Interlúdio
do epitáfio burguês
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Jamil
Idaló Júnior
2 ano de História
"Os valores
universais, na esfera da modernidade, foram dizimados, aniquilados.
Não há mais valores de transcendência, estamos num
funcionamento total, operacional, estratégico. Valores como a
democracia ou direitos humanos são instrumentalizados a serviço
da própria superpotência, que age em contraponto ou mesmo
em contradição com seus próprios valores".
Jean Baudrillard.
Assim
como disse Sartre: "O homem está condenado a ser livre",
em afirmação categórica, me inspira a afirmar:
A burguesia capitalista, agonizante, está condenada à
morte.
A ideologia neoliberal, a partir do momento que contradiz os preceitos
básicos de sua existência, está não obstante,
fadada a se extinguir. Pois os ideais do Iluminismo que norteiam o modo
de vida da civilização ocidental contemporânea,
estão sendo subjugados em prol de uma deslegitimização
da sociedade norte-americana. Ora, se a nação que primeiro
propagou os conceitos dos pensadores das luzes, que antes de todas as
outras cultuou o sincretismo religioso, que defendeu os direitos humanos
como sentido pleno da existência de sua sociedade, nega o liberalismo
de modo tão efusivo, o que sobrará para o resto do mundo?
A partir
do momento em que o imperialismo norte-americano "cria uma guerra",
a fim de principalmente, subsidiar sua fabricação bélica
e retaliar os atentados de 11 de setembro de 2001, sacrificando a vida
de seus soldados, apenas para dar uma demonstração de
força, está realmente demonstrando o descaso com o seu
próprio povo. Renegando os nobres ideais da Revolução
Francesa, base primária de sustentação do "modo
americano de vida". E o envio de cocaína para ser consumida
pelo seu exército, a fim de lhe dar mais coragem, extrapola todos
os limites de respeito à pessoa humana, transforma seus soldados
em autômatos, aliena-os ao sistema, extingui-lhes o livre arbítrio
de serem racionais, para engrandecimento de um império cruel.
Por outro lado, o terrorismo invisível é a decadência
definitiva da cultura ocidental. Não se trata simplesmente das
formas violentas de terrorismo, das explosões, dos homens bomba,
de sociedades famintas de revoltosos. Mas, de algo mais profundo, de
um ideal de combate ao unilateralismo dominante dos EUA. O exemplo que
melhor reflete esta questão é Osama Bin Laden, multimilionário,
parte integrante da elite dominante que, no entanto, se rebela contra
a própria, declara uma "guerra santa" e simbolicamente
humilha a nação poderosa.
Portanto, o combate à superpotência está presente
no imaginário coletivo de toda nação que sofre
com a opressão norte-americana, criando com isso um inimigo poderoso,
fantasmagórico, invisível e desaparecido entre a população.
Como combatê-lo?
A disjunção da sociedade dos EUA face aos seus ideais
e o crescente terrorismo internacional, somados à globalização
política e econômica mundial e ao contrabando de drogas
e armas, está pondo em xeque a civilização ocidental.
Então, se estamos realmente condenados a sermos livres, resta-nos
a tarefa de nos modificarmos estruturalmente e sociologicamente, de
preservarmos a natureza, de lutarmos por uma melhor distribuição
de renda e, principalmente, de valorizarmos a dignidade humana.