Enfim,
descobrimos o Brasil!
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Arquivo revelação

"A
verdade Ž que perder 10 minutos de sua aula Ž uma grande perda."
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Professora
Eliane Marquez traz vida e paixão ao ensino da História
do país
Jamil Idaló
Júnior
2 ano de História
A grande discussão
atual e um dos paradigmas da educação neste inicio de
século é a postura do professor/educador. Segundo Rubem
Alves, o professor é um especialista no domínio de técnicas,
enquanto o educador traz consigo a vocação, a paixão
em ensinar. Nessa mesma linha de raciocínio, Carlos Rodrigues
Brandão diz que o objeto central do ensino é o aluno,
e não o conhecimento, que para o primeiro devem ser dadas todas
as atenções, para que ele possa ter um maior discernimento
sobre o segundo. Extrapolando esta dualidade professor/educador, encontramos
o mestre. Pois se o professor/educador tem alunos, o mestre tem discípulos.
E é exatamente centrada na figura da mestra Eliane Marquez, da
qual me sinto honrado e orgulhoso de ser seu discípulo, que discorrerei
minha narrativa.
A maioria dos estudantes de História se interessa pela disciplina
por causa da Idade Média. A arquitetura gótica de seus
castelos e igrejas, os interessantes embates de espadachins, o deslumbrante
vestuário da época e o enigmático poder da Igreja
sobre a sociedade do medievo são símbolos que povoam a
imaginação e que fazem seus estudantes optarem por esta
Ciência. A História do Brasil, quase sempre, está
em segundo plano: é apenas uma coadjuvante ofuscada pelo brilho
da História Geral. Isto porque nunca assistiram a uma aula da
mestra acima citada!
Sua preocupação em nos ensinar "a História
que não foi contada" ou o "outro lado da História
do Brasil", quebra o mito de que nossa História é
mentirosa. Quando sou questionado por outras pessoas do porquê
de estudar uma disciplina tida como enganosa, respondo-lhes que isto
não é verdade, que a maioria do povo não conhece
realmente nossa História. Pois nossa oligarquia dominante, de
posse de uma ideologia positivista, quase sempre mascarou nossas verdades.
Concomitantemente a isto, os jargões utilizados pela referida
mestra, tais como: "vou contar uma fofoca histórica",
quando aborda fatos de figuras históricas ilustres, que não
aparecem na historiografia, ou "Agora vocês vão levar
um susto", quando sabe que vai dizer algo contraditório
ao que conhecíamos anteriormente, ou até mesmo quando
diz "Eu, Eliane, amiga de vocês...", quando quer dar
sua opinião pessoal sobre assuntos que foram explorados de outras
formas por historiadores anteriores a ela, inserem no nosso contexto
curricular peculiaridades ímpares, que nos auxiliam numa melhor
compreensão do conteúdo do conhecimento estudado.
Pois seu objetivo é fazer com que tenhamos "orgasmos intelectuais".
Sua variação de dinâmica de aula também contribui
de modo efetivo para que não fiquemos numa mesmice, que tornaria
as aulas desinteressantes. Soma-se a isso sua preocupação
com a formação continuada, sempre procurando novas abordagens
históricas de assuntos muito explorados e levando-as à
sala de aula para nossa apreciação. Tudo o que foi acima
citado contribui para despertar em nós um grande interesse em
estudarmos nossas raízes, para que de posse desses conhecimentos
tenhamos condições de contribuirmos para transformarmos
o real. Entretanto, a meu ver, o grande mérito da mestra é
a sua preocupação com a aprendizagem da turma em um todo,
pois de nada adianta alguns aprenderem e outros não.
Talvez ao citar estes fatos, tenha dado a impressão de querer
elogiar em demasia minha professora, mas isto não é verdade.
A verdade é que perder 10 minutos de sua aula é uma grande
perda. E que a mesma é um exemplo a ser seguido por todos nós.
Tomo a liberdade de plagiá-la, dizendo que, ao falar de sua pessoa
através do jornal-laboratório do curso de Comunicação
Social, estou realizando uma "fofoca histórica!" E
que imagino que, quando ela ler este artigo no Revelação,
"vai levar um susto!"