Nas trilhas do Sertão da Farinha Podre


Seo Raimundo caminha em direção ao "trapizonga"

A partir do século XVII, as riquezas existentes em Araxá e região foram alvos
de disputas que atraíram colonizadores de várias partes do mundo


Ralfer Zaidan
7¼ período de Jornalismo
Maurício de Castro
6¼ período de Jornalismo


Na construção de idéias - ou melhor, na reconstituição da história da vida, o próprio bicho homem vem desempenhando um papel fundamental diariamente. Por caminhos e trilhas, a memória - uma aliada importante na escada do desenvolvimento, prepara a sociedade para a escola da evolução. Se isso é possível? Claro que sim leitor. A nossa forma de guardar fatos, datas e situações remete o homem ao equilíbrio; balanceando assim, o que realmente aprendendemos com o passado - adaptando o presente e melhorando consideravelmente os dias que virão.

Mas, a final, por acaso você leitor, já parou algum instante para pensar no titulado futuro? Talvez, sim. Ou até mesmo, já o vive intensamente numa eterna construção de expectativas sóbrias e sorrateiras. Para que tudo funcione na mais perfeita harmonia, começamos em certos momentos, a formular a reconstituição do mito da "união e do nascimento". Fora da expectativa da gestação, façamos um enfoque então, na criação de sociedades - das vilas e povoados mais próximos, deste mundão que pouco conhecemos - as Minas Gerais.

Nas trilhas da colonização, façamos agora uma viagem pelo tempo do importante e conhecido Sertão da Farinha Podre. No início do século passado, esta região funcionou como o principal elo de ligação para tropeiros que cruzavam as terras paulistas e mineiras em busca dos campos prósperos goianos.
Estrategicamente - o local que pode ser compreendido hoje como o antigo Sertão da Farinha Podre, limita-se entre as regiões do Alto Paranaíba e Triangulo Mineiro. É estranho falar em Farinha Podre. Mas, era sim que os viajantes encontravam presos em árvores pelos caminhos, o restante dos mantimentos deixados por tropas que passaram pela região anteriormente. Na expectativa de um breve retorno, acondicionavam alimentos em certo ponto da estrada; aliviando assim, o peso das bagagens.

Boa parte dos tropeiros, firmava residência pelas bandas goianas; e a outra, se aventurava em novas jornadas e desafios. Na maioria das vezes, não voltavam pelo mesmo caminho da viagem de ida. Com a chegada de mais tropeiros e viajantes pelas estradas, o encontro com alimentos estragados acabava se tornando inevitável. Por isso a denominação Sertão da Farinha Podre. E nesta passagem de idas e voltas, cidades como Araxá, Uberaba e Desemboque, foram sendo construídas vagarosamente.

Na história do tempo, famílias se formaram e destinos - sonhos, romances e ideais, ficaram marcados para sempre no gosto da lembrança. Ainda ontem, quando crianças, fomos testemunhas do crescimento. Moleques brincando nas ruas, a pipa, o rolimã e até mesmo os rojões, rechearam de adrenalina pequenos corações afoitos. Nesta mesma correria, gente nova foi aparecendo e aqueles guris, agora moços, entendem o significado do termo união.

Nesta junção, pessoas foram marcando fundamentais vínculos de progresso no contexto em que estavam inseridos. Casamentos começaram a dar um brilho especial na história do crescimento; e estas famílias, cederam espaço para mais famílias e novas gerações - desenvolvendo assim, o então Sertão da Farinha Podre.

 

Uma viagem pelo Sertão da Farinha Podre

 


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