A
paradoxal figura de Luís Inácio
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Reprodução
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Jamil
Idaló Júnior
2 ano de História
A imagem do presidente Lula como mito de esquerda da América
Latina é incontestável. Visto que as pessoas o vêem
como o símbolo do cidadão proletário, saído
em meio às camadas mais oprimidas da população,
para o exercício do poder. A própria concepção
da Filosofia Marxista, encontra no nosso presidente o exemplo mais fidedigno
de sua base teórica. Já que o mesmo reflete na realidade
concreta, aquilo que Karl Marx expôs em teoria: a tomada do poder
pela classe operária, permeando na relação entre
infra e superestrutura, uma maior preocupação com os menos
favorecidos, assim, na sua figura está depositada a "esperança"
de uma sociedade com menos injustiça social. Resta esperar o
seu devir, para efetivamente sabermos se esta esperança estará
ou não, sendo vã.
O termo "esquerda" surgiu durante a Revolução
Francesa, quando a Assembléia Nacional Francesa reunia as diversas
facções que tinham derrubado o Antigo Regime. Os Girondinos
que defendiam os grandes comerciantes sentavam-se à direita,
enquanto os Jacobinos, que defendiam uma maior igualdade de classes
ficavam sempre à esquerda. Portanto, "esquerda" passou
a se chamar a corrente ideológica dos seguidores de Robespierre
(1758-1794), sonhando com uma sociedade mais igualitária.
Já a denominação "centro-esquerda", na
qual o partido de nosso presidente está inserido, é contemporânea.
É uma espécie de "esquerda" mais liberal, menos
radical e mais aberta a negociações políticas.
Sendo então, uma versão mais flexível da "esquerda"
da Revolução Francesa e da própria Filosofia Marxista.
O que podemos esperar de Lula? Uma postura radical em suas decisões?
Ou uma posição mais aberta com relação às
adversidades políticas de partidos contrários ao seu?
A postura de nosso presidente vai refletir os interesses da classe que
ele representa? Ou ele é único, só existe um Lula
e o mesmo irá tomar decisões que defendam simplesmente
suas próprias convicções? No caso, não no
sentido de uma ditadura e sim da própria estrutura política
brasileira, de centralização do poder.
Evidentemente os desafios são muitos, nosso país tem a
grandeza territorial e a diversidade cultural de um continente, nossos
problemas econômicos são profundos e a própria identidade
do povo latino-americano é uma ingócnita.
Diante a imensidão das dificuldades a serem enfrentadas, suscita-nos
uma desconfiança na posição da direita nas últimas
eleições. Será que ela perdeu a eleição
de propósito? Será que as forças ocultas que ajudavam
a governar este país não armaram uma cilada para que nossa
esquerda seja definitivamente desacreditada? Ou a responsável
pela eleição do nosso presidente foi sua campanha de marketing,
juntamente com o amadurecimento político de nossa população?
Somente o futuro poderá nos responder.
Por outro lado, a figura de nosso presidente é dicotômica,
pois se o mesmo é um símbolo de esquerda, concomitantemente
a isto, ele pode representar o fato de que o Capitalismo dá certo!
Ora, em qual outro sistema político-econômico alguém
poderia evoluir socialmente de "baixo para cima", ou seja,
teria oportunidade de "subir na vida" de acordo com seus próprios
méritos, não fosse a mercantilização capitalista?
Então nos surge a enigmática questão: Lula é
o exemplo vivo do Socialismo de esquerda ou é a prova concreta
de que o Capitalismo dá certo?