Os Jovens e a Previdência

Foto: José Cruz/Agencia Brasil

Ricardo Berzoíne, o misnistro da Previdência Social, é um defensor de reformas estruturais no sistema

As mudanças da reforma da Previdência parecem estar longe da realidade dos jovens, mas afetam diretamente o futuro deles

Erika Machado

6 Período de Jornalismo


É provável que nós jovens universitários, no momento só estejamos pensando no tão sonhado diploma e na realização dos projetos profissionais idealizados nos anos de faculdade. Assim que ganharmos o mercado de trabalho, o único interesse parece ser o de trabalhar e con-quistar a independência financeira e pessoal.

Mas vai chegar o dia em que preci-saremos pensar na nossa aposentadoria, então parece ser melhor que desde cedo, haja uma preocupação com o dia em que, enfim, poderemos desfrutar dos resultados da dedicação em estudos e trabalho.

Pode ser muito cedo para falar no assunto, se preocupar com aposentadoria quando se está na faculdade ou começando a trabalhar parece exagero, mas com tantas mudanças já ocorridas na previdência social brasileira, o assunto virou motivo de muita discussão. E quem tem uma longa carreira pela frente, não pode se excluir de tal preocupação.

A reforma da Previdência já causou indignação aos servidores públicos federais que se organizaram em várias manifestações. Em Uberaba servidores do Hospital Escola, do INSS e da Receita Federal suspederam os atendimentos ao público em manifesto contra a reforma. O medo da aprovação foi tanta que os pedidos de aposentadoria aumentaram em 70% de acordo com a coordenadora do Departamento de Recursos Humanos do Hospital Escola.

As manifestações foram inúteis, na último dia 6, a reforma foi aprovada pelo Senado e pela Câmara, agora as mudanças só dependem do segundo turno de votação para ser levada à sanção presidencial.

Quem não gostou muito da notícia foi Dona Maria Inêz Macedo que trabalhou por 28 anos no serviço público federal e hoje está aposentada. Revoltada ela conta que terá descontado 11% do benefício que recebe. Ela diz que assim como os outros funcionários públicos do governo, está há oito anos sem reajuste salarial, o último, de 1% anunciado neste ano, ainda não chegou ao contracheque.
Casada pela segunda vez, mãe de duas filhas e avó de três netos, viu o nível de vida cair nos últimos anos. Precisou fazer cortes no orçamento doméstico. A aposentada reclama que até o lazer precisou ser deixado de lado.
Mesmo causando tanta indignação a reforma da previdência foi aprovada, e há explicações para os motivos das mudanças.

O advogado Paulo Leonardo explica que a reforma é necessária porque o Instituto Nacional do Seguro Social ( INSS), arca com todas as despesas tanto dos funcionários públicos, quanto dos privados, através dos descontos das carteiras de trabalho e ainda banca os pensionistas.

Se continuasse com tantas despesas, em dois anos a Previdência não teria dinheiro para pagar mais nenhum trabalhador. Paulo acredita que o país esteja caminhando para a previdência privada que complemente a aposentadoria paga pelo governo, mas para isso algumas leis precisam ser regulamentadas.

E o advogado parece estar certo, segundo o corretor de previdência privada, Àureo Francisco de Oliveira, houve um aumento de 60% nos negócios. Ele explica que a população ainda não tem uma consciência de se preocupar com a aposentadoria, todo mundo prefere confiar na Previdência pública. Áureo conta que os corretores ainda têm que correr atrás dos clientes, mas depois que estes conhecem as vantagens dos planos resolvem investir neste tipo de aposentadoria. Diferente do INSS, na Previdência privada, durante o tempo que quiser a pessoa deposita qualquer quantia que garanta uma reserva, e a partir dos 50 anos, o dinheiro pode ser retirado.

Foi o que fez Anderson Eugênio de Oliveira, que, com apenas três anos de formado, ele já tem um plano de previdência privada. Mesmo tendo descontado mensalmente do salário, o valor da contribuição ao INSS, o engenheiro agrônomo buscou um plano privado que futuramente vai complementar a aposentadoria. Cedo demais para pensar nisso? Para ele é a antecipação que vai garantir uma aposentadoria melhor e mais tranquilha.

Já o estudante Luiz Flávio Assis Moura, que faz seu primeiro ano de faculdade tem mais preocupação com as dificuldades com o mercado de trabalho do que com a aposentadoria. Ele pretende trabalhar na área acadêmica e por isso acredita que as mudanças podem afetar futuramente, mas por enquanto não tem uma idéia definida sobre isso.

 

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