Argumento de Autoridade

Newton Luís Mamede

Têm repercutido de maneira positiva os artigos que vimos escrevendo a respeito da confiança nem sempre existente, ou da confiança abalada, no ensino ou no trabalho específico de uma universidade. Em especial, exemplificamos o fato com a confusão que se faz a respeito da etimologia da palavra aluno, quando, erroneamente, foi inventado o absurdo de que ela significa "ausência de luz", e, conseqüentemente, ela deve ser substituída pela palavra estudante. E, no arrazoado, questionamos a confiabilidade, a seriedade e a responsabilidade das escolas superiores, da universidade, quando ela ensina, prega e adota erros, inverdades, conceitos falsos. E, ainda, afirmamos que muitos dos professores ou autoridades pedagógicas que adotam e pregam os tais erros, inverdades, conceitos falsos são eminentes pedagogos, ou detentores de cursos de pós-graduação, como mestrado e doutorado. E concluímos: então, em quem confiar?, ou: como confiar na universidade?

O que vem à tona, agora, é o comportamento, ou a atitude de pessoas (professores, pedagogos em geral, estudantes) que acreditam naquilo que aprendem, sem a devida confirmação ou pesquisa em fonte segura, para que seu conhecimento tenha maturidade e validade científica. Maturidade e validade que geram a confiança e a segurança de que professores e a universidade são, ou devem ser, merecedores.

A coisa funciona assim: como nem todo o mundo é formado em todos os cursos, ou tem conhecimento de todas as áreas do saber humano (o que é impossível), então todos confiam na autoridade daquele que emite um conceito referente à própria área de formação intelectual, científica e acadêmica. Exemplo: se eu não sou médico, então eu confio (ao menos a priori) naquilo que um médico me diz; se eu não sou físico, então eu confio naquilo que um físico me diz; se eu não sou professor de português, então eu acredito naquilo que um professor de português me diz, ou me ensina; etc. Ora, então minha confiança baseia-se na autoridade do médico, ou do físico, ou do professor de português. Autoridade de quem estudou e se formou naquelas áreas, ou de quem é detentor do conhecimento científico próprio daquelas áreas.

Agora, o problema: como confiar numa autoridade que negligencia a própria autoridade? Se a autoridade num assunto emite conceitos absurdos, errados, falsos sobre esse mesmo assunto, como pode inspirar confiança? Se pedagogos ou militantes em educação proferem e pregam o errado, como confiar na educação praticada por eles, ou pelas instituições em que eles atuam? E como confiar nessas instituições?...

Acresce, ainda, outro problema: ninguém dispõe de tempo para pesquisar e conferir tudo o que ouve ou aprende de uma autoridade num assunto, por isso confia. Mesmo que a autoridade emita erros. E, o pior: muitos confiam, com base apenas na autoridade do mestre. E preferem continuar acreditando no mestre, principalmente se for do tipo medalhão, a pesquisar a verdade, a conferir o que ele proferiu. Preferem continuar acreditando no erro, no absurdo, só porque foi um medalhão que inventou e ensinou assim, a conferir e pesquisar na fonte certa, segura. O argumento que usam é a autoridade do mestre, como se apenas ele fosse autoridade. E desprezam as reais autoridades.

O que é necessário é, tão-somente, agir com inteligência e com senso crítico. O conhecimento científico não pode restringir-se apenas à autoridade e à opinião de simples professores e autores, só porque são nossos conhecidos, ou nossos "ídolos". E, para saber qual é a verdadeira autoridade em ciência, em conhecimento científico, basta ser dotado do que afirmamos logo acima: inteligência e senso crítico.

Newton Luís Mamede é Ombudsman da Universidade de Uberaba

 

 

 

 


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