Vídeo
cria fábula sobre condição humana
divulgação
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Seppuku
será exibido na mostra não-competitiva do Festival Universitário
do Minuto da Uniube
Mario Augusto
Di Poi Cruz
Leonardo José de Oliveira
1 ano Publicidade e Propaganda
"Vejo Seppuku como um poema em vídeo. Quis compartilhar
com as pessoas uma fábula adulta sobre a condição
humana, sobre a vida e a morte, o amor, a honra e o sacrifício."
É dessa forma que Guilherme Tensol começa a falar sobre
seu mais novo projeto, o curta-metragem "Seppuku", cujo título
diz respeito ao suicídio-ritual cometido pela classe samurai
no Japão quando um dos seus via-se irremediavelmente desonrado
e, por conseguinte, digno apenas de morrer.
"Mas nunca foi minha intenção fazer um daqueles filmes
hiper-inteligentes que ninguém entende mas finge que gosta. Quis
sim passar uma mensagem profunda, mas que toque no coração
de quem assistir. Busquei o tempo todo me equilibrar nessa corda-bamba
entre o realmente bom e o realmente vendável, algo original e
sério, e ao mesmo tempo capaz de ser engolido e digerido numa
boa."
Aliás, essa parece ser uma característica presente em
cada criação de Tensol, segundo os próprios co-realizadores
de "Seppuku", Mary Caetano e Mário Di Poi, que definem
o amigo como obsessivo e perfeccionista em todas as suas criações
artísticas, sejam seus escritos ou jogos de RPG Tensol
tem vários contos já no papel, muitos rascunhos e está
trabalhando no que considera sua obra-prima: o romance "Buraco
Negro", um "drama psicológico, épico e filosófico,
sobre a escuridão e a alma humana". E é considerado
por muitos como o melhor narrador que já viram de Vampiro: a
Máscara (o RPG favorito seu e de seus amigos mais próximos),
capaz de levar seus jogadores a verdadeiras viagens da imaginação
e, não raro, às lágrimas, com suas histórias.
Estudante do 8¼ período do curso de Direito da Universidade de
Uberaba, "enrolado" com sua monografia de final de curso,
com o núcleo de prática jurídica e o estágio
na promotoria, professor de inglês, violoncelista e praticante
de Aikido, Tensol e "Seppuku" ainda arrumam tempo para tentarem
ser as maiores surpresas do Festival do Minuto de 2003, a ser tradicionalmente
realizado durante a Semana de Seminários, com data prevista este
ano para 24 de Setembro. E tem grandes chances disso, se levarmos em
conta o próprio perfil de Tensol, aluno do Direito e não
da Comunicação Social, curso realizador do festival; e
pelo filme em si, que teve uma produção requintada (e
cara) e conta com a inteligente e comovente história sobre o
triângulo amoroso entre os samurai Shioda e Izuki e a enigmática
e sedutora Ani.
É esperar pra ver.
Revelação: De onde você tira suas idéias?
É engraçado... minha criatividade parece estar ligada
o tempo todo. O Mário costuma brincar comigo, diz que eu tiro
histórias "do nada". Nem quando durmo essa coisa desliga,
sabe? E por isso custo a dormir antes das 3 da madrugada, todas as noites.
E quando consigo pegar no sono, tiro de meus sonhos muita coisa estranha
que, mais pra frente, pode virar um capítulo de um livro, um
conto ou uma cena de Vampiro.
Revelação: Mas você sempre se lembra de tudo?
Guilherme Tensol: Não, não... tenho vários cadernos
de notas, que eu mesmo faço (nota: são encadernações
artesanais e bem exóticas, onde ele usa desde aço inox
até renda importada). Tento manter um papelzinho por perto aonde
quer que eu vá. Quando vejo uma relação interessante
entre 2 coisas ou tenho uma idéia louca, logo a amarro nas tramas
do papel, para não fugir. Às vezes é uma luta dura,
a idéia não quer ficar presa de jeito nenhum, mas sempre
acaba cedendo; é uma luta injusta... já sou bem treinado
nisso (risos). Alguma coisa acaba valendo a pena no fim, igual aquela
coisa de Camões...
Revelação: E como surgiu a idéia para "Seppuku"?
Tensol: Um dia desses, no meio de Julho eu acho, estava jantando na
casa da Mary (que faz Ani no filme), e me veio um insight: a frase "There
comes a time" ("Chega um tempo", na versão em
português da narrativa do filme), na voz de um narrador enigmático
e melancólico. Daí peguei um papel e uma caneta, e comecei
a escrever e rabiscar como um louco. Em meia-hora já tinha tudo
pronto.
Revelação: Do que se trata "Seppuku"?
Tensol: De um monte de coisas. Temos drama, ação marcial
e um belo e trágico triangulo amoroso, "bem shakespeariano"
segundo a Blue, que foi muito legal com a gente desde o começo.
Devemos muito pra ela. (nota: Blueth é a orientadora de RTVC
do Curso de Comunicação Social, e se empolgou demais com
o projeto). A história é sobre dois samurais dos dias
de hoje, Shioda e Izuki, órfãos e criados juntos como
irmãos desde a infância por um Grande Mestre, fugido do
oriente para o ocidente. Eles foram treinados no caminho da espada,
e se transfor-maram em poderosos guerreiros modernos. Entre eles existe
a irmã Ani, também órfã e filha adotiva
do Grande Mestre, por quem ambos sempre nutriram sincero amor, cada
um da sua maneira. Acontece que Ani passa a retribuir o amor de Shioda
de forma não só fraternal... o que causa um descontrole
total no antes frio Izuki, o que leva a tragédia final...
Revelação: Qual a tragédia final? Quero saber!
Tensol:
(risos) o interessante de tudo é que quis deixar
a trama aberta para a imaginação de cada um, sendo que
cada pessoa vai encontrar seus próprios motivos para o desenrolar
das coisas; cada uma das três personagens, seja o sentimental
Shioda, o calculista Izuki ou a enigmática Ani, todos no fim
poderão ser vistos como heróis ou vilões, culpados
ou inocentes, dependendo do ponto de vista e da interpretação
pessoal. Essa coisa orgânica, viva do "Seppuku", é
do que mais me orgulho, sem dúvida.
Revelação: Houve rumores de que você e o Mario lutaram
de verdade no filme...
Tensol: Definitiva-mente. Sim, nós luta-mos de verdade, mas treinamos
muito para isso.Acontece que as cenas de combate tinham que ser reais,
e nós dois sabíamos que num combate real as coisas nunca
saem como planejadas. Então nos preparamos para lidar com os
improvisos um do outro coisa especialmente perigosa quando envolve
katanas (espadas japonesas) de verdade. Mas o Aikido nos ajudou muito
nisso. Tirando várias escoriações e alguns hematomas,
de resto foi tudo bem. Gostei muito do resultado final.
Revelação: A produção de "Seppuku"
foi muito cuidadosa. Os figurinos e os cenários são lindos.
Tensol: É verdade. Sempre foi minha preocupação,
e acho que de todo mundo envolvido, fazer algo bonito, que a qualquer
momento pudesse ser pausado e revelasse uma foto belíssima. O
figurino é baseado no hakama japonês, saiotes que os samurai
vestiam para encontrar com o xogum, se locomovendo de joelhos, o que
atrapalharia um eventual golpe à traição. Claro
que logo o hakama acabou sendo assimilado e passou a ser uma vantagem
para o guerreiro, que tinha a movimentação de seus pés
e quadris escondida. Para um golpe de espada perfeito, os movimentos
dos pés e quadris são muito mais essenciais que a força
física dos braços, ao contrário do que possa parecer.
Não é necessário força para cortar. O gume
da lâmina faz isso por você.
Revelação: Houve algum tipo de pesquisa histórica
para fazer o roteiro?
Tensol: Sim, claro. Busquei profundas bases no Livro dos Cinco Anéis,
de Musashi, e no livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu que, inclusive,
tem passagens pelo filme. Até a personagem Ani foi baseada nas
gueixas originais, numa roupagem século 21.
Revelação: ...Pois é...a Ani ficou uma coisa mesmo...
Tensol: ...(risos) o vestido dela é maravilhoso, cetim vermelho,
importado da China. Realmente ela estava linda no filme.
Revelação: Quais foram as parcerias para esse projeto?
Tensol: Muitas pessoas ajudaram, e novas ainda estão surgindo.
Sem elas, "Seppuku" não existiria hoje, e acho que
falo em nome tanto do Mário quanto da Mary. A própria
Blueth, não só por aprovar o projeto, mas pelo grande
apoio e pela visão profissional, foi um empurrão inicial
daqueles. O Alex, amigão, que rodou com a gente Deus-sabe-lá-onde,
para realizar a captação primorosa que fez. O Fernando,
pela ótima edição, humor requintado e seriedade.
Ao José Carlos da Photos & Fotos pelas sessões com
a gente, à Top Som, ao pessoal das Indústrias Margareth
do Loft Margareth, ao time de designers Brunão/Douglinhas/Lungas...
enfim, a um monte de gente que acreditou e sonhou junta para realizar
"Seppuku". E, não posso deixar de agradecer também
ao meu grupo de RPG, o Eternal Hearts, pelos anos de idéias e
inspirações, e, claro, a minha mãe, por sempre
apoiar minhas loucuras (mesmo não as entendendo, às vezes),
pela co-produção e pelos rangos certos nas horas exatas.
Revelação: O que podemos esperar de "Seppuku"?
Tensol: Algo único. Vocês vão se surpreender.