Na fronteira da informação

Meios de comunicação, responsabilidade e notícia. Até onde podemos chegar?

Ralfer Zaidan
7 período de Jornalismo


Eu poderia começar o texto especulando sobre o seu favorito meio de comunicação, estimado leitor. Arriscaria pela preferência da prática e flexível internet - um cibernético mar revolto de dados; questionaria sobre a sua freqüência favorita de rádio ou até mesmo, em que canal de TV você gosta de passar a maior parte do tempo quando está de folga.
Mas não. Prefiro começar de outra forma. Como um futuro profissional da área de comunicação e situado exatamente num período da história onde os homens ainda proporcionam incompreensíveis batalhas, decidi falar sobre limites. Margens estas, que ao serem utilizadas com inteligência e objetividade, possuem o poder de nos conduzir ao respeito e entendimento coletivo entre as sociedades.
Ainda na memória, consigo lembrar com detalhes de algumas passagens interessantes que aconteceram na minha infância. Principalmente, dos carnavais e feriados prolongados onde sem escolha, tinha que deslocar com a família de Araxá para um sítio localizado cerca de 40km do município.
Desesperador? Aparentemente, não. Minha mãe repetia várias vezes num dia antes de partirmos: "Vamos para o sítio descansar...". Para mim, era o exílio. Ficaria a próxima semana inteira, no isolamento - onde meu amigo mais próximo, era um pé de goiaba lá no fundo da horta. Cheguei até mesmo a construir um "forte" no meu companheiro - onde, imaginariamente, lutava contra os inimigos que surgiam por todas as partes.
Logo o sol partia. Sete horas da noite era o momento exato para terminar de jantar e alcançar o quarto para dormir. Não tínhamos televisão e tampouco, energia elétrica. Naquele tempo, principalmente no sítio, o legal era ficar ao lado do rádio. Escutei desfiles carnavalescos inteiros, imaginei fantasias e podia ver pessoas reunidas. E era só. Sabia que naquele meu aparente limite, talvez as ondas hertzianas fossem o meio ideal para que eu pudesse compreender agora - cerca de quinze anos depois, que precisamos entender e respeitar as fronteiras.
Mas, você deve estar se perguntando o motivo pelo qual, estou contando essa passagem particular. Utilizei um pedaço da minha "molequice" para lembrar que uma grande parte das pessoas que cheguei a conhecer nos limites rurais, ainda vivem como seus antepassados e não abrem mão dos costumes - frango caipira ensopado, fogão à lenha, ser-pentina e iluminação provinda de uma lam-parina à base de que-rosene. Notícia? Apenas por aquele motorádio com quatro ou seis faixas. Ficavam atentos para as mensagens que as famílias mandavam da cidade através de uma estação, em ondas AM - e mais nada ou não tinham interesse.
Ainda como estudantes, compreendemos a real necessidade da divulgação de uma informação coerente, ética e aprofundada. Em tempos de guerra, respeitamos nossas fronteiras e levamos em um tom mais sério, a nossa profissão. E são nessas passagens, que conseguimos observar o poder que temos em nossas mãos. Por mais avançada que seja, os meios de informação ainda não conseguiram alcançar igualitariamente todas as partes do globo. Alguns sabem e acompanham diariamente as principais informações gerais - outros não.
Vivemos tensos e preocupados. Talvez, obcecados com o número de notícias que nos circundam. É tempo de conflitos - tanto internos como mundiais. Como comunicadores, caberia a nós, a responsabilidade de levar até à comunidade mais distante que seja, a triste afirmação que estamos em guerra? Que o mundo chora e pede insistentemente pela paz? Caberia a nós esta tarefa?
Conflito para eles, só aconteceu uma vez quando resolveram sacrificar um boi de estimação que havia quebrado uma das patas e estava sofrendo. Toda família ficou desolada. Seria a nossa responsabilidade mostrar imagens bárbaras, fruto de atitudes insanas? Apresentar mísseis arruinando cidades e pessoas sendo metralhadas covarde-mente? Não sei se seria capaz de transmitir tudo isso ou se teria meios de comunicação para tal.
Agora em pormenores, se algum imbecil prepotente tiver a capacidade de apertar algum botão para lançar uma bomba de des-truição em massa num dia qualquer desses, juro que desejaria estar lá no sítio. Naquele meu exílio e que talvez, hoje, seria o descanso que a minha mãe tanto falava. E de fato, naquele contexto - respeitando meus limites e as fronteiras determinadas, procurava entender aquilo que estava ao meu redor, sem tentar possuir ou dominar. Lá no campo, iria saber de frutos, de animais de estimação e daquela velha rede estendida na varanda. E mais nada.

 

Crónicas

 


subir