Faces
do desperdício
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Captura
de video/ Imagem:Decio Luiz

Tdos
os dias, milhares de toneladas, produtos que poderiam ser reaproveitados,
em vez de serem jogados no lixo sào desperdiçados.
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Brasil
- um império do desperdício de comida
O problema da fome no Brasil não é a falta de comida,
mas a má distribuição de renda no país
Wagner
Fonseca
7 período de jornalismo
Somos uma nação
com clima, solos, riquezas naturais e minerais de dar inveja a qualquer
país de primeiro mundo.
Temos matéria-prima para a industrialização de
inúmeros produtos no exterior. Somos um país certo no
lugar exato, um país realmente bonito por natureza e produtivo
por excelência.
O Brasil
de 177 milhões de habitantes tem reconhecimento internacional,
seja na produção agrícola ou nas indústrias.
Uma nação emergente, um gigante que não está
mais adormecido. Na verdade, somos um "golias" que tem incomodado
muitos países adeptos aos subsídios para a produção.
Uma
boa demonstração da nossa eficiência produtiva vem
das lavouras espalhadas por este "rincão sem fim".
Um
exemplo é a produção de grãos. Na última
safra, as lavouras brasileiras produziram 115,2 milhões de toneladas
de produtos como milho, soja e feijão. Uma colheita farta e cheia
de bons frutos. Para se ter uma idéia da capacidade brasileira
de produzir no campo, nos últimos 13 anos a área plantada
no Brasil cresceu 12% e a produção física, 99%,
ou seja, a produtividade no campo aumentou 74%. Isso significa que produzimos
mais em uma área que pouco cresceu.
O resultado desse crescimento alimentar é explicado pelas tecnologias
aplicadas no campo. Desde pesquisas elaboradas nos mais importantes
laboratórios de empresas especializadas no ramo até o
uso de equipamentos modernos de plantio e colheita. São máquinas
computadorizadas, guiadas por satélites e que, no fim do dia,
emitem o resultado da colheita dando números precisos sobre a
quantidade de grãos colhidos. Uma tecnologia comparada à
mesma utilizada em países como Estados Unidos e Austrália.
Na produção de carne o Brasil é também uma
potência. Em 2002, o país produziu 17,2 milhões
de toneladas de carne ( bovina, suína e aves ) e a quantidade
exportada superou a casa dos de três bilhões de dólares.
Toda essa atividade, conhecida como agronegócio, representou
no ano passado 29% do Produto Interno Bruto, o que gerou mais de R$
424 bilhões. O agronegócio brasileiro gera hoje 37% do
total dos empregos e 41% do total de exportações nacionais.
Mas no Brasil, que tem condições de produzir alimento
para o mundo, existe um contraste grotesco e que em muitas vezes nos
deixa envergonhados. Ao mesmo em tempo que estamos produzindo no campo,
criamos condições que levam diariamente para o lixo milhares
de produtos que poderiam alimentar quem sofre com a fome no país.
Todo santo dia, 39 mil toneladas de comida em condições
de alimentar um ser humano alimentam uma outra boca, a do lixo. O desperdício
é gerado em restaurantes, mercados, feiras, fábricas,
quitandas, açougues e até mesmo dentro de nossa própria
casa. O que se joga fora, é suficiente para dar café,
almoço e jantar diariamente a 19 milhões de pessoas. Os
dados fazem parte de uma pesquisa divulgada pela revista Superinteressante,
na edição de março deste ano. A revista levou em
consideração apenas o que poderia ser aproveitado facilmente,
sem grandes mudanças no processo de produção ou
de distribuição.
Enquanto
muita comida é jogada no lixo, mais de 44 milhões de brasileiros
vivem na linha da miséria. Do total, quase 20% de toda essa gente
efetivamente passa fome no Brasil.
Mas por qual motivo atingimos essa condição desumana e
contrária aos direitos humanos? Para o ministro extraordinário
da Segurança Alimentar, José Graziano, entrevistado durante
as programações da Expozebu, em Uberaba (MG) , a resposta
é o modelo econômico brasileiro que ao longo dos anos concentrou
renda e gerou o desemprego. Ou seja, o problema da fome no Brasil não
é a falta de comida mas a má distribuição
de renda no país.
O resultado desse círculo vicioso, tem sido o surgimento de uma
classe de brasileiros sem condições de garantir a própria
sobrevivência. "Esse mesmo círculo vicioso também
leva parte da população brasileira a consumir menores
quantidades de alimentos e, se não bastasse, faz cair o preço
dos produtos agrícolas. Com isso há o empobrecimento de
milhares de produtores que se vêem obrigados a partir para os
grandes centros", analisou o ministro.