Modernidade e conhecimento responsável

Newton Luís Mamede

Todos os que lêem nossos pronunciamentos neste espaço atestam o quanto nos preocupamos com o novo, com a necessidade de contínua renovação que deve pautar a vida humana, em todos os aspectos. E, em especial, em nosso campo de atuação direta e imediata: a universidade.

Já o nosso artigo de estréia intitulava-se Universidade nova, em que chamamos a atenção para essa necessária atualização e adaptação aos tempos modernos. A ele seguiram-se outros, como Reforma universitária (I e II); Novos tempos, novos cursos; Universidade revolucionária; Estudos clássicos e atualidade (I e II); Universidade presente, e tantos outros, sempre sob a mesma inspiração e com o mesmo objetivo: destruir o velho e construir o novo, acompanhar o progresso e a evolução da sociedade, ajustar a universidade aos momentos históricos da progressiva modernidade. São artigos que alertam para permanente atualização que a universidade deve perseguir, para não entrar em processo de desprestígio e de falência.

Todavia, um aspecto que precisa ser considerado é o de que modernidade não implica negação de valores universalmente consagrados, sejam sociais, culturais ou éticos; nem superficialidade; nem, muito menos, descompromisso com a verdade – se nos permitem o termo. O traço de moderno não anula a seriedade e a responsabilidade que devem presidir o estudo sério e profundo que descobre a verdade e conduz à ciência. O traço de moderno não significa submissão a falsos paradigmas nem a falsos argumentos de autoridade, ditados por "inovações" da moda, destituídas de fundamento e de verdade.

Ser moderno não significa destruir ou abolir verdades tradicionais e clássicas evidenciadas pela ciência, simplesmente sob o argumento de serem "antigas", nem aderir a modernos, mas vazios procedimentos didáticos ou pedagógicos, que não conduzem ao conhecimento da verdade ou inventam "verdades" suspeitas e levianas. Ser moderno não significa praticar o descaso para com os conceitos universais que sustentam a sabedoria humana, nem adulterar o conceito de ética, para adaptá-lo aos antivalores de uma moderna sociedade materialista, imediatista e hedonista. Não é esse tipo de modernidade que deve inspirar e mover a universidade moderna.

A modernidade universitária, para ser legítima, válida e respeitada, deve conviver, necessária e harmonicamente, com a responsabilidade, para tornar também legítimo, válido e respeitado o conhecimento que se pratica sob a égide dela mesma – a modernidade. Conhecimento confiável não depende de rótulos que adornam métodos e autores, depende apenas do compromisso com a verdade. E a verdade não tem idade: é ela mesma, independentemente do tempo.


Newton Luís Mamede é Ombudsman da Universidade de Uberaba
 

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