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Reprodução:
montagem: Revelarte
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Elogios
aos
Mortos
Fernando Machado
7o período de Jornalismo
É bastante
comum se ouvir dizer que, no campo das artes principalmente, o sujeito
só tem seu mérito reconhecido depois de morto. Não
é totalmente ver-dade. Afinal, os prêmios nobels não
são distribuídos à revelia, e os grandes homens
e as grandes mulheres não vivem fora das sociedades e da realidade.
Certo, muitos gênios, de diversas épocas, viveram anônimos
e só ganharam notoriedade anos após a morte, o que é
normal. Mas é de duvidar que a notoriedade lhes tenha parecido
o mais alto fim de suas vidas.
Entretanto, depois que o santo morre, aumentam os seus milagres. E assim,
quando morre uma pessoa que já era consagrada enquanto viva,
todo mundo tem uma história fantástica com o falecido
para contar. Umas verdadeiras, outras não. Rapidamente o defunto
se torna, na boca do povo, "uma pessoa à frente do seu tempo"
e por trás dos adjetivos elogiosos (alguns muito criativos, aliás),
se esconde não sei se a ligeira intenção de receber
algum quinhão da herança ou uma simples manifestação
de insanidade coletiva, ou os dois. No velório, enquanto o corpo
está sendo velado, ao redor do caixão (e mesmo a distâncias
bem grandes) vão crescendo tanto a paixão nos elogios
quanto a intimidade que os presentes dizem ter tido com o "saudoso".
Eu gostaria de saber, por exemplo, por que o Chacrinha é considerado
um gênio da televisão. Se é, por que o Bolinha não
pode ser? Será que o Faustão também vai virar gênio
depois que morrer? Realmente é indiscutível que Roberto
Marinho, morto mês passado, foi um visionário. Mas foi
também um empresário astuto que usou a Rede Globo como
instrumento de manobras políticas tortuosas. Mas não vamos
citar a edição do Jornal Nacional na antevéspera
do segundo turno da eleição presidencial em 1989, feita
sob a sua supervisão, e nem pensar nas intimidades que manteve
com o poder ao longo dos governos por um motivo de educação:
não se deve falar mal dos mortos. Mas "pai da democracia",
convenhamos, já é demais.