Deficientes físicos querem espaço no mercado de trabalho

Associação realiza parcerias e luta para manter a qualidade do atendimento

Gilberto Lacerda
5 período de Jornalismo


Antes de 1989, os deficientes físicos de Uberaba não tinham voz ativa para exigir os seus direitos, discutir o seu papel na sociedade, nem locais específicos para prática desportiva. Mas graças à união da classe, a partir do dia 3 de março de 1989, essa realidade começa a mudar. Surge a Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu).

Vários problemas foram resolvidos através da intervenção da associação, porém, surgiram outros, como o imenso número de associados. No começo algumas dezenas, hoje mais 600.

Graças à parceria com várias entidades públicas e privadas a Adefu, vem conseguido manter um alto padrão de qualidade no seu atendimento que inclui práticas desportivas variadas, oficinas de trabalho, fisioterapia, atendimento psicológico, médicos, professores e voluntários. São várias as conquistas, mas a entidade quer mais. O próximo passo é incluir o deficiente físico no mercado de trabalho. Para isso, se faz necessário quebrar as barreiras do preconceito e conseguir apoio junto ao empresariado uberabense no sentido de abrir vagas e ministrar treinamento. Ônibus adptados também fazem parte das reivindicações dos associados.

O mercado de trabalho não está fácil para ninguém. Para o deficiente físico, a dificuldade é ainda maior. Dois fatores contribuem para esta triste constatação: o preconceito e a falta de qualificação. A diretora administrativa da ADEFU, Janaína Pessato Jerônimo, acredita que essa realidade pode mudar: "Basta os empre-sários de Uberaba acre-ditarem na força de trabalho dos deficientes. Eles têm muito a oferecer. "São disciplinados, aplicados e querem provar o seu real valor perante a sociedade", comenta. A diretora faz questão de enfatizar, que o deficiente não quer só o emprego, quer algo mais: "Não basta dar trabalho ao deficiente por filantropia, eles não precisam disso. O que eles realmente querem é ser tratados em condição de igualdade, nada de coitadinho ou coisa do gênero. Eles têm competência de sobra" explica.

A diretora tem vários projetos para a colocação dos deficientes no mercado de trabalho, mas para isso conta com o empenho, e boa vontade dos empresários: "As empresas de Uberaba poderiam abrir espaço para que possamos em parceria treiná-los e incluí-los nos quadros de funcionários".

Janaína cita de improviso cinco profissões que podem ser exercidas por um deficiente físico: "Telemarketing, digita-dor, secretária, cobrador de ônibus, atendente, locutor de bingo, radia-lista, assistente de pro-dução, programador e costureira. Há me des-culpe, você pediu só cinco eu citei dez, mas se quiser tem mais". finaliza com certa ironia num tom desafiador.

A prática desportiva é o ponto forte da entidade. Centenas de associados praticam basquete, natação, arremesso de peso, tênis de mesa e halterofilismo. Gilmar Ribeiro é um dos praticantes. Ele lembra a importância do esporte na sua vida depois que perdeu os movimentos das pernas: "Eu fiquei um mês em coma depois que sofri o acidente. Quando acordei, me deram a notícia. Não queria aceitar de forma alguma que nunca mais poderia correr, e ou andar normalmente. Entrei em parafuso. Meu organismo não agüentou, mais três dias de coma. Foi difícil aceitar a nova vida. Mas graças ao esporte eu pude me acalmar, minha alto estima voltou gradativamente. Pratico todos eles. Minha agenda esportiva está lotada de segunda a sexta".

Há sete anos tendo uma cadeira de rodas como a extensão do seu corpo, ele ressalta que jamais perdeu a esperança: "Eu tenho fé num futuro bem melhor para todos nós portadores de lesão medular. Acredito piamente que um dia eu voltarei a andar e a correr como antes", fala com um brilho ofuscante nos olhos.

Gilmar diz que mora sozinho e que não necessita de nenhum cuidado especial por parte de ninguém. Para sua liberdade ser completa só basta uma coisa: "Poucos os ônibus de Uberaba têm adaptadores para nossas cadeiras. Nós ficamos meio que presos ao transporte da Adefu, mas aos sábados e domingos eu quero sair. Esperar pelos ônibus adaptados leva muito tempo" revela decepcionado.

 

 

 

 


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