Irmã
Anita: uma vida dedicada ao próximo
|
Arquivo
pessoal

Irmã Anita na rua onde começou a construção
da creche, em 1979.
|
Igreja
São José Operário, juntamente com a Creche Comunitária
Dona Marta Carneiro e com o Centro Comunitário Materno São
José Operário, são realizações de
anos de trabalho e dedicação à comunidade
Karine Rogério
4o período de Jornalismo
"Foi com os
Franciscanos que despertei para aprender muito para ajudar o outro",
assim lembra irmã Anita, com voz pausada e suave, do início
da década de 40, quando estudou um ano do "ginásio"
em Jardinópolis com os Franciscanos. De sua infância, ela
recorda que teve uma família feliz, e fala em especial de sua
mãe muito exigente e de seu pai bastante compreensivo. Irmã
Anita aprendeu a viver na presença de Deus mesmo com seus pais
frequentando a igreja apenas exporadicamente. Ela sente saudades de
quando era Soldadinho de Cristo: "nós cantávamos:
Valentes soldadinhos precisamos combater os defeitos mais daninhos pra
gente dar só prazer...".
Quando jovem, participou da Ação Católica onde
integrou-se à Juventude Estudantil Católica e à
Juventude Independente Católica. Foi no Colégio Nossa
Senhora das Dores, onde sempre estudou, que a irmã decidiu-se
pela vida religiosa por ter se apaixonado por Jesus, São Paulo
e São Domingos. Ela também revela que grandes líderes
da História Antiga serviam-lhe como modelo, "eu não
me esqueço de Demóstenes que era gago e foi para a beira
do rio falar até conseguir se dominar. Aquilo me marcava, quer
dizer, nós somos capazes e até um defeito físico
podemos mudar".
Logo no início de sua vida religiosa, em meados dos anos 50,
mudou-se para a França, onde morou por três anos. Quando
voltou ao Brasil, residiu na região Sudeste, Centroeste e Norte.
Irmã Anita conta que trabalhou muito nesses lugares, "tinha
uma dedicação e um amor muito grande por aquele povo,
nós tínhamos o desejo constante de formar lideranças,
queríamos que houvesse muitos brasileiros conscientes. Assim
criávamos oportunidades para que os alunos também pudessem
viver esse ideal". Morou também no Paraná e no Rio
Grande do Sul, onde conta que despertou para uma ação
consciente politizada, "foi quando a Teologia da Libertação
estava com toda força e impulsionava uma ação consciente",
conta a irmã.
Irmã Anita voltou para Uberaba em 1976 com uma enorme vontade
de trabalhar nas chamadas Comunidades Eclesiais de Base. "Junto
com a irmã Terezinha descobrimos o Gameleira e mudamos para lá.
A região era composta na maior parte pastos, as casas eram barracos
de retalho de madeira e lata aberta. Não tinha água encanada,
usávamos cisterna e a energia elética não era limitada,
andávamos com lamparina para fazer reunião com o povo".
Há vinte e oito anos ela trabalha em prol da comunidade carente
do bairro Gameleira, na periferia de Uberaba.