O
preço da morte
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Há família
carentes que não conseguem pagar os serviços funerários
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Dificuldades
financeiras na hora da morte podem ultrapassar a dor da perda
Érika
Machado
6 período de jornalismo
O Dia de Finados
é para muitas pessoas um momento reservado para a reflexão,
momento de repensar a vida e seu sentido; de relembrar a vida de entes
queridos que já partiram. Só em Uberaba, segundo dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no
primeiro semestre de 2003, morreram mil e cem pessoas. No cemitério
São João Batista estão quarenta e quatro mil túmulos
e duzentos mil pessoas enterradas.
As dificuldades na hora da morte podem ultrapassar a dor da perda.
Na hora de contratar uma funerária é preciso ainda pensar
nos gastos. Os serviços incluem a urna, o velório e o
translado para o cemitério. Os preços variam de acordo
com a urna escolhida. As mais simples custam, em média, trezentos
e cinquenta reais, mas para quem busca luxo pode ter um ataúde
de até quatro mil reais. Fábio Pagliaro é dono
de uma funerária da cidade. Ele conta que faz em média,
oitenta velórios por mês, com cerimônias de vários
estilos e preços; tudo vai depender da condição
e da vontade da família.
As formas de pagamento podem ser negociadas. Divide-se em várias
parcelas ou até mesmo faz parte dos planos familiares. Uma taxa
mensal garante todo o serviço funerário. A média
dos planos oferecidos na cidade custam qua-torze parcelas no valor de
seis por cento do salário mínimo. O titular pode incluir
outras pessoas da família, mas enquanto um dos beneficiados estiver
vivo o plano precisa ser pago. Fábio acredita que oitenta por
cento da população da cidade já tenha um plano
familiar (sic).
Dentro destas estatísticas está Ronaldo Assis, mesmo desempregado,
ele mantém o plano que inclui esposa, filhos, mãe e um
irmão. Para ele, é uma forma de se preparar para o imprevisível.
Todos os gastos com o serviço funeral já estão
garantidos, com isso evita-se dor de cabeça e preocupação
para a família em um momento tão difícil.
Mas não são todos que podem contar com essa precaução.
Há famílias carentes que não conseguem pagar os
serviços e que também não têm condições
de manter um plano funerário. Há três anos a Prefeitura
arcava com os serviços funerários dos menos favorecidos,
mas atualmente isso é feito pelas próprias funerárias,
como ação em-presarial de res-ponsabilidade social.
Quatro funerárias da cidade oferecem quatro serviços gratuitos
por mês. A família deve procurar a SETAS e comprovar renda.
Foi o que fez José Roberto Campos. Ele perdeu um irmão
há um mês, e desempregado, sem condições
nenhuma de arcar com o funeral, foi beneficiado pela funerária
que bancou todas as despesas. Se não fosse isso, ele mesmo admite,
seu irmão teria sido enterrado como indigente.
Na contra-mão desta história, Júnior Teixeira,
perdeu a mãe há onze anos, e resolveu fazer algo diferente.
Entre túmulos de famosos, como Chico Xavier e anônimos
como milhares que estão no cemitério São João
Batista, ele construiu uma torre de trinta e um metros de altura. Com
vidros coloridos, fotos, mensagens, bonitas peças e flores, tudo
para demonstrar amor à sua falecida mãe, pois ameniza
a saudade. Ele conta que gosta de chegar lá e se sentir bem,
não pensando na morte como algo triste.
Sejam simples ou sofisticados, os velórios e túmulos ainda
representam a perda de uma pessoa querida, cujos momentos vividos juntos
são marcas indeléveis, estas sim não tem preço
e perpetuam na mente e no coração daqueles que aprendemos
amar em vida.