O
amor que sustenta a vida
Foto:
Alécio Freire

Já no portão de entrada as crianças são
conduzidas para o café da manhã.
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Por
vinte anos, o amor abnegado de mulheres "anônimas" promove
a vida e desperta valores nas novas gerações de 23 bairros
uberabenses
Alécio
Freire
6 período de Jornalismo
Assim
como o autor de "Agora é que são elas",Ricardo
Linhares, se inspirou no associativismo das mulheres costureiras da
cidade de Formiga, sul de Minas Gerais, para gravar a novela em exibição
na Rede Globo, assim também, nos idos de 1978, um grupo de senhoras
das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), do alto de uma das Sete Colinas
de Uberaba, inspiradas nos encontros das Novenas de Natal, perceberam
a carência de sua gente e, fortalecidas pela força da fé,
conclamaram a todos do bairro Gameleira para lutar por três importantes
benefícios: uma escola, um posto de saúde e uma creche
comunitária.
Julgaram que os dois primeiros seriam de responsabilidade do município,
mas a creche, não. Essa, elas queriam construir e gerenciar.
A idéia partiu da senhora Marta Carneiro. E o sonho começou
a ser gestado por ela e outras "mulheres apaixonadas" pelas
novas gerações. Hoje, a creche tem nome, olhos castanhos,
pretos, azuis vívidos, verdes de esperança, com endereço
e sede na rua Agenor Alves da Silva, 71 , ao lado esquerdo da Igreja
Matriz de São José Operário, na praça Pio
XII.
Nas manhãs ensolaradas, algumas turmas sentam-se na grama à
sombra das gameleiras para ouvir as estorinhas de suas "tias"
ou caminham em fila indiana, de mãos dadas, pelas calçadas,
tomando um pouco de vitamina D que o bom sol de verão dos trópicos
nos oferece gratuitamente.
Depois da morte de sua idealizadora, em 1983, por sugestão do
educador e entusiasta pároco, padre Eddie Bernardes, a creche
passou a ser denominada Creche Comunitária Dona Marta Carneiro,
vinculada ao Centro Comunitário Materno Infantil São José
Operário, numa justa homenagem a essa mulher. Antes, a instituição
era conhecida como Creche de São José.
Essas pioneiras mulheres, por intuição, instinto materno
e acumulada experiência de vida, demonstraram saber que se tivessem
uma creche para os seus filhos e os das outras companheiras, teriam
a certeza da comida, da educação e da tranqüilidade
para poderem trabalhar. Pois assim enunciou uma mãe: "Se
tem creche, vai ter o que comer". Tinham, no entanto, diante de
si, os inúmeros desafios pelos quais teriam de passar. Mas com
amor e garra partiram para a luta com um só desejo: promover
a vida, cuidando e educando as crianças da comunidade.