A
música eletrônica virou uma patifaria
Foto:
arquivo pessoal

DJ Tonto em ação |
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. . . . . E . . . . . . deixa . . . . . . todo . . . . . . mundo . .
. . . . tonto . . . . . .
Karla
Marília Meneses
6 Período de Jornalismo
"A música
eletrônica, com todas suas nuances e tendências, tem seus
adeptos em Uberaba", garante Rodrigo Biase, o DJ Tonto. Maio, período
de ExpoZebu, DJ Tonto realizou uma festa beneficente em sua casa: cada
participante levaria três quilos de alimentos destinados à
Associação dos Voluntários de Combate ao Câncer.
950 quilos de alimentos foram arrecadados. DJs da cidade animaram o
evento e os presentes poderam confirmar a atuação de Patife,
reconhecido como o fera do gênero musical.
Tecno, drum n bass e house são algumas das ferramentas
de trabalho de Rodrigo, ou seja, DJ Tonto, que faz da música
a sua profissão. " Até parei de estudar, trabalhei
na área de hotelaria, mas sobrevivo mesmo da música.",
afirma. Iniciou em 1989, fazendo festas em casa. Em 92, foi contratado
para tocar na boate do Uirapuru, conhecido clube da cidade. " Tudo
foi muito rápido. De 92 a 95 comecei a tocar na boate Hangar,
um som não comercial. Tinha um público cativo da música
alternativa.", ele conta. O próximo passo foram as festas
itinerantes em galpões desativados e em sua própria casa.
" Era no quintal! E todo mundo ia
dançavam no meio
das hortas e canteiros, mas dançavam!", o DJ afirma entre
risos.
Em 97, a prefeitura proibiu as noitadas da boate de Tonto. Desiludido,
foi para São Paulo trabalhar no ramo da hotelaria. Encontrando
um amigo, seis meses depois, lá estava ele tocando novamente:
o colega o chamou para inaugurar uma casa noturna. Ficou dois anos na
boate. Rodrigo Tonto tocou em casas famosas de São Paulo, entre
elas o Fábrica 5, Popular e Donna. Era DJ residente, que, na
gíria eletro, significa contratado.
Transitando na noite paulistana, esbarrou com gente de peso
como DJ Marky Mark, Anderson Noise, Gabo e Denise e, é claro,
Patife, de quem se tornou amigo. Em 2001, Tonto abandona a hotelaria
e entra de cabeça na profissão. Uma vez por mês,
ele realiza na sua casa de Uberaba, já adaptada para receber
os convidados, a festa Respect, que neste ano comemora a sua sétima
edição. DJ Patife, entre uma turnê e outra, dá
uma passadinha por aqui. Aliás, em uma das edições
da festa Respect foi comemorado o aniversário de Patife.
Fortemente influenciado pelo amigo, Tonto segue a linha House e Tecno
House. Em sua casa não se toca Cds. O grande lance é o
disco de vinil, comprado em casas especializadas. Tudo o que há
de novo no estilo eletrônico pode ser encontrado em discos de
vinil. "Hoje parece fácil ser DJ: basta baixar uma música
em MP3 e enfiar uma batidas no meio. Nâo é assim. DJ tem
pesquisa e história.", ressalta. Ele diz que não
se pode confundir um genuíno DJ, que pesquisa, estuda e ousa
tendências novas, com os caça-níqueis que colocam
uma música após outra desordenadamente, sem entenderem
o que fazem. Tonto afirma que os DJs são apenas instrumentos
da indústria fonográfica, já que tocam apenas as
músicas comerciais por elas impostas. O DJ é um artista,
mesmo que seu instrumento seja a música eletrônica. A ordem
é ousar, criar tendências e estilos.
E por falar em tendências e estilos, seria surreal demais
se não tivesse acontecido: no Baile do Cowboy deste ano o som
ficou por conta da dupla Bruno e Marrone e
DJ Patife. Isso mesmo.
Prova mais que concreta que a linguagem musical ultrapassa toda e qualquer
barreira cultural. Rodrigo Tonto cultiva genuina admiração
pelo colega Patife, que lançou com Marky o álbum duplo
Sambaloco, com músicas sofisticadas e melódicas. Patife,
com vocal de Fernanda Porto cantando Só tinha que ser com você
de Tom Jobim, faz um mix do eletro com a música brasileira.
Atualmente, Rodrigo Tonto toca na boate paulistana Namata Café,
onde uma banda formada por inte-grantes do Karnak e Funk como Le Gusta
também se apresenta no projeto Vitrola Esterofônica. Está
empenhado no fechamento de sua parceria com a promoter Elaine Scalon
para projetar tendas na versão do Skol Beats em Uberaba. "Na
Skol Beats, após o show do Zé Ramalho, tendas com DJs
estarão a disposição da galera. Quero projetar
o som, luz até o line-up, ou seja: apresentação
dos DJs. É claro que quero trazer os "tops" prá
festa!", Tonto avisa animado. Ressalta que nem sempre um evento
caro significa qualidade. " Nós DJs preferimos tocar para
uma só pessoa que curte e entende o recado, do que para uma pista
cheia de mil pessoas que não estão nem aí",
finaliza.