Driblando a lei

Captura de video/ Imagem:Decio Luiz

Vigília pela sobrevivência: garoto protege comida que foi recolhida do chão da Ceasa.

O proprietário de um restaurante de Belo Horizonte tenta reverter a situação do desperdício saciando a fome de muita gente

Mesmo sem o respaldo da lei, e sabendo das complicações que por ventura podem acontecer, o proprietário de um restaurante do centro de Belo Horizonte decidiu transformar a comida industrializada que sobra nas bandejas em sopa. Todos os dias, ao fim do expediente do almoço, o cozinheiro do restaurante volta para a cozinha e prepara a sopa com o que não foi utilizado. O caldo vai atender mais de trezentas pessoas que vivem no Morro do Papagaio, um aglomerado de favelas na região sul da capital mineira e que enfrenta um problema sério com a fome.

A distribuição é feita pela viatura da polícia militar comandada pelo cabo Tristão, lotado na 124» Companhia do 22¼ Batalhão da PM. Sempre no fim da tarde surge a viatura na boca do morro trazendo um panelão industrial cheio de sopa e recém-tirado do fogo. Comida que já é cardápio garantido para a pequena Celaine, uma garotinha de oito anos de idade, que tem na ponta da língua os ingredientes da sopa solidária: arroz, feijão, macarrão, verdura e lingüiça.

Ela e um irmão menor sobem o morro com uma panela para recolher a sopa que vai alimentar mais gente na humilde casa onde vive com a família. Perguntada sobre o que acha da sopa, ela resume ao estilo mineiro mesclado à inocente opinião de uma criança que tem a fome como companhia. " Todo mundo aqui gosta, uai!", diz, segurando a panela.

Infelizmente, a sopa não atende todo o pessoal, e há quem volte para a casa com a panela vazia e o desejo de esperar mais um dia, mais um dia para ter o que comer.

O proprietário do restaurante que doa a comida, teve o nome resguardado aqui para evitar problemas judiciais. Para ele é preciso que as leis de doações sejam revistas. "Assim como eu, muitos outros donos de restaurantes querem ajudar, mas não podem. É vergonhoso eu ter que omitir o meu nome e o do meu estabelecimento. Mas mesmo estando incorreto, eu vou continuar doando o excedente. Posso esconder o rosto, mas não vou fugir do meu dever de cidadão", desabafa.

Fonte: Ministério da Agricultura
www.fomezero.com.br

 

 

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