De
volta ao ninho
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Foto:
Sebastião Silva
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Maior
festa religiosa de Uberaba reune personagens de todo Brasil
Gilberto Lacerda
6 período de Jornalismo
São nove horas
da manha do dia 01 de agosto. Em frente à Igreja de Nossa Senhora
da Abadia centenas de carros dividem espaço como motos e cavalos.
Do alto a Santa acompanhada de pássaros que repousam sobre seus
braços, e sua coroa contemplam o exército de fiéis
que se forma sob seu olhar materno. O exército de devotos têm
como arma a fé, como munição, a devoção
à Mãe de Cristo.
Embaixo, os mais exaltados soltam fogos de artifícios. O barulho
ensurdecedor assusta um dos passarinhos que repousava seguro em um ninho
sobre a cabeça de Maria. Num vôo atabalhoado de quem está
começando a aprender a voar, a ave voa rasante rente a multidão
e assustada explora o ambiente. Pousa numa caixa preta. À sua
frente um homem agitado caminhando de um lado para outro. Suas vetes
são curiosas. Seu corpo está todo coberto por um tecido
branco que desce do pescoço aos pés. Na cabeça
um chapéu de cowboy. Uma voz aguda, densa e rouca proferida por
uma senhora, cuja o peso estava longe de ser compatível com a
altura, identifica o homem de vestes estranhas. "Padre Divino,
nós estamos atrasados", gralhou.
Sereno como o pássaro que estava à sua frente o padre
retrucou. "Calma minha filha tudo vai dar certo", acalmou
a mulher sem acalmar a si mesmo. As mãos suadas e a tensão
que se formava em torno da sua testa emolduravam o quadro da preocupação
que estava estampado no seu rosto com pinceladas fortes de tensão.
Já eram mais de 9h40 e a carreata em louvor a Virgem Maria estava
longe do seu início.
Os carros chegaram todos ao mesmo tempo. Veículos importados
ultra-modernos dividiam espaço com carros semelhantes aos dos
Flinstones. O pássaro que vislumbrava tudo ao seu redor quase
perdeu as penas quando a caixa preta sob seus pés começou
a vibrar com intensidade de um terremoto. A caixa de som anunciou o
inicio da carreata. O buzinaço de mais de 500 veículos
assustou o pássaro que bateu asas e voou para longe da algazarra.
Ainda meio tonto, pousou a poucos metros da praça da Abadia no
parapeito de um pequeno sobrado. Não se incomodou com a presença
de uma bela negra, que ao seu lado esperava pelo inicio da carreata.
A mulher acabara da sair do salão de cabeleireiros e ainda estava
com alguns objetos estranhos presos no seu cabelo crespo. Eufórica
com a movimentação ela olha para imagem da Santa e diz.
"Obrigado pela graça Mãe Divina".
Iniciada a carreata às 10h40, todos os que estavam no salão
correram para o parapeito acompanhando com os olhos o translado dos
veículos. Como uma corredeira em câmara lenta os carros
desciam pelas principais ruas da cidade. No meio da movimentação
o pássaro identificou a mulher que o acolheu em sua coroa no
alto da Igreja, momentos antes de começar a explosão dos
fogos. Ela seguia com seu olhar maternal, sustentada por uma armação
de ferro com flores que contornavam o seu corpo, como uma áurea.
O pássaro não teve dúvidas, seguiu vôo até
o seu porto seguro, mas sempre que tentava se aproximar, a Santa dobrava
uma esquina. Cansado, desistiu. Perdeu de vista a Mulher Divina.
Voou para outro extremo da cidade. Descansou à sombra de uma
árvore. Mais uma vez não estava sozinho. Uma senhora de
corpo encurvado com um terço nas mãos e cantando a musica
Nossa Senhora, de Roberto Carlos, estava estática a esperar por
algo. Poucos minutos depois um bando de homens sobre motocicletas barulhentas
com luzes vermelhas fizeram calar a velha mulher. Com dificuldade girou
seu pescoço na direção das motos e ao fundo apreciou
o que aguardava. O terço tremeu no mesmo compasso das suas mãos
harmonizados no ritmo da emoção. Com a voz embargada desabafou.
"É Ela", como se entendesse o que dizia o pássaro
também olhou. A velha tinha razão. Era Ela. O porto seguro
do ave antes do início da carreata seguia na sua direção.
Novamente as asas se agitaram e como um imã o pássaro
voou na direção da imagem de Nossa Senhora. Já
próximo foi afugentado por aqueles que estavam segurando a Santa
e quase foi abatido.
Desolado o pássaro voltou para a praça da Abadia e descansou
em uma barraca que estava sendo montada, mas ele ainda estava longe
do fim da sua joranada.
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O
começo de uma nova jornada
Os
milagres de Nossa Senhora da Abadia
Peregrino
da Alegria
Personagem folclórico
alegra caminhada à Romaria
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