O rock como estilo de vida

foto: Luis Felipe Silva


Nos anos noventa, professor de guitarra tocou muito rock 'n roll em bandas como Segundo Combinado.

Professor de guitarra, Régis vê passar pelos seus olhos um pouco da história do rock

Luis Felipe Silva
4 período de Jornalismo


Régis Vital de Faria parece mesmo ter nascido para ser músico. Quando completou três anos já sonhava ganhar um violão, mas só aos oito podeganhar o presente, graças a sua insistência e teimosia frente aos pais. Mas a verdadeira paixão pela música ele só foi encontrar na terceira série do ensino fundamental, quando escutou pela primeira vez discos do Iron Maiden e Saxon. Foi amor a primeira audição! A partir daquele momento Régis não parava mais de sonhar em ser um "rock star".

Entretanto, todos o julgavam muito novo para gostar de rock! "Este garoto ta só de onda, nem sabe o que é rock! Sai daqui moleque!" diziam os rockeiros mais velhos, com quem Régis passou a conversar procurando conhecer novas bandas. Com o tempo os marmanjos se acostumaram com a presença daquele menino entre eles, e também passaram a respeitá-lo. "Eles perceberam que estava falando sério" diz Régis com convicção. Foi nesta época também que passou a ter suas primeiras aulas de violão, que duraram apenas três meses. Com o primeiro pro-fessor, que Régis con-fessa nem lembrar o nome, aprendeu os primeiros acordes, mas não as músicas que queria tocar, já que aquele mestre nem as conhecia. Sem pestanejar, ele deixa as aulas, pega seus discos e tenta tirar as músicas "de ouvido". "Sempre tive um bom ouvido para a música. As poucas aulas que peguei foram de teoria. Aprendi a tocar sozinho" revela o guitarrista.

Quem não gostava daquela história de guitarrista de banda de rock eram seus pais, que ficavam horrorizados ao verem as capas de discos das bandas que ele gostava. Quando o filho decidiu deixar o cabelo crescer então foi outra briga. "Meus pais achavam que aquilo era coisa do demônio" recorda aos risos. "Mas não posso os culpar, o estereótipo de quem gostava de rock sempre foi de pessoas que usavam drogas e cultuavam demônios" constata. Régis acabou sendo obrigado a freqüentar o ensino religioso. Seus pais acreditavam que assim o filho poderia esquecer aquela música "doentia".

De nada adiantou, e Régis agora queria uma guitarra. Mas para conseguir convencer os pais a lhe darem aquele presente teve de ser muito mais paciente, pois seu pai já não agüentava mais este papo de ter um filho rockeiro. Mas o garoto era insistente, e sempre emendava as conversas com a pergunta "Pai, quando você vai me dar uma guitarra?" deixando o pai constrangido na frente de todos. Estava ficando difícil achar uma saída.

Aos quatorze anos, ao chegar em casa da escola, Régis escuta a seguinte frase: "Tem uma coisinha pra você no seu quarto!". Nem precisava dizer o que era, ele tinha certeza, era sua guitarra! Tudo bem que não era uma guitarra de ponta, longe disto, mas era a sua guitarra, agora ele podia formar aquela sonhada banda de rock!

Quando completa dezesseis anos, Régis e sua família se mudam para Uberaba. Ele era o mais apreensivo: naquela pequena cidade de interior existiriam pessoas que gostavam de rock? Nas primeiras semanas não encontrou ninguém, o que o deixou ainda mais preocupado. Foi quando começou a tra-balhar para ter seu próprio dinheiro. A guitarra teve de ficar para os finais de semana, mas em compensação o dinheiro que recebia era investido em equipamentos de som. "Vendia minha férias para comprar um pedal" conta, mostrando mais uma vez como estava decidido a se tornar músico.

 

O segundo combinado

Régis: o professor

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