Sultan
Mattar: Cinqüenta e dois anos
de dedicação a Universidade
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Foto:
Luis Felipe Silva
Professor
Sultan Mattar será homenageado pelo seu Jubileu de Ouro
na Universidade.
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Luis
Felipe Silva
4 Período de Jornalismo
Sultan Mattar decidiu ingressar na área da odontologia, devido
a sua natural habilidade com as mãos. Na época, ele ganhava
dinheiro fazendo trabalhos artísticos, que variavam de artesanato
até desenhos comerciais. "Me parecia certo optar pela odontologia
naquele primeiro instante, visto que sempre considerei aquela profissão
como uma profissão artesanal" recorda. Mesmo depois de ingressar
na faculdade, ele não abandonou os dotes artísticos, continuando
a desenhar, pintar, escrever e principalmente foto-grafar. "Em
um certo momento me tornei fotógrafo oficial do Dr. Mário"
brinca. Hoje ele inicia o aprendizado na área de edição
de vídeo, desafio este que está achando muito interessante.
Cinqüenta e dois anos atrás, Sultan Mattar chegava a Uberaba
para assumir a chefia do Posto Dentário do SESI. Coincidentemente,
a recém inaugurada Escola de Odontologia precisava de professores
na área de patologia. Muito bem indicado pelo professor Ubiratan
Viana de Novaes, Sultan acaba conseguindo a vaga. Inicialmente ficaria
aqui por apenas seis meses, mas acabou tomando gosto em lecionar. Começava
ali uma história que se confunde com a história da Uniube.
Rapidamente ele percebeu que aquela era mesmo a profissão certa.
Tão logo consegue se formar, o prestígio que ele adquire
durante o curso faz com que ele acabasse se mudando para Uberaba. Sultan
não conhecia a ci-dade, e não imagi-nava ficar aqui por
mais tempo que os seis meses iniciais. Mas tão logo começou
ministrar aulas práticas na Policlínica da Faculdade,
ele percebeu que havia nascido para a vida acadêmica. Ensinar
era um enorme prazer, e Mário Palmério insisti para que
ele continue. A relação entre os dois era a melhor possível,
de respeito mútuo, mas era só ficarem juntos para começarem
a discutir. "Era uma peculiaridade de Mário Palmério,
ele adorava discussões e queria sempre saber a opinião
dos outros" relembra.
Entre as discussões e o bom campo de trabalho, Sultan decide
ficar. Agora ele enxergava a oportunidade de crescer aqui, construir
uma carreira. Essa preocupação faz com que ele tente estar
sempre atualizado, conhecendo as novas técnicas da profissão.
Para isso, ele abria a mão de suas férias para ir até
Belo Horizonte participar de cursos de reciclagem.
Com essa filosofia de estar sempre melhorando, Dr. Sultan foi conquistando
a confiança do reitor, que decidiu promovê-lo. "A
partir dali, assumi quase todos os cargos possíveis dentro da
Universidade" brinca com um fato que não chega a ser um
grande "exagero". O primeiro cargo que o professor assume
foi o de Chefe da Policlínica Getúlio Vargas, que segundo
Mattar, ganhou este nome em gratidão ao ex-presidente, que ajudou
a equipar a faculdade com materiais importados da Alemanha. Logo depois,
juntamente com o professor Mário Palmério, ele cria a
Escola de Educação Física. Uma característica
sua, sempre foi a de trabalhar nos mais diversos campos. "Naquela
ocasião, eu como um entusiasta dos esportes reparei que não
havia nenhum curso de educação física na região"
explica.
O tempo ia passando, e novos cargos iam chegando as mãos de Sultan.
Assim ele assume a coordenação dos mais diversos cursos,
que não tinham nada a ver com a área da odontologia, sequer
a de saúde. Chegou a dirigir inclusive cursos da área
de humanidades. Entre tantos cargos, os que ele julga terem sido mais
importantes são o de Diretor do Curso de Odontologia, Vice-diretor
Geral da Fiube, e Vice-Reitor da Uniube, cargo que exerceu de 1988 até
1990.
Mesmo tendo recebido tantas tarefas diferentes, Sultan Mattar não
deixava de dar aulas. "Eu realmente gostava de lecionar" afirma.
Só parou em 1977, pois seus outros compromissos o impossibilitaram
de continuar.
Nesses 52 anos presente na instituição, o professor pode
notar incontáveis transformações, tanto no próprio
espaço físico da faculdade, quanto no comportamento dos
jovens. No início, 90% dos estudantes matriculados eram homens.
Hoje a maioria de estudantes em praticamente todos os cursos pertence
ao sexo feminino. Outra mudança que ele pode perceber é
a irreverência dos jovens, que só se fez crescer, já
que antigamente, eles não tinham coragem nem de olhar para os
lados, tamanho era o respeito pela figura do professor.
Prestes a ser homenageado pelo seu Jubileu de Ouro na Universidade,
pelos alunos de odontologia que se formaram em 1953, Sultan Mattar diz
que o seu ciclo dentro da instituição está completo.
"Não consigo me ver longe daqui. É a minha segunda
casa, mas não quero mais assumir novas respon-sabilidades"
conta emocionado. Hoje ele é Coordenador Executivo dos Processos
Seletivos. Confessando ter se transferido para esta área por
achar que teria mais tempo para descansar, o coordenador se surpreende
com a expansão do processo. "Estou trabalhando cada vez
mais!" reconhece com alegria, dizendo ainda ser melhor assim, pois,
depois de tantos anos de trabalho, não saberia viver parado.