O
fim de uma tradição
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fotos reprodução:
Juliano Carlos
Funcionãrios do Lavoura e Com~ercio em reproducão
de foto de 1907
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Lavoura
e Comércio fecha depois de 104 anos de história
Gilberto
Lacerda
6 período de Jornalisnmo
Era
sagrado. Seu Justino terminava sua soneca depois do almoço e
dirigia-se para a rua Vigário Silva. No caminho até seu
objetivo, lembranças de uma
Uberaba mais tranqüila e menos movimentada. Na viagem pela memória,
recordou-se das roupas recatadas das mulheres da década de 40,
com seus vestido até os tornozelos.
Voltou há 2003 ao ser cumprimentado por uma jovem com mini saia
acima dos joelhos. Achou engraçado a economia de tecido com o
passar dos anos. Tentou fantasiar como seriam as roupas das mulheres
daqui a trinta anos, mas seus devaneios foram interrompidos por uma
criança, que apressada para chegar em algum lugar esbarrou no
ancião.
O caminho dos dois era o mesmo. Olhando o garoto, novamente fez uma
viagem no tempo. "Olha o Lavoura aí", gritava na sua
infância. O dinheiro que ganhava vendendo o jornal, gastava tudo
em sorvete. Riu da imprudência infantil.
Passaram décadas e o grito das crianças continuava o mesmo.
Com seus passos len-tos, curtos e laboriosos apro-ximou-se do seu des-tino,
na con-tramão o garoto cabis-baixo passa por ele sem dar o tradicional
grito. Intrigado acompanhou por alguns instantes, o caminhar triste
do garoto que se sentou a alguns metros dali.
Com o auxilio da sua inseparável com-panheira, a bengala de alumínio,
finalmente chega ao seu destino. Buscou no bolso da velha camisa de
seda a extensão dos seus dois olhos. Ajeitou os óculos
para ler as tradicionais manchetes do Lavoura e Comércio, todas
escritas a mão. Não viu nada. Limpou os óculos,
nada. "Fechou moço", disse o garoto, como se anunciasse
a última manchete.