Mancha
negra no New York Times
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Divulgação
(http://www.unbrandamerica.org)

Glória subversiva: grupo comprou uma página inteira
do New York Times para veicular símbolo anti-consumista
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Ativistas
canadenses e americanos proliferam símbolo contra o consumismo
e a política imperialista de Bush
André Azevedo da Fonseca
4 período de Jornalismo
"Nos próximos
meses, uma mancha negra pipocará em todos os lugares
em
vitrines de lojas e bancas de jornal, em bombas de gasolina e prateleiras
de supermercados.
Abra
uma revista ou jornal a mancha está lá. Está
na TV. A mancha negra suja logomarcas e lambuza o centro nervoso das
maiores e mais sujas corporações."
Esse borrão atrevido que multiplica-se desenfreadamente pelo
planeta é uma das últimas e mais criativas campanhas "anti-publicitárias"
de um grupo que desde 1989 tem desenvolvido formas inusitadas de subversão:
os Adbusters (em uma tradução aproximada, algo como os
Detonadores ou Zombadores de Propaganda).
No dia 3 de julho deste ano véspera do dia da independência
dos EUA - esses agitadores alcançaram a insolência
suprema! A petulante mancha negra apareceu escandalosamente em uma página
inteira do New York Times, um dos jornais mais influentes do planeta.
"Porque meu país vendeu sua alma para o poder das corporações;
porque o consumismo se tornou nossa religião nacional; porque
nós nos esquecemos do verdadeiro sentido da liberdade; e porque
hoje patriotismo significa concordar com o presidente; eu prometo fazer
o meu dever
e trazer meu país de volta", escreveram.
Mas que diabo de mancha negra é essa? O que significa afinal?
A Adbusters Media Foundation é uma rede global de artistas, escritores,
agitadores, estudantes, educadores e empresários que discutem
e realizam formas criativas de ativismo para combater a lógica
do consumismo e promover a crítica da cultura de massa. A fundação
publica uma revista, sediada em Vancouver (Canadá), opera o site
adbusters.org e oferece serviços de publicidade criativa através
da agência PowerShift.
O grupo desen-volve diversas campanhas de conscientização
simbólica que são executadas no decorrer do ano. Na Buy
Nothing Day (Dia Não-compre-nada), realizada no dia 24 de novembro,
teatros de rua organizados por ativistas surgem repentinamente de qualquer
lugar e fazem performances enquanto outros picotam cartões de
crédito e distribuem panfletos para divulgar mensagens incentivando
o debate sobre o consumismo. A TV Turnoff Week (Semana da TV Desligada)
acontece de 21 a 27 de abril e tem o objetivo de incentivar pessoas
a firmarem um compromisso de desligar os aparelhos de TV durante uma
semana e, assim, ter a oportunidade de realizar outras formas de lazer.
Para viabilizar essas e outras campanhas ecológicas, educacionais
e de conscientização em relação aos meios
de comunicação, a fundação arrecada doações
voluntárias e compram espaço publicitário nas grandes
mídias para veicular as "anti-propagandas". Evidentemente,
muitas delas são terminantemente recusadas pelos veículos.
A MTV, por exemplo, não aceitou a veiculação da
TV Turnoff Week por considerá-la "inapropriada".
A campanha Unbrand America (algo como Desmarque a América)
essa da famigerada mancha negra tem o objetivo de simbolizar
e tornar explícita a indignação contra a ideologia
bélica e consumista que tem orientado a política e a sociedade
americana.
O manifesto recentemente divulgado no unbrandamerica.org explica que
"esta é a marca de pessoas que não aprovam o plano
de Bush para controlar o mundo, de quem não quer países
"libertados" sem o suporte da ONU, de quem não pode
mais permancer ingênuo perante as bravatas empurradas garganta
abaixo." O texto diz também que essa marca simboliza as
"pessoas que querem o protocolo de Kyoto para o meio ambiente,
que querem o Tribunal Penal Internacional por uma maior justiça,
que querem um mundo onde todas as nações, incluindo os
EUA, sejam livres de armas de destruição de massa".
A "glória subversiva" de estampar a mancha negra em
uma página inteira do New York Times custou aos agitadores U$47
mil dólares a campanha individual mais cara que fizeram
até hoje. O próximo passo do grupo é "despejar
toda a energia" para conseguir veicular a mancha negra em "bombardeios
mentais" na CNN e outras grandes redes de TV mundiais. Uma galeria
com fotos, cartazes e peças para TV estão disponíveis
no site http://www.adbusters.org.