O apóstolo que não conheceu Jesus Cristo

Livro de Taylor Caldwell retrata a vida de São Lucas

Alessandra Goiaz
7 período de Jornalismo.


Quarenta e seis anos foi o tempo gasto para a conclusão da obra-prima "Médicos de Homens e de almas", da escritora Taylor Caldwell. Um livro que começou a ser escrito quando a autora tinha apenas 12 anos de idade e que resultou numa história emocionante sobre a vida de São Lucas, um dos apóstolos de Jesus Cristo.

Lucano, como era conhecido, pois Lucas é o diminutivo e São Lucas porque ele foi considerado santo, não conheceu pessoalmente o Nazareno, mas sabia da Sua existência e sentia que um laço muito forte os uniam, mesmo sem nunca terem visto os rostos um do outro. Ele foi um médico muito respeitado, que ajudava primeiramente os pobres, para depois ajudar os ricos. Curava com poções que fazia, mas não sabia que podia curar, também, com as emoções, que eram refletidas pelo contato das suas mãos com a pele do doente.
O médico foi um dos maiores defensores da fé cristã e não acreditava que Jesus teria vindo para a terra somente para salvar os judeus, e, sim, para salvar a todos os homens. A Bíblia o apresenta como o médico de coração generoso, bem instruído e autor de um dos Evangelhos e do Livro de Atos.

O primeiro contato direto de São Lucas com Cristo foi quando criança. Junto a um dos seus instrutores e amigo Keptah, também médico, presenciou a estrela que anunciava a chegada do Salvador. Depois, já adulto, estava na porta de casa quando o céu escureceu, como se a noite atropelasse o dia. Aquele era o momento que o Filho de Deus estava de braços abertos, pregado na cruz e sendo observado por Prisco, irmão de Lucano e soldado romano. Aliás, foi Prisco quem relatou com muita precisão um dos momentos mais emocionantes do livro: a crucificação.

Tudo o que o médico escreveu no seu Evangelho foi adquirido através de pesquisas, ouvindo os testemunhos de Maria, mãe de Cristo, dos discípulos, dos apóstolos e das demais pessoas que O conheceram. Ele pessoalmente não presenciou nada. Porém, quem lhe contou as histórias, foi muito preciso e detalhista. No início da sua parte na Bíblia o escritor já deixa claro a sua posição diante dos fatos descritos: ele nada viu mas tudo ouviu.

"Tendo pois muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram.
Segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio, e foram ministros da palavra,
Pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio;
Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado."
(São Lucas, cap.I, v. de 1 a 4)

Pode até parecer ironia, mas autora e personagem tiveram destinos semelhantes. Pelo menos, quando me refiro à escrita. Ambos sentiam uma necessidade muito forte de saber e mostrar para o mundo o significado da existência de seus personagens. Taylor Caldwell, como o apóstolo, fez uma longa pesquisa sobre seu personagem, não poupou esforços para conseguir chegar ao seu objetivo. Ela empenhou boa parte da vida para fazer um livro detalhista, emocionante e às vezes angustiante. É difícil lê-lo e não imaginar o que ali está descrito, e é difícil também lê-lo e não se emocionar.

O livro possui uma narrativa extremamente detalhada historicamente para que o leitor possa saber exatamente como eram o lugares, roupas, pessoas, enfim, tudo o que se passa na obra. A autora combina a imagem de um homem que fazia milagres sem saber e que era contra Deus, com a imagem do homem que converteu-se ao cristianismo e se tornou um dos personagens mais importantes da igreja cristã primitiva, caracterizado pelas constantes preocupações com os seus enfermos.

Para escrever sobre a vida de São Lucas, a escritora leu mais de mil livros sobre o personagem e contou com a ajuda do marido e de um padre. Quase todos os acontecimentos narrados são verdadeiros, mas a segurança da narração do livro faz com que nós leitores acreditemos que é tudo verdade, mesmo porque o personagem realmente existiu e tamanha é a descrição dos fatos, lugares e objetos.

O que pode-se notar no livro é que Jesus Cristo é um mero coadjuvante. A autora se preocupou em fazer com que todas as atenções fossem voltadas para o médico Lucano. Além do mais, não existe romance ou livro histórico que possa transmitir a história do Nazareno tão bem quanto a Bíblia e, talvez, não exista, também, narrativa tão completa e compactada em um livro só sobre a vida de São Lucas como Médico de Homens e de Almas.

 

 

 

 


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