Artista Plástico experimeta texturas em metais

Divulgação

Trabalhos com oxidação de Paulo Rezende permitem realização de uma obra aberta

Sana Suzara
7 período de jornalismo

Paulo Rezende, artista plástico, morou no Rio de Janeiro por trinta anos e agora está de volta a Uberaba, sua terra natal.
A família é uberabense, tem alguns negócios na cidade, mas sua paixão, é dedicar-se a arte.

Desde a cidade maravilhosa, até hoje, vive exclusivamente da arte. Sempre trabalhou com textura na tela, colocando diversos materiais para pro-duzir relevos. Atual-mente, o artista utiliza oxidação, um trabalho recente em sua vida, que partiu de uma observação. Estudou os efeitos do desgaste provocado pelo tem-po, e confessa que a expectativa de ver as contínuas mudanças lhe fascina.

O metal provocado faz texturas, técnica esta, utilizada por outros artistas, mas com gás carbônico que é mais fácil oxidar ferro. "Eu queria trabalhar com metais nobres. Foi necessário um estudo mais aprofundado para saber que materiais poderiam ser utilizados para se obter o efeito de coesão desejado", diz Paulo Rezende.

"Esse é um processo contínuo, onde está sempre em oxidação, pois o processo de modificações e altera-ções afeta até na coloração da obra, obtendo um novo quadro para sempre", explica Paulo.

Para fazer os trabalhos, ele usa outros componentes para a confecção das telas. É o caso de materiais minerais, como: terra, tinta xadrez, pigmento, chapa de ferro, sobras de materiais já em processo de corrosão ou mesmo uma chapa virgem que provoca a oxidação.

Segundo Paulo, algumas pessoas olham suas telas e ficam procurando o óbvio e em Uberaba muitos acham seu trabalho curioso, diferente. Ele os classifica como contemporâneo, pois foge das formas de como eram feitos os trabalhos anteriores.

Tem a presença de obras de linhas geométricas, não são figurativas com uma linguagem própria. Ora uma simétrica, outra não simétrica. As linhas paralelas também chamam bastante atenção.

O artista, estudou no Rio de Janeiro na Escola de Artes Visuais. Com estilo contemporâneo e inovador, na década de 80, a escola apresentou alguns artistas que revolucionaram a forma de pintar no Brasil. Paulo afirma que desde seus pri-meiros contados percebeu que gos-tava do trabalho ges-tual do que a reprodução de imagens.

Na infância, a obra de Picasso chamava a atenção do artista plástico, principalmente Guernica, que conferiu durante uma das viagens que fez ao exterior. "Tive a oportunidade de apreciar obras de outros artistas renascentistas, clássicos e a presença de arte contemporânea, que é raro encontrar nos museus", comenta.

Um de seus primeiros trabalhos foi o gestual que utiliza movimentos como: jogar tinta na tela, com um rítmo-fórmico. Para o artista, uma reprodução é a imagem de algo que tem definição fixa e se fizer uma que não existe é a retratação do artista. Procurou não pesquisar sobre os artistas para não sofrer influência, apenas quanto ao estilo.

Veio para Uberaba, receoso em relação ao que iria encontrar. Ao chegar, procurou se informar sobre os artistas, e foi até à prefeitura para saber onde é a Fundação Cultural. Conheceu e recebeu o convite do Diretor de Arte da Fundação Cultural Hélio Siqueira, para participar de um salão.

Paulo participou do primeiro e segundo panorama regional, teve suas obras compradas pela Coca-Cola de Uberlândia. Apresentou seu trabalho na FAZU e outro, sobre retrato, no Rio de Janeiro.Este último consistia em apenas uma abertura para a luminosidade entrar, e um papel sensível a luz que capta a imagem no fundo da caixa escura.

Em Uberaba, recebeu o convite do Hélio Siqueira para realizar uma mostra de arte individual, Tempo e Matéria, na Fundação Cultural. Teve inicio 1 de abril, e estará exposta a observação e compra na instituição até o dia 30 deste mês, com 19 quadros expostos.

Alunos e professores da Uniube – Universidade de Uberaba, FEU-Faculdade de Educação de Uberaba e FAZU– Faculdades Integradas de Uberaba – e artistas locais, marcaram presença na abertura do evento.

 

 

 

 


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