimento
científico, basta ser dotado do que afirmamos logo acima: inteligência
e senso crítico.
Newton Luís Mamede é Ombudsman da Universidade de Uberaba