Segura Peão!!!!!!

Captura de video-Imagem Fernando Queiroz
Muita gente acredita que vida de peão é ficar durante
8 segundos em cima de um touro, mas não é bem assim


Miriam Lins Caetano
7 período de Jornalismo


Não seria novidade dizer que a Exposição de Gado Zebu (Expozebu) em Uberaba é a mais famosa do mundo pelo alto preço que os animais são vendidos. A vaca Hélen, por exemplo, foi vendida por mais de mais de 1 milhão e meio de reais, que sustenta uma tonelada de carne. Todo o porte depende da alimentação e de cuidados devidos.
Para isso, além dos veterinários, são necessários os tratadores, que ficam por conta de alimentar, dar água e banho, além de seguir à risca todas as orientações dadas pelos profissionais.

Esta é a profissão de Nilton Antônio de Oliveira, de São Sebastião do Paraíso, sul de Minas. Na semana passada, ele estava em Cuiabá, no Mato Grosso, também para tratar de gado. Como a festa de lá acabou, o peão foi em busca de um novo trabalho na Expozebu. Ele conta que visita anualmente em torno de 13 exposições e confirma que, em questão de movimento, Uberaba ganha das outras cidades. Ainda segundo ele, Cuiabá tem uma ótima estrutura.

Mesmo correndo de cidade em cidade, sem moradia fixa e acordando às cinco da manhã para descansar somente às 10 da noite, ele garante que não se vê fazendo outra coisa.

Como Nilton sempre morou na fazenda, a vontade de ser peão foi apenas uma consequência. O que ele não esperava é que suas andanças pelo mundo o fizessem deixar a família. Saudades do filho ele sente, mas, convicto, afirma que sua vocação pela estrada é maior.

E já que peão que se preza tem que estar apaixonado, Nilton confessa, meio tímido, que sempre deixa um amor em cada exposição que visita. E mais ainda! Já prometeu compromisso a mais de 15 moças.

Com tanta paixão no coração, as dificuldades tornam-se pequenas. O tratador não tem a carteira assinada nem direito a aposentadoria. Mas ele não se preocupa com isso. O que o incomoda, conta ainda com o nariz entupido, é a serragem que lota as baias onde ele dorme durante as festas.

E para não dizer que vida de peão é só trabalho, o tratador explica que tem sempre as horas vagas para farrear, geralmente de madrugada. É quando os colegas se reúnem para tomar cerveja e azarar a mulherada. O vício que ele não deixa de jeito nenhum é o cigarro, sempre disponível no bolso da camisa. São estes os momentos de se trocar idéias, contar como foi o dia e algumas piadas, talvez. E Nilton se lembra do objetivo de vida que guarda… deixar de ser empregado e ser um verdadeiro criador de gado. "Tenho 33 anos de idade, certamente ainda existe muito tempo para alcançar meu sonho", suspira.
A festa acabou, mas a energia não. Então, lá se vai a peãozada de novo botar o pé na estrada rumo à próxima festa. É hora de embalar os laços e arreios, guardar na mala os endereços e telefones dos amores. O próximo passo? "Onde tiver gado pra cuidar, estarei lá!" sorri animado.

 

 

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