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O
herói dos glóbulos em foice Portador
de anemia falciforme, Paulo Roberto da Silva constrói sua vida
enquanto desafia a morte a cada esquina Graziela
Qual
foi a última vez que você se irritou porque alguma coisa
que você queria não deu certo? Você já parou
para pensar se você reclama de tudo? Será que acha que
o universo está sempre contra você e que seus problemas
são maiores que os de todo mundo? Talvez seja a hora de refletir
e parar de se lamentar tanto. Muita gente consegue superar suas dificuldades,
dar a volta por cima e continuar seu caminho. Ouvir
o que ele tem a nos dizer, com tanta alegria e tantos sorrisos, é
sentir que podemos superar tudo. Que somos fortes o bastante para vencer
qualquer barreira, qualquer degrau... Dentro
dos glóbulos vermelhos existe um pigmento chamado hemoglobina,
que é responsável pela retirada do oxigênio dos
pulmões. Em forma de foice, os glóbulos vermelhos ficam
mais alongados e nem sempre conseguem passar através de pequenos
vasos, bloqueando-os e impedindo a circulação de sangue
nas áreas ao redor. Como resultado, causa danos aos tecidos e
provoca dor. Se a dor for muito forte, o falcêmico (como é
conhecida a pessoa portadora) tem que ser internado. O menino
foi encaminhado as pressas para o Hospital da Criança, onde ficou
internado por 40 dias, na UTI, todo engessado. A doença foi tratada
como desvio de coluna e se agravou. Só mais tarde é que
se constatou que se tratava de uma anemia falciforme. Mas
as professoras não deixavam Paulo desanimar. Iam até sua
casa para ensinar-lhe e aplicar-lhe as provas. Apesar do esforço,
às vezes, Paulo entrava numa dessas crises. "Eu ficava fora
de mim, perdia os sentidos. Quando voltava, as carteiras estavam quebradas,
os meninos gritando, desesperados. Mas eu não conseguia me lembrar
de nada, não sabia porque fazia aquilo." Para
contornar as crises, Paulo fez um tratamento em um hospital para doentes
mentais. Tinha que tomar remédios muito fortes, mas conseguiu
superar esses momentos. E mesmo
com tanta dificuldade, Paulo decidiu voltar a estudar. Tinha abandonado
a escola em 1982 quando estava na 5» série e voltou em 1993.
"Eu vi que o esforço físico não me ajudava.
Então pensei: vou estudar um bocadinho e desenvolver mais",
disse. Paulo
conta que um assunto do momento pode servir de inspiração
para suas poesias, que ele gosta de chamar de frases. "Quando paro
uns cinco minutos para pensar, já surge. Gosto de pegar a caneta
e escrever para não ficar perdido no ar." Mesmo assim, algumas
se perderam, por isso, Paulo gostaria de gravá-las em uma fita. Paulo
disse ter mais ou menos 30 poesias. Quando ele vê que uma está
ficando parecida com outra que ele já escreveu, ele joga fora;
não gosta de repetir. Para
esse "inventor de frases", escrever é um momento muito
especial, onde ele consegue criticar uma situação, falar
o que ele pensa. "É como se eu estivesse me colocando nas
entrelinhas, me vendo ali. É uma coisa que sai de dentro. Se
eu tô com raiva, eu consigo colocar no papel, se eu tô feliz;
eu também escrevo." |
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