Luta,
Amor e Traição se cruzam na história de Madá
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foto: Karine
Rogério

Maria Madalena
Prata Soares é uma daquelas pessoas que nos emociona ao
contar sua vida
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Nascida
em berço católico estava
predestinada a seguir os costumes da época. Madá tinha
outros planos para sua vida, participar da revolução socialista
do país
Denise
Nakamura
4 período de Jornalismo
Maria Madalena Prata Soares é uma daquelas pessoas que nos emociona
ao contar sua vida. Durante a ditadura militar no Brasil, ela viveu
uma história recheada de ação, amor e traição.
É de impressionar a maneira como Madalena encarou todos obstáculos
que se colocaram em seu caminho.
Maria Madalena, conhecida como Madá, tinha dois irmãos
militantes e, antes mesmo de terminar o curso normal, já fazia
parte de uma pré-organização, a Juventude Estudantil
Católica. Ela dava aulas para crianças carentes no colégio
Nossa Senhora das Dores e para adultos na Igreja São Domingos.
Não queria terminar o colégio, se casar e levar uma vidinha
comum. Até que, em 1966, com apenas 18 anos, assim que se formou,
foi estudar jornalismo na Universidade Federal de Belo Horizonte. "Minha
idéia na cabeça era que eu ia participar da revolução
socialista do país. Eu queria mudar o país", diz.
Entrou na Universidade e logo trocou o curso pela militância.
Fazia parte da Ação Popular Marxista Leninista
a AP (a AP nasceu entre jovens militantes e agremiações
da Ação Católica; em junho de 1962 fez seu lançamento
em Belo Horizonte; sua bandeira era o "socialismo humanista").
Seguindo o caminho que havia começado em Uberaba, Maria Madalena
ensinava adultos no Bairro São Bernardo, uma favela em Belo Horizonte.
Além da alfabetização ela e outros militantes faziam
o que chamavam de conscientização política. Eram
discutidos com os alunos, por exemplo, seus direitos como trabalhadores
e a verdadeira realidade do país.
Depois de alguns meses, sem abandonar a educação, sentiu-se
preparada para participar da campanha contra o desfavela-mento. "Virou
rotina o governo tirar a favela de um lugar, transformá-lo em
bairro de classe média e coloca-la em outro. Nós queríamos
criar resistência ao po-der do Estado". Assim, Maria Madalena
ficou todo o ano de 1967 fazendo esses dois trabalhos.
Logo no início do ano a repressão política ficou
mais séria. Madá foi presa pela primeira vez em maio do
mesmo ano (1967), na casa de um companheiro onde foi buscar dinheiro
para um casal militante sair do Brasil. Ela e todas as pessoas que esta-vam
na casa foram levadas para o DOPS (Departamento de Or-dem Política
e Social). Madalena inventou uma des-culpa, mas, mesmo assim, ficou
presa durante quinze dias até que o pai de duas amigas, que também
foram presas, conseguiu tirá-las de lá.