A
Democracia Irracional
Vamos supor que alguém
chega à porta da sua casa e grita que você tem 72 horas
para se retirar e detalhe não voltar mais. Você
olha pela janela e constata que o seu oponente é fisicamente
mais forte e, pior, está com um fuzil AR-15 americano. Provavelmente,
você não arredaria o pé, apesar dos berros e ameaças.
Maniqueísmo à parte, a situação descrita
acima retrata o prenúncio da guerra entre EUA e Iraque. A democracia
irracional do governo Bush e a intolerância de Donald Rumsfield
e Tony Blair são risíveis. Ah, a intolerância
não nos livramos dela. Nem a tecnologia nos salvou nos salvou
do ódio e da fome, das guerras e conflitos no Oriente Médio
que chegam às raias dos versos do Alcorão: "olho
por olho
" Nunca se falou tanto em "democracia",
"diálogo" entre nações e desarmamento.
A ONU, (apesar de ignorada na tensa e chata inspeção de
armas) pareceu aos olhos mundiais um avanço diplomático
quando criada em 1945. Confiamos num século novo. Um engano,
já que a barbárie continua vide o cinismo das "bombas
de precisão cirúrgica" que supostamente não
erram o alvo. Antes, eram trincheiras e fuzis, hoje, armas químicas
e biológicas, além da sofisticada - e temida bomba
atômica. A guerra tornou-se uma caça injustificável
àqueles de cultura diversa e que não toleram a hegemonia
econômica. O resultado é a fome e a peste na Africa, o
caos econômico na América Latina e os infindáveis
conflitos no Oriente Médio. De certa forma, é compreensível
a China ter construído uma muralha e cercado o país durante
séculos.
O editorial do Jornal Revelação nem de longe se mostra
pessimista. Valorizar o ser humano, acreditar na sociedade civil, nas
mobilizações de grupos religiosos e nas organizações
não-governamentais é uma das vertentes para o genuíno
diálogo. A condição humana é essa: pluralidade.
A vida obviamente gera impasses, diversidade cultural e ideológica,
conflitos. Mas sem violência.