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Creches
Comunitárias unem forças
Mariana Martins Soraya Higino 3 período de Jornalismo A Central de Creches Comunitárias (Crescer) é uma organização não-governamental fundada em 16 de outubro de 2002. Ela nasceu da necessidade de melhorar as condições de atendimento de algumas entidades, de mudar o conceito de creche e fazer com que cada uma se torne auto-sustentável. A maneira encontrada pela Crescer de se fazer ouvir foi através do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS). Este conselho é composto de 50% de representantes do governo e 50% não-governamentais. Trata-se de um espaço onde a sociedade civil pode contribuir legalmente na elaboração das políticas de Assistência Social do Município. Sua função é deliberar sobre as políticas públicas, participar de forma construtiva dos planos, programas e projetos que dão origem às peças orçamentárias em todos os seus níveis, além de controlar e acompanhar a efetivação das ações. Uma das principais razões da existência do conselho é fazer com que o poder público invista, cada vez mais, nas necessidades das crianças e adolescentes carentes. "A Crescer tem o poder de mobilização e articulação, mas ela não tem poder de mudar as leis. Ela pode até articular para sugerir, mas quem tem poder de mudar as leis é só o Conselho", afirma Mariângela Camargos, presidente da Crescer. Necessidades Em visita às creches comunitárias, a Crescer detectou muitos problemas internos comuns a todas elas: irregularidade na ali-mentação, irregula-ridade nos convênios com a prefeitura, necessidade de capacitar funcionários e voluntários, inadequação de espaço, demanda reprimida e dificuldade de implementar a educação infantil. Além disso, há um grande problema externo, que é a necessidade de realizar um trabalho social com as famílias. A educação infantil é um ponto que vem sendo muito discutido pelos dirigentes das creches, pois atualmente a creche não é somente um lugar de recreação e de cuidados com as crianças enquanto as mães não podem estar presentes. Hoje é importante implementar programas de educação também para crianças de 0 a 6 anos. No entanto, mediante tais dificuldades, a alimentação foi considerada prioridade e ganhou força com o Banco de Alimentos que no princípio era um grande projeto de arrecadação de alimentos para as entidades carentes. Neste ano, o projeto foi agre-gado ao programa Fome Zero, do Governo Federal, e assim se tornou também uma escola de profissionalização além de doar alimentos, vai capacitar, arrecadar produtos, transformá-los e distribuí-los. Hoje o Banco já tem uma sede: o espaço físico do Hospital São Paulo, onde estão disponíveis vários quartos e duas cozinhas azulejadas. O empenho dos voluntários é muito importante, pois dentro do Banco de Alimentos vai ser preciso o trabalho de profissionais ou estudantes nas áreas de nutrição, de assistência social e de comunicação social. Para manter-se a curto prazo, a solução encontrada pelas creches são jantares, bingos e rifas. Porém, não são suficientes. Uma outra maneira encontrada pela Creche Maria Rosa de Oliveira foi a criação do projeto Lixo Mania. As crianças e seus familiares juntam, durante um período determinado, garrafas de plástico e vidros. As garrafas são tro-cadas por desinfetantes na empresa Juapol, e as que sobram são vendidas; os vidros são trocados por doces na empresa Doces Caseiros Mineiro, que necessita deles para empacotar seus doces. Assim, é feito um self-service de doces e a família que arrecadou maior número de materiais é premiada. Uma idéia para o crescimento dessas creches foi a formação de um colegiado, ou seja, a introdução de pessoas da comunidade na administração da creche. O objetivo é que a família se interesse pelos acontecimentos na creche e que um dia (não distante) ela possa assumir a administração sozinha. "A participação dos pais e dos usuários é muito importante porque o certo seria que eles assumissem as entidades ou participassem da administração dessas entidades para o futuro, porque você não pode deixar o usuário sempre sendo usuário, ele tem que crescer", afirma Mariân-gela. Entretanto, para se manter a longo prazo, as creches necessitam de captar recursos maiores, com empresas nacionais e multinacionais. Dessa maneira, faz-se urgente a capacitação para elaboração de projetos bem estruturados, baseados em leis. Não devem visar apenas o assistencialismo, mas também a promoção humana. E a preocupação com a auto-sustentabilidade justifica a grande importância do Fórum.
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