Retomar a terra, recobrar a esperança

Em 1996, Dom Paulo Evaristo Arns, então Arcebispo de São Paulo, em apresentação do relatório que tratava dos conflitos no campo assim se expressou: "A história brasileira se iniciou sob o signo maligno do latifúndio já que, em 1494, Portugal e Espanha, assinando o Tratado de Tordesilhas, repartiam terras, povos e riquezas. Massacrando culturas e corpos, negavam o direito à terra e aos seus verdadeiros ocupantes.

Os cem anos que nos separam do genocídio de Canudos, ocorrido no sertão da Bahia entre os anos de 1896 e 1897, não devem ser esquecidos, pois a brutalidade que massacrou quase trinta mil sertanejos, destruindo 5.200 casas e plantações, precisa "queimar" nossas consciências".

Decorridos alguns anos, notamos que está chegando o tempo de se fazer reformas profundas no Estado Brasileiro, não obstante tenha que conjugar fortes interesses, regados, por vezes, com poupudas verbas mantenedoras dos cargos políticos que corroboram privilégios seculares, razão da exclusão e exôdo rurais. Que se queimem consciências!

Entre as reformas, talvez, a mais urgente seja a Reforma Agrária. Além de reparar erros históricos, e quiçá, redimir de nossas terras sangue inocente por elas sugado mediante tombamentos injustos e impunes, a reforma agrária há de fazer germinar sementes de justiça, que transformadas em geração de novos empregos – tão necessários - sirvirão de sustento para dar o pão a tantas famílias.

Política agrícola, agricultura familiar, empréstimos com juros baixos para os pequenos agricultores são alguns dos componentes que permitirão a reforma agrária acontecer de fato, sem acirramento de ânimos e de enfrentamentos espetaculares para microfones e câmeras. O conflito só se justifica no campo das idéias.. É preciso ter ousadia política para fazer a reforma agrária. Ela não só é necessária como urgente. Razão de nossa esperança. Esperamos uma Reforma Agrária pacifica, sem extremismos. Esperamos que se repartam as terras no Brasil e não as mentes, os corpos e os corações de nossos irmãos! Somos um povo, uma nação e não retalhos de gente, migalhas de pão.
Raízes do latifúndio, reportagem de André Azevedo, quer trazer a voz alternativa do MST, um dos movimentos mais bem organizados do mundo pela conquista democrática do direito à terra, às vezes, ridicularizado e mal-interpretado por alguns, mas consciente da necessidade e urgência da reforma agrária.

Nosso Revelação deseja com essa matéria de capa mostrar um pouco da história do latifúndio e soprar as cinzas que encobrem as brasas das consciências atacadas pelo vírus da ganância. A terra é um dom e um direito de todos!

 

 

 

 


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