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Cena de "Marte Ataca", filme de Tim Burton que parodia o culto a extraterrestres

O "show" de Marte

Fernando Machado
7 período de Jornalismo

Marte nunca se aproximou tanto da Terra quanto não o fazia há muito tempo e não tornará a fazer em centenas de anos.

Extraordinário? Depende. Talvez não, se levado em conta que a aproximação foi de 40 mil quilômetros e que a distância entre os dois planetas é superior a 50 milhões de quilômetros.

A partir de um acontecimento sem maior importância, a mídia, mais uma vez, criou um espetáculo, cuja marca principal foi a repetição.

Na televisão e nos jornais, matérias e mais matérias especiais sobre Marte, sobre marcianos, praticamente iguais em todos os canais. O "show" de Marte – a se julgar pelo espaço que ganhou nos jornais – ombreou com as reformas de Lula, a morte de Vieira de Melo, o acidente na base de Alcântara e etecétera.

Quem levou a brincadeira mais longe, e de forma mais lúdica, foi Roberto Cabrini, ao ponto de abrir o Jornal da Noite mais ou menos assim:
"– Atenção! Uma notícia importante acaba de chegar: Marte está se aproximando rapidamente da Terra! Calma! Você vai ficar sabendo tudo sobre essa aproximação do planeta vermelho em direção a Terra em uma matéria especial aqui…"

Brincar de Orson Welles na televisão deve ter sido divertido para Cabrini. Sessenta e quatro anos atrás, o jovem radialista Orson Welles deixou tresloucadas milhares de pes-soas em Nova Iorque, que acreditavam que a Terra realmente estava sendo invadida por marcianos. O resultado da radionovela foi a pior: acidentes, tentativas de suicídio, gente tentando fugir da cidade.

A atitude de Cabrini e toda a cobertura boboca dada pela imprensa em geral não foram capazes de gerar pânico, no máximo contribuíram para o aumento nas vendas de telescópios e afins, além da deixa para videntes, astrólogos e etecétera. Mas aí é que está: estamos cansados disto.

 

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