Jesus
na Universidade
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fotos:
arquivo do grupo
Alunos e funcionários
reunidos na primeira missa realizada na universidade
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Grupo
de Oração buscava reavivar a evangelização
junto aos universitários
Graziela
Christina de Oliveira
1o. ano de Jornalismo
Uma sala de aula
simples, como tantas outras que existem por aí. Algumas carteiras,
a mesa do professor, o quadro negro (que de negro não tem nada).Uma
sala de aula de uma universidade, como muitas outras.
Mas de repente, uma transformação se inicia: as carteiras
são colocadas em círculo, formando uma grande roda que
parece abraçar a quem chega. A mesa ganha toalhas limpas, velas
e castiçais e se torna um pequeno altar. No quadro, não
há lições de biologia, química ou matemática;
há lições de vida com frases como: "Jesus
nos ama".
Uma música suave que vem das cordas de um violão nos convida
a entrar. Não naquela sala de aula, mas naquele pequeno templo
cristão que se formou dentro da imensa instituição
de ensino.
Essa transformação vem acontecendo todas às terças-feiras
dentro da Universidade de Uberaba. Uma missa é realizada no bloco
Q, sala 10, das 17h45 às 18h45. Mas antes de existir a missa,
já havia alguns alunos que se reuniam para orar dentro desta
sala. Há cerca de cinco anos, surgiu o Grupo de Oração
Uni-versitária (GOU Adonai), o primeiro de Uberaba. Mas essa
história de oração dentro de universidades já
existe há um bom tempo
Todos os anos, na Universidade Federal de Viçosa, o movimento
Renovação Carismática Católica (RCC) reunia
cerca de sete mil pessoas durante o carnaval para orarem e estudarem
os ensinamentos da Bíblia, numa espécie de retiro espiritual.
Em 1994, Fernando Galvani, um estudante dessa universidade, teve uma
imensa vontade de que os jovens de sua instituição conhecessem
Jesus.
Enquanto orava em seu quarto, Fernando contemplou um quadro da cidade
de Jerusalém. Mas não eram as ruas de Jerusalém
que ele enxergava, mas sim, os corredores de sua universidade.
Nessa visão, ele também viu um padre. Os padres da cidade
sagrada foram os primeiros cristãos a iniciarem a evangelização
e, por isso, eram muito perseguidos. Naquele momento, Fernando percebeu
que os universitários também sofriam uma espécie
de perseguição. E então, nasceu o desejo de transformar
a universidade na Nova Jerusalém.
O projeto não poderia ganhar um nome melhor: "Universidades
Renovadas". Uma tentativa de restaurar a doutrina católica
no coração das pessoas, principalmente dos jovens universitários.
A Renovação Caris-mática Católica, no mun-do,
teve início na cidade de Duquensne, nos Estados Unidos. Em fevereiro
de 1967, um grupo formado por católicos, professores e alunos
da Universidade do Espírito Santo de Duquensne se juntaram para
vivenciar o fato de que "é o espírito que vivifica".
Mas durante muito tempo a RCC ficou dentro das paróquias. Há
pouco é que se instalou de vez nas universidades. Hoje, a Renovação
conta com a participação de oito a dez milhões
de católicos em quase 60 mil grupos de oração em
todo país, de acordo com dados de 1999 do próprio grupo.
Na RCC, há uma divisão em secretarias, onde cada uma cuida
de determinado grupo. Assim, temos a Secretaria Pedro que faz a pregação
dos ensinamentos; a Secretaria Moisés que intercede pelos outros
grupos; a Secretaria Marcos que se preocupa em evangelizar jovens. A
responsável pela evangelização dos universitários
é a Secretaria Lucas que tem o mesmo objetivo da Pastoral Universitária.
Porém, o Projeto Univer-sidades Renovadas (PUR) não visa
a atender apenas os estudantes. A coordenadora do grupo da Universidade
de Uberaba, Andréia Rosa de Carvalho, conta que qualquer pessoa
pode participar. "Pré-vestibulando, mães de alunos,
professores, funcionários, todos que puderem, podem vir"
, explica.
O GOU é bem diferente dos outros grupos de paróquias,
que geralmente estão ligados ao sacerdote. O grupo depende mais
das regras da universidade do que da própria Igreja.
Para dizer que não há um acompanhamento dos trabalhos
pela Igreja, o GOU é assistido pela Paróquia da Ressurreição,
que é a mais próxima da Uniube, geograficamente.
A coordenadora Andréia revela que o grande objetivo deles é
o de ter uma capela. O próprio reitor não gosta que a
missa seja celebrada em uma sala de aula, gostaria que fosse numa capela.
"A vontade de todos é a de ter um lugar próprio,
onde os universitários possam entrar e orar," conta Andréia.
Além disso, outra dificuldade apontada pela coordenadora é
a falta de divulgação. Muitos que participavam de grupos
em suas cidades chegam e não sabem que aqui também existe
um. "Os que já conhecem vêm, mas muita gente passa,
olha, não sabe o que é, tem receio de entrar," diz.
Os desafios, no entanto, não param por aí: arrumar um
sacerdote também não é tarefa fácil, pois
cada um tem a sua paróquia. "A gente vive da caridade do
sacerdote para celebrar a missa, que traz os objetos litúrgicos
e nos empresta," explica Andréia.
A missa começou a ser celebrada no ano passado, mas acontecia
apenas uma vez por mês. No último semestre, passou a ser
toda semana e contava com a colaboração do Padre Sebastião,
da Medalha Milagrosa, atualmente pároco da Igreja São
Domingos.
Hoje, quem mais ajuda na celebração da missa universitária
é o Padre Anderson, da Paróquia São José.
Desde quando começou, como assessor da Renovação,
ele vem acompanhando esse trabalho que, para muitos jovens, soa como
algo careta e fora de moda.
Ele disse, ainda, que o trabalho é difícil, exige paciência
e perseverança, mas não é impossível. "É
algo muito oportuno; é um desafio diante da dificuldade de evangelizar
os jovens. O mundo oferece muitos outros atrativos," disse.
Por isso, o sonho do GOU é fazer com que toda a universidade
conheça e participe do projeto, para que todos possam ser evangelizados.
Um sonho: que mais e mais grupos se formem, em outros horários,
de menor duração, desde que todo mundo que queira, possa
se reunir e buscar algo mais para sua vida. "Quando a gente sonha
sozinho, parece algo impossível, mas quando sonha junto pode
acontecer. E a gente busca sonhar juntos," ressalta Andréia.