Yes, nós temos famintos!

O Brasil que produz alimento para o mundo produz também uma classe de miseráveis. Algumas ações podem mudar este terrível quadro social

Wagner Fonseca
6 período de Jornalismo

O combate à fome no Brasil tem superado interesses capitalistas e feito do país um dos mais dispostos em todo o mundo, a combater a mais grotesca chaga social contemporânea. O levante antifome está gerando um sentimento de solidariedade e apoio a quem realmente está inserido na miséria nacional.

Os números da fome no Brasil são divergentes. As informações de institutos se contradizem. Com base nos dados do Instituto Cidadania, ligado ao projeto Fome Zero, existem no país 44 milhões de pessoas que vivem na linha da pobreza. Gente com renda inferior a 1 dólar por dia. E nessa proporção famélica; de 15 a 20% de pessoas, na maioria crianças, efetivamente passam fome.

Na verdade, o Brasil ainda sustenta o mito de país de esfomeados. Mas o que levou um dos mais produtivos países de todo o planeta a ter esse terrível reconhecimento? Por que o Brasil, com clima, solo, riquezas naturais, minerais e condições inigualáveis de produção alimentar, abriga uma grande classe de miseráveis?

Para o Ministro Extraordinário da Segurança Alimentar, José Graziano, entrevistado pelo Revelação durante as programações da Expozebu deste ano , a resposta pode ser o modelo de desenvolvimento brasileiro, que concentrou renda e gerou o desemprego no país. O resultado de tudo isso, tem sido o crescente número de pessoas sem condições de garantir a própria sobrevivência. E nessa famigerada caminhada ao longo dos anos, um círculo vicioso cravado no Brasil, alimenta e empurra para a pobreza extrema milhares de família.

O ministro, sustenta a opinião de que esse mesmo círculo vicioso, também leva parte da população brasileira a consumir menores quantidades de alimento, e se não bastasse, faz cair o preço de produtos agrícolas. Com isso, há o empobrecimento de milhares de produtores que se vêem obrigados a migrar para os grandes centros, a chamada " marcha pela sobrevivência".

O presidente Lula, em discurso durante a abertura da maior feira de gado zebu do país, definiu que há anos, nós brasileiros, alimentamos a idéia de sermos apenas um país de Terceiro Mundo, imaginando que a culpa pela miséria nacional está relacionada com interesses estrangeiros. "Não é mais possível aplicar a culpa da incompetência histórica brasileira nas nações desenvolvidas", declarou o Presidente da República em meio aos gritos de apoio de uma multidão de seguidores.

Em cinco meses de programa Fome Zero, que é a prioridade para este ano do Governo Federal, a arrecadação de fundos para o combate à fome alcançou a casa dos 800 mil reais e milhares de toneladas de produtos alimentares. O programa, segundo o ministro José Graziano, tem criado uma rede de solidariedade em todo o país.

" Essa rede de solidariedade se rompeu ao longo dos anos de crise e de disputa no Brasil. Hoje, nós podemos ter novamente um Brasil que se una em torno de um projeto nacional como o Fome Zero", comentou o ministro.

Mesmo recém-lançado, o Fome Zero tem criado uma consciência igualitária na mente de inúmeros brasileiros. Essa posição de "Bom Samaritano" está congestionado as linhas do "Ministério da Fome". Para se ter uma idéia , a cada dia, uma média de seis mil telefonemas de apoio ao projeto são atendidos no Ministério Extraordinário da Segurança Alimentar( MESA) em Brasília.

 



Solidariedade e desperdício faz o dia a dia dos cidadãos

 


subir